Lembra-se de quando, na goleada ao SC Braga, o público pedia para ser um jogador diferente a bater um penálti e Pote, com assobios dos próprios adeptos, recusou o cenário e bateu ele mesmo? No final desse jogo, Rúben Amorim pediu-lhe desculpa por ter sido tentado a alinhar na brincadeira e referiu-se ao 28 como «o único adulto na sala». Pois bem, desta vez não foi o único, mas foi o mais adulto de uma vitória bem conseguida pelo Sporting em Trás-os-Montes, contra um Chaves muito limitado de opções. E o jogo até podia ter acabado em goleada, só que, num penálti perto do fim... adivinhe lá?! Pote cedeu a Chermiti, o público leonino na bancada ficou em êxtase e... o guarda-redes defendeu. Em toda a linha, um jogo ganho pelo camisola 28, acima dos outros. Mais do que isso, um ótimo ensaio para uma noite que o leão quer que seja bem diferente na Dinamarca.
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Segurança de plástico
Chaves de nome, mas sem matéria sólida que permitisse pensar em muito mais do que defender no começo. As baixas têm sido várias, para este jogo ainda foram mais, para Vítor Campelos: Paulo Vítor juntou-se aos indisponíveis e proporcionou a estreia na Liga a Rodrigo Moura. Num jogo exigente e mediático, o começo do guarda-redes não podia ser pior: cometeu grande penalidade, bem sacada por Paulinho e convertida por Pedro Gonçalves.

Diomandé foi exceção, ao atuar no lado direito da defesa, e houve também nova oportunidade para Trincão, depois dos 34 minutos contra o FC Porto e da surpreendente (ou não) saída ainda na primeira parte. Veio com mais vontade, mas com idêntica falta de confiança, notória nas definições finais. Mesmo assim, foi, com Pote, dos mais ativos do ataque, num jogo que começou por parecer fácil, perante as veleidades da defesa contrária, mas que acabou por não o ser.
O Sporting marcou cedo, podia ter ampliado e gerido, só que não conseguiu. Timidamente, pé ante pé, o Chaves começou a soltar-se. Atacou uma vez, mais outra, e outra a seguir, sempre entre aparente domínio do leão. Ou seja, quando João Teixeira empatou o jogo, num bom remate de fora da área, já não surpreendia ninguém que tal acontecesse. Aconteceu, tudo ficou igual e o intervalo apareceu.
Quem mais?
Com tudo bloqueado e com mais fantasmas a pairarem sobre o Sporting, a equipa tinha duas hipóteses: ou sucumbia ao mau momento e se entregava à sorte, ou tentava projetar-se sobre o adversário, que estava, ainda que motivado, a aparentar fragilidade em campo - com João Teixeira mais distante do último terço e com João Pedro ainda à procura da melhor forma, o meio-campo não conseguia ombrear com o furacão Ugarte, o que, desde logo, sugeria um desnível a favor do leão.

Também nesse lado surgiu, minutos depois, o golo da tranquilidade, com felicidade à mistura, de um Nuno Santos que estava a melhorar e que já se tinha picado com o público do seu lado desde o golo anulado. Foi o tónico perfeito para que, nos últimos minutos, o jogo pudesse ser mais gerido por Amorim, finalmente a pensar na Dinamarca. E por Campelos, que pôde ver peças alternativas em ação e que pôde sentir novamente que Hector faz por merecer um carinho especial dos adeptos - bom golo fora de horas.










