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Num mundo assolado por violência dos mais diversos tipos, desde as guerras em curso em vários pontos do globo até aos crimes diariamente cometidos em sítios públicos e privados, a violência existente no futebol não é seguramente das mais importantes nem das mais preocupantes,... mas existe. E existindo tem de ser combatida.
Não me refiro aqui à violência existente no jogo em si, consubstanciada em faltas graves e agressões que merecem (às vezes, não...) a devida punição disciplinar das equipas de arbitragem com a exibição de cartões amarelos e cartões vermelhos para sancionarem os faltosos.
Nem sequer aos fenómenos de violência entre adeptos e que no passado se traduziam por autênticos arraiais de pancadaria nas bancadas, mas que hoje são felizmente cada vez mais raros face à actuação preventiva das forças policiais e à separação de adeptos por bancadas diferentes.
Embora em volta dos estádios e nos seu acessos continue a existir alguma violência fruto da acção de grupos organizados (“casuals” e não só) que agridem e perseguem adeptos dos clubes que defrontam os seus e se dedicam à destruição e ao vandalismo como aconteceu em recente visita do Hajduk Split a Guimarães com bandidos croatas adeptos desse clube ajudados por bandidos pertencentes a uma claque do Benfica a atacarem o centro histórico da cidade destruindo tudo quanto lhes aparecia pela frente, na noite anterior ao jogo, numa autêntica acção de crime organizado que
passou completamente impune.
A violência de que vou aqui falar é outra e faço-o na qualidade em que escrevo estes textos ou seja como adepto do Vitória Sport Clube. Há de há muito, porque convém a quem a criou e a quem a propaga, uma narrativa segundo a qual os adeptos do Vitória entre outros defeitos que lhes são mentirosamente imputados tem também propensão para a violência e para a criação de conflitos com adeptos de outros clubes e também com as forças policiais. E se essa narrativa dá muito jeito para se justificarem determinado tipo de acções sobre os adeptos vitorianos já o sabemos, e já lá vamos, também de provoca graves danos reputacionais na imagem do clube com todas as consequências daí advindas e que interessam aos nossos adversários e até aos nossos inimigos porque também os temos.
Não nego, porque seria mentira, que isso não tenha acontecido aqui ou ali por circunstâncias diversas e a merecerem a natural condenação porque nesta matéria se há raciocínio que nunca fiz nem farei é que há violência “boa”, a dos nossos, e violência má quando é praticada pelos outros. Mas se há violência que não tem qualquer justificação é a violência indiscriminada sobre adeptos perpetrada por forças policiais de um Estado que deve defender os seus cidadãos e não agredi-los sem qualquer justificação como tem acontecido por vária com uso de força excessiva (e completamente desnecessária no contexto em que é
utilizada) sobre adeptos vitorianos em estádios deste país. Dou apenas quatro exemplos, dispersos nos últimos dez anos para ilustrar o que afirmo.
Em 2014 antes de um Vitória-Porto, e por força dos incidentes provocados junto á bancada topo sul por adeptos do Porto a PSP invadiu e agrediu indiscriminadamente os adeptos do... Vitória presentes na bancada inferior desse topo. Em 2017, antes de um Vitória-Benfica, uma carga policial sem qualquer justificação obrigou os adeptos do Vitória a fugirem para o relvado para escaparem dos agentes que os agrediam após distúrbios e arremesso de objectos e cadeiras pelos adeptos do...Benfica.
Em 2022 durante o jogo com o Puskas Academia, para a Liga Conferência, nova carga policial sem qualquer justificação levou agentes a invadirem a bancada nascente inferior levando o “requinte” ao ponto de apontarem armas de fogo a adeptos aterrorizados entre os quais muitas crianças como se estivessem num qualquer cenário de guerrilha urbana.
Já neste ano de 2024, e poucas semanas atrás, mais uma carga policial absolutamente injustificada sobre adeptos vitorianos, desta vez em Vila das Aves, provocando pânico entre adultos e crianças que não percebiam a que se devia esse autêntico abuso de poder sobre pessoas que nada tinham feito para o merecerem.
Tudo isto, e muitos outros casos que poderia referir, sem que alguma vez a hierarquia das forças policiais e o próprio Estado tenham mostrado qualquer interesse em averiguar se o uso da força se processou em parâmetros correctos e adequados aos eventuais incidentes (caso tenham existido é claro) ou se houve o tal uso de força excessiva pelo qual tem de haver responsáveis e a respectiva responsabilização. Ou seja parece que bater em adeptos do Vitória é um novo “desporto” que pode ser praticado sempre que apeteça e na maior das impunidades. E cabe aqui lembrar aquele oficial da PSP que por dar umas bastonadas, se justas ou injustas é outra questão, num adepto do Benfica no exterior do estádio D. Afonso Henriques teve processos disciplinares e processos judiciais para lá de uma perseguição sem quartel na comunicação social com todos os prejuízos pessoais e profissionais daí decorrentes.
Porque, pelos vistos, bater num adepto do Benfica é crime enquanto bater em adeptos do Vitória é “desporto”! E portanto esses abusos de poder sobre adeptos vitorianos revelam uma impunidade dos seus autores a fazer lembrar, para lá do já referido caso dos bandidos adeptos do Hajduk Split e do Benfica que vandalizaram o centro histórico de Guimarães, o bando de ladrões identificados como adeptos do Benfica que no final de um jogo com o Vitória assaltaram os armazéns do clube no topo norte do estádio D.Afonso Henriques roubando e vandalizando o que bem lhes apeteceu com o inaudito atrevimento de publicarem imagens dos crimes nas redes sociais sem alguma vez terem sido incomodados por isso tanto quanto se sabe.
Daí há que dizer, de forma clara e sem sofismas, que tal como defendo punições exemplares para adeptos que provoquem a violência nos estádios e fora deles igualmente defendo que aqueles que vestindo farda das forças de segurança não a saibam prestigiar, e ao abrigo dela pratiquem abusos de poder, devem ser responsabilizados pelos seus actos e impedidos de continuarem a pratica-los.
Porque tal como todo um clube, seja qual for, não pode pagar por ter algumas “ervas daninhas” no seu seio que prejudicam a sua imagem também as forças de segurança (especialmente PSP e GNR) que são pilares essenciais na defesa do Estado de Direito não podem ver a sua reputação manchada por quem não merece vestir a sua honrada e prestigiada farda.
Mas, e a terminar, há outras formas de violência exercidas sobre o Vitória e o vitorianos que também tem de ser denunciadas e combatidas pelo que de nocivo
encerram. Refiro-me a mentiras, invenções e calúnias lançadas sobre clube e adeptos por gente sem vergonha nem noção da responsabilidade. E já nem me refiro ao badalado caso de um desmiolado que cuspiu no prato onde tinha comido e em que a Justiça se encarregou de repôr a verdade depois de ataques ao clube como não há memória de alguma vez terem acontecido em Portugal em relação a qualquer outro clube e massa adepta. Mas apenas a um caso mais recente em que um jornalista do Record (jornal pertencente a um grupo de comunicação social especialista em sensacionalismo, que não faz dos escrúpulos causa maior e que tem uma relação difusa com a Verdade, de que fazem parte o jornal Correio da Manhã e os canais de televisão CMTV e Now entre outros orgãos) se ter dedicado a inventar o que ninguém viu, ninguém ouviu, ninguém fez qualquer tipo de declaração sobre o (não) assunto e ninguém reportou em qualquer dos relatórios obrigatórios num jogo de futebol.
Mas apesar da inegável inexistência de qualquer ilícito já se sabe que a mentira faz o seu caminho com uma facilidade maior do que a verdade e essa invenção apenas reproduzida nos orgãos de comunicação social desse grupo levou a que quem não se consegue colocar acima desse nível, ou seja é tão ruim como eles, já tivesse instaurado um processo disciplinar ao clube!
Esperemos que mais uma vez a Justiça reponha a Verdade.
Sendo certo que estes ataques ao Vitória e aos seus adeptos merecerão sempre uma condenação clara e frontal sem o refúgio nas meias palavras ou o medo de infringir o politicamente correcto por parte de todos os vitorianos que sentem as dores do clube como suas.
É esse o ADN dos adeptos do Vitória Sport Clube!