Um quarto século depois, Portugal voltou a bater a Alemanha! E agora, em retrospetiva, até é fácil de perceber qual o motivo de tantas derrotas seguidas frente a este adversário... O problema dos últimos cinco encontros esteve, evidentemente, na ausência de um Conceição. Parece que basta isso mesmo, porque foi Francisco, o filho, a quebrar uma maldição que durava desde que Sérgio, pai, fez um hat-trick a esse mesmo adversário! Ronaldo ainda marcou o 2-1, assinando um guião absolutamente brilhante...
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Tínhamos antes do jogo destacado esse 3-0, em entrevista com Humberto Coelho, mas nada bate isto. Chamem-lhe viés de recência, mas parece provável que os portugueses tirem mais prazer de bater os alemães numa meia-final, em plena Allianz Arena, do que numa fase de grupos!

Bom arranque e o habitual desgosto
Um estádio cheio, com as camisolas portuguesas a irem bem para lá do setor considerado visitante. Um bom ambiente - a não confundir com bom clima - partilhado por duas nações, reforçando a ideia de que a Alemanha era menos seleção da casa e mais seleção anfitriã de uma grande competição. Há uma diferença.
Esse ambiente de fase final pareceu ter dado toda a motivação aos jogadores, cujo cansaço acumulado na longa temporada não impediu um arranque a todo o gás. Ritmo muito alto, sem as amarras de um nervosismo que certamente surgiria se das meias de um Euro ou Mundial isto se tratasse.
Nesse contexto, a formação lusa mostrou-se capaz de travar a má série frente a alemães. Cedeu uma grande chance a Goretzka logo ao quarto minuto, é certo, mas de resto também começou cedo a visar a baliza de ter Stegen. Ronaldo e Pedro Neto os principais atiradores nesse período inicial.

Ao intervalo, o nulo perdurava. Aliás, levava já vários minutos sem ser sequer ameaçado! Foi também por isso surpreendente a forma como a mannschaft chegou ao 1-0 logo no arranque do segundo tempo. Depois de um bloqueio (ilegal, parece-nos) do estreante Woltemade, marcou de cabeça o pequeno Florian Wirtz, que por esta altura já uma das grandes figuras alemãs.
Dinastia que escreve (e reescreve) a história
Para a felicidade dos adeptos lusos, a história não ficou por aí. Nem de perto! A reação já estava em andamento quando Martínez decidiu lançar Vitinha e Francisco Conceição. Se o primeiro deu continuidade a uma outrora impensável candidatura à Bola de Ouro, com uma brilhante entrada, o segundo fez-se dono da noite!

O lado vermelho da Allianz Arena suplicava por mais e só teve de esperar cinco minutos. Para melhorar, o golo foi marcado pelo favorito da maior parte deles: Cristiano Ronaldo, aos 40 anos de idade, marcou numa meia final de um torneio de seleções!
Mérito para Nuno Mendes, que coroou uma exibição brilhante - digna de melhor em campo para o zerozero - com a assistência para o tento decisivo, mas CR7, mesmo com um encosto, acaba por ser a causa de grande parte dos sorrisos portugueses e das emoções confusas dos alemães que mais o adoram (avistámos vários ao longo do dia).
O apito final trouxe a confirmação de que Portugal vai mesmo à final da Liga das Nações da UEFA, seis anos depois de ter conquistado a primeira edição da prova. Jogadores e adeptos vibraram ao som d´«A Minha Casinha», dos Xutos, depois do apito final. Que assim seja, já que no domingo, dia das decisões, a casinha voltará a ser esta.






