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    Paulo Silva
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    A Tasca do Silva
    Paulo Silva

    Mudar de vida

    2023/01/29
    E0
    A Tasca do Silva é o espaço de opinião sobre e à volta do FCP, dinamizado por Paulo Silva, um dos podcasters responsáveis por A Culpa é do Cavani, o podcast de referência do universo portista.

    Fui na excursão de A Culpa é do Cavani a Leiria, a ver o futebol. Nunca tinha ido a uma fina da Taça da Liga, aquela competição da qual nunca quisemos saber, com a qual fizemos chistes vários e desvalorizámos basto, mas que é, claramente e desde ontem, uma das mais importantes, prestigiadas e, de forma geral, bonitas e gostosas taças de que há memória.

    Façam atenção ao facto de esta romaria ser a quarta e se juntar a duas Supertaças em Aveiro (Aves e Tondela) e uma Taça de Portugal em Oeiras (Tondela). Deixo isto aqui como gentil lembrete à direção do FCP, tendo em conta que esta época ainda vamos disputar duas finais, em Oeiras e Istambul. Pensem no que tem representado a nossa presença, pensem em camarote com catering e despesas de deslocação, juntem um mais um e, pronto, é isso. Somos entre seis e oito e fazemos isto mais por amor ao clube, já se vê. De nada.

    Arrumemos desde já a questão técnica relacionada com o jogo de ontem: o FCP não jogou nadinha, credo. A primeira parte então, meteu dó. Se tivéssemos ido para intervalo a perder, seria bastante justo. Só que não fomos. Muito pelo contrário, estávamos a ganhar, graças a um belo e saboroso frango do redes do Sporting. Abençoado. E também devido ao poste, à barra, ao fora de jogo e à fatalidade de o adversário não ser grande espingarda, verdade seja dita e louvado o Senhor. Na segunda, lá melhorámos qualquer coisinha, o suficiente para secar por completo o poucochinho que o oponente se achava capaz de fazer; e mais do que suficiente para se perceber que íamos mesmo ganhar. Tranquilo, portanto.

    O moço que ajudou diligentemente a nossa defesa a acabar a primeira parte sem golos sofridos, arranjou maneira de aviar dois oponentes, um à cotovelada e outro ao «espécie de murro nas partes baixas» (um golpe que nos tempos de escola valeria alguns dois anos de gozo pegado), no mesmo lance. Isto tudo já com um amarelo no bucho, o que diz muito da inteligência do intérprete. A isto junta-se um Pedro Gonçalves que falhou um gancho de direita ao Wendell, o que, tendo em conta a velocidade de reação demonstrada pelo brasileiro durante o jogo, deveria preocupar muito o sportinguista, e acabou KO com um direto de esquerda do oponente. Haviam de ter ido os dois para a rua, mais aquele moço que enfiou o cocuruto na narina do senhor árbitro.

    Depois do jogo, a indignação do derrotado era grande. Porquê? Porque sim, pois então. Porque alguém perdeu e quando alguém perde em Portugal, indigna-se. Não são os sportinguistas, somos todos, mormente os seguidores dos 'três pinheiros'. O adepto não se limita a pastar a palha que os Fredericos da vez lhes atiram. Também é, ele próprio, pasto fértil para os fogos que querem usar para erguer as cortinas de fumo que os ilibem de qualquer responsabilidade na derrota.

    Ai mas agora não me dá jeito nenhum falar dos Matheus Nunes ou dos Porros – o mesmo que levou uma pantufada que lhe deve ter dado calafrios, a ele, aos ingleses, ao diretor financeiro do Campo Grande e a uma trupe de comissionistas – ou daquela malta que anda há anos a justificar os milhões pagos pelo Paulinho tornando-o não na primeira, mas na única opção. Isso não dá jeito a ninguém, nem sequer ao David Carmo.

    Depois, a bendita media tuga serve de combustível ao incêndio, em beneficio próprio. Reparem, se fossemos falar de bola, o mais pequeno parágrafo deste testamento teria bastado. Aquele que diz «…não jogámos nadinha, credo». Só que, nesse caso, os media manteriam sob contrato apenas as pessoas que percebessem qualquer coisinha de futebol. Ui, lá se ia a taxa de desemprego para o galheiro, afundava-se a economia e eram filas intermináveis nas delegações do IEFP.

    Ou seja, a mudança não virá – JAMAIS! – dos líderes ou das organizações (sendo certo que há Varandas que, sinceramente pá, nem os 'lagartos' merecem, coitados). Esses ordenham o status quo e é ele que os mantem vivos, rosados e anafadinhos. É o adepto que tem de mudar de dieta e começar a impedir que lhe rachem a cabeça, como se fosse um toro de lenha, e a usem para aumentar a labareda. Quero eu dizer que, muito provavelmente, não muda. É ver o discurso do próximo derrotado e que esse não seja o FCP.

    Até lá, esta já cá canta e nunca critiquei. Até breve.

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