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    Carlos Daniel
    O Melhor dos Jogos
    Carlos Daniel

    Pode sempre acabar bem

    2025/06/16
    Este espaço, do jornalista Carlos Daniel, pretende ser de abordagem e reflexão sobre o futebol no que o jogo tem de melhor. Quinzenalmente, uma equipa será objeto de análise, com notas concretas que acrescentam atualidade.

    Nenhuma seleção do mundo, nem o Brasil a viver tristes dias, tem mais soluções de talento que a portuguesa, num rácio impressionante de qualidade e quantidade, fácil de perceber a partir das escolhas para final com a Espanha. A um onze de enorme qualidade era possível acrescentar, a qualquer momento, Gonçalo Ramos, João Félix, Rafael Leão, Diogo Jota, Francisco Trincão, Pedro Gonçalves ou Rodrigo Mora, pensando só em opções ofensivas. E fora dos convocados ainda havia Geovany Quenda, Fábio Vieira, Bruma, Ricardo Horta ou Jota Silva. É de cortar a respiração. Mas o que aumenta as possibilidades também acrescenta às responsabilidades. E a vitória na Liga das Nações, concretamente o modo como se chegou a ela, não deixa dúvidas: por via das alternativas disponíveis, Portugal tem hipóteses de ser feliz contra qualquer seleção do mundo, e mesmo um jogo que pareça correr mal pode sempre acabar bem.

    Dito o óbvio, que é também o que mais conforta para o futuro, reconheçamos que é possível jogar melhor, bastante melhor. Uma análise mais fina permite perceber que o processo coletivo não entusiasma, que a organização defensiva revela deficiências críticas e que a criatividade com bola vive na estrita dependência da (reforço, muita) qualidade individual. Talvez não se pudesse pedir mais a um onze que nunca testado (em jogo) e decerto pouco ensaiado (em treino), mas a pergunta que apetece fazer está mesmo aí: o que poderia render esta seleção com um onze minimamente repetido e rotinado? E já era tempo.

    Além da constatação genérica anterior, não parece grande ideia continuar a desaproveitar, a meio-campo, a ligação Vitinha-João Neves, que impressionantemente varreu a Europa, ou agrupar tanta gente de talento nessa zona do campo, capaz do melhor com bola (os dois Neves, Vitinha, Bernardo e Bruno), para depois depender ofensivamente das correrias solitárias de Pedro Neto ou Rafael Leão. As diferenças de linguagem entre o meio-campo e o ataque têm de ser corrigidas, até para que as prematuras perdas de bola não impeçam o contributo pontualmente decisivo de jogadores como Trincão, Conceição ou Félix, fortíssimos na definição perto da baliza mas que nunca serão de acelerações longas, de arrastar a equipa com eles.

    Também por isto, porque a equipa vive ofensivamente de rasgos individuais e do aproveitamento de espaços em aceleração, Nuno Mendes foi o atacante mais decisivo da seleção. O resto é a imensa qualidade do melhor lateral esquerdo do mundo e a caminho de ser um dos melhores da história. Com um pouco menos de obsessão com Ronaldo, já nos teríamos dado conta há umas semanas de que há dois potenciais bolas de ouro na equipa das quinas: Nuno Mendes e Vitinha. Foram tímidas e pontuais as vozes que os elevaram, ao mesmo tempo que Espanha avançava diariamente na promoção da justa candidatura de Yamal. Este é bem capaz de ser já o melhor futebolista do mundo, acontece é que Nuno Mendes e Vitinha ganharam mesmo tudo o que era possível este ano. E o prodígio espanhol não.

    Quanto a Roberto Martínez, percebeu-se o incómodo da Federação após ter deixado perceber que tinha desenhada a sucessão. A partir desta conquista, Pedro Proença não tem alternativa e vai chegar ao Mundial agarrado a Martínez, mesmo se ambos sabem que a relação é de conveniência. Ou seja, o ponto de partida não foi bom mas o porto de chegada obriga-os a unir esforços. E o final feliz é possível. Lá está, com o talento disponível e mesmo quando parece correr mal pode sempre acabar bem.

    Comentários

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    Motivo:
    lfb 15-06-2025 19:14
    Editado a 2025-06-15 19:16
    Obrigado
    Sítio errado.
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    RoazSado 12-06-2025 07:09
    Concordo
    Estou de acordo com a análise que o resultado final, conquista da Liga das Nações, foi bem melhor que o nível exibicional, e que o resultado final fez muita gente ignorar os erros crassos do selecionador nacional e o facto de ainda não termos um colectivo que faça jus á qualidade individual dos nossos jogadores. Primeiro ponto, a utilização do João Neves a lateral direito não fez o menor sentido e nunca resultou, sendo por isso que está opção nunca durou os 90 minutos, pois ...
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    redlegion 13-06-2025 16:25
    RoazSado
    Nos EUA o feminismo está num nível de histeria e o ideal é ficarmos no Canadá? Eu ia jurar que o maior problema nos EUA atualmente é alguém acabar preso ou deportado sem motivo ou julgamento. Além de que se pode ir parar a uma prisão de El Salvador só porque sim.
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    lfb 12-06-2025 00:58
    Não pára
    E continua a choradeira de final de época. Agora é o Gonçalo Ramos que não sei quê mais o João Neves assim e assado e o João Félix que é letal. . . Não há pachorra.
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