Na Cidade dos Anjos, terra abençoada pelos deuses da Sétima Arte, o papel principal foi entregue a Stephen Eustáquio. Do Dragão para o Canadá, do Canadá para Los Angeles e Hollywood.
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Luzes, câmara... Eustáquio, o herói de ação do Canadá e autor do decisivo golo no duelo contra a África do Sul.
Já nos descontos, com todo o estádio a pensar no prolongamento, o médio dos quadros do FC Porto recebeu um corte mal feito e rematou para a baliza dos Bafana Bafana.
Se Eustáquio procurava um filme perfeito para coroar de glória uma bonita carreira, ele foi filmado e exibido na relva californiana.
Os homens de Jesse Marsch ficam agora à espera do vencedor do Países Baixos-Marrocos. E continuam a sonhar...
Oh Captain, my captain!
Numa equipa de coração enorme, mas lucidez discutível, Eustáquio é fundamental. Conselheiro, big brother, o colega que baixa as luzes e ouve os outros. O divã é dele e as decisões mais difíceis também.
Ninguém esperava que a primeira vez de Canadá e África do Sul numa fase tão adiantada de um Mundial resultasse em coisa diferente. As primeiras vezes são assim. Borboletas na barriga, ansiedade, o insustentável medo de errar antes de ser.
![]() | Stephen Eustáquio 8 títulos oficiais |
Eustáquio manteve-se à tona, leu poesia com a bola nos pés, ao mesmo tempo que os outros rasgavam revistas de gosto duvidoso. Mesmo Jonathan David, um dos mais conceituados, parecia mais desinspirado do que nunca.
Pouco preocupado com isso estava o mister Broos, um belga apaixonado por África. Montou um bloco baixo, apostou em duas motas na frente (Maseko e Appollis) e esperou que o filme não tivesse mais nada para mostrar.
Para ele, infelizmente, estava um pensador do outro lado. Braçadeira no braço esquerdo, 'oh captain, my captain!', e uma liderança baseada em passes e boas decisões.
De filme!
O Canadá atravessou a fronteira, rumou ao sol californiano e deu asas ao desejo. Quando a película já se arrastava em demasia, Alphonso Davies - o esquerdino do Bayern, craque, que tem estado lesionado - entrou para os últimos 15 minutos e agitou as águas.
A pressão subiu, apertou, levou desconforto à África do Sul. Já nos descontos, Okon afastou mal e Eustáquio fez o que só ele, na verdade, podia ter feito: entender o filme do princípio ao fim.
Take 1 dos 16-avos-de-final: luzes, câmara... Eustáquio! Todo o Canadá grita o seu nome.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Stephen Eustáquio (Canadá): ao jogo 60 pelo Canadá, o quinto golo - e o mais marcante. Três dos anteriores tinham sido feitos na Gold Cup 21 (Martinica, Haiti e Costa Rica) e o outro surgira contra a Jamaica na Liga das Nações da CONCACAF. Nada a ver com este remate colocadíssimo, a deixar o país de mãos na cabeça e em lágrimas, a festejar o primeiro apuramento para os oitavos de final. Eustáquio, um herói canadiano. Não é de mais lembrar: o contrato com o FC Porto expira apenas em junho de 2027.
Alphonso Davies (Canadá): ora seja muito bem aparecido! O esquerdino do Bayern chegou cheio de problemas físicos ao Mundial e ainda não jogara no torneio. Em 15 minutos mostrou, com facilidade, que é um executante diferente. Perturbou o lado direito da defesa da África do Sul e será um reforço de alta categoria para o duelo da próxima fase.
Richie Laryea (Canadá): a carreira do lateral esquerdo foi sempre feita entre o Canadá e os EUA. Aos 29 anos, o mais provável é que continue por lá. Ainda assim, é justo reconhecer-lhe o potencial, a qualidade a decidir e a capacidade de fazer todo o corredor. Cruzou, tabelou e ficou a pedir penálti no final da primeira parte. Um dos melhores na equipa norte-americana.
Mbekezeli Mbokazi (África do Sul): costuma apagar os fogos na defesa dos Chicago Fire e em LA vestiu a pele de bombeiro a tempo inteiro. Robusto, contundente, tirou tudo o que podia tirar na sua área de ação. O mais acertado dos Bafana Bafana, bem acompanhado por Aubrey Modiba (lateral esquerdo) e o keeper Ronwen Williams.
O árbitro
Arbitragem meritória de João Pinheiro, a confirmar na relva as indicações da FIFA para este Mundial: deixar jogar ao máximo, intervir com rigor. O jogo teve um lance polémico e de difícil decisão ainda no primeiro tempo: Richie Laryea (Canadá) caiu na área e sem repetição pareceu ter sido carregado. As imagens em câmara lenta deixaram-nos muitas dúvidas e certamente ao VAR também. Nada foi assinalado. Nota alta para o árbitro português, que tem esperanças de voltar a participar no torneio.
Incidentes: O filme do jogo








