Se na antevisão à partida José Mourinho havia referido que, tal como na Turquia, também em Portugal era preciso «acabar-se com o jogo o mais rapidamente possível» para não deixar o adversário «tranquilamente instalado», o conjunto da Luz levou a lição à letra e venceu o CD Nacional por 2-0, num encontro onde a intenção ficou clara desde o primeiro minuto: resolver cedo para controlar depois.
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Marcar cedo e cedo erguer…
Com algumas novidades no onze inicial — desde logo os regressos de Gianluca Prestianni, Leandro Barreiro e Amar Dedic — o Benfica entrou em campo com uma intensidade raramente vista nas últimas semanas.
E bastaram três minutos para transformar intenção em vantagem. Prestianni, irreverente e incisivo pela direita, voltou a mostrar que estava em noite inspirada e cruzou com precisão para Andreas Schjelderup, que apareceu solto ao segundo poste para encostar e fazer o primeiro. Um início que espelhava bem a urgência pedida por Mourinho.
O cenário repetiu-se pouco depois. Aos 14 minutos, novamente Prestianni a rasgar o corredor direito e a servir Rafa Silva, que, no coração da área, não desperdiçou e elevou para 2-0. Dois ataques, duas assistências, e um jogo praticamente resolvido ainda antes do primeiro quarto de hora.
Até ao intervalo, o Benfica manteve o pé no acelerador. Rafa esteve perto de bisar, Pavlidis ameaçou de cabeça, e o próprio Prestianni ficou a centímetros de assinar o golo da noite, ao acertar no poste com um remate de fora da área. O Nacional, encostado às cordas, limitava-se a sobreviver perante o vendaval ofensivo encarnado.
Em Cruise Control
A segunda parte trouxe um Benfica mais gestor. Não tanto por desinteresse, mas pela natural consequência de quem fez cedo o trabalho mais difícil.
Ainda assim, o domínio manteve-se. Schjelderup continuou a ser dos mais inconformados e acabou por conquistar uma grande penalidade, após falta de Léo Santos. Chamado a converter, Vangelis Pavlidis permitiu a defesa de Kaique, quebrando uma sequência longa de eficácia encarnada da marca dos onze metros.
Esse momento deu algum alento ao Nacional, que subiu ligeiramente as linhas e até chegou a introduzir a bola na baliza por Jesús Ramírez — lance prontamente invalidado por falta ofensiva. Foi, ainda assim, um breve sinal de vida numa noite maioritariamente controlada pelo Benfica.
Até final, o jogo entrou num registo mais morno, ainda que com oportunidades para ambos os lados: Ivanovic obrigou Kaique a nova intervenção apertada e Rafa voltou a rondar o golo. Houve ainda tempo para um momento simbólico: a estreia de Gonçalo Moreira pela equipa principal, num Estádio da Luz com mais de 56 mil espetadores.
Um jogo resolvido… à imagem do que foi pedido
O apito final confirmou aquilo que o jogo contou desde o início: vitória segura, construída cedo e gerida com naturalidade. Depois do deslize frente ao Casa Pia, o Benfica respondeu com autoridade, eficácia e, acima de tudo, com uma abordagem mais alinhada com o discurso do treinador.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Gianluca Prestianni (Benfica): O melhor em campo. Um autêntico motor no ataque dos encarnados, sobretudo na primeira parte, que atirou o Benfica para a liderança, mesmo sem introduzir diretamente a bola na baliza. Exibição muito influente do argentino esta tarde.
Andreas Schjelderup (Benfica): Tal como o argentino, também o extremo norueguês aproveitou da melhor forma o protagonismo que lhe tem vindo a ser concedido. Mais confiante, mais maduro na tomada de decisões e, sobretudo, mais eficaz em frente à baliza. Mais uma exibição de alto nível do jovem nórdico das águias.
Leandro Barreiro (Benfica): Se na última semana havia faltado intensidade, com Barreiro o meio-campo do Benfica ganha uma nova vida, um novo fôlego. Mal amado por muitos, continua a mostrar a sua importância no plantel do Benfica.
Rafa Silva (Benfica): Muito mais participativo e ativo no ataque face aos últimos encontros. Não é o mesmo Rafa que se despediu do Benfica, mas também já não é o mesmo que chegou em janeiro. Uma melhoria de desempenho que ajudou na fluidez do ataque encarnado.
Incidentes: O filme do jogo









