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    Luís Cirilo Carvalho
    Luís Cirilo Carvalho
    A preto e branco
    Luís Cirilo Carvalho

    Impossível?

    2024/11/16
    E7
    "A Preto e Branco” é uma coluna de opinião que procurará reflectir sobre o futebol português em todas as suas vertentes, de uma forma frontal e sem tibiezas nem equívocos, traduzindo o pensamento em liberdade do seu autor sobre todas as questões que se proponha abordar.

    Sou daqueles, não sei se muitos se poucos, mas isso também não é por agora o mais importante, que acredita firmemente que no século XXI só faz sentido uma rivalidade entre dois clubes vizinhos se ela for inteligente e construtiva.

    Refiro-me especificamente ao Vitória Sport Clube e ao Sporting Clube de Braga.

    Velhos rivais, protagonistas de uma rivalidade já centenária em termos de clubes, mas milenar em termos de comunidades que considero ser a maior do país, que vivem quase permanentemente de costas voltadas embora nem sempre tenha sido assim.

    Entendo que essa rivalidade faz todo o sentido nos recintos desportivos em que equipas dos dois clubes se defrontam e nas bancadas que os rodeiam (e não estou só a falar de futebol bem entendido). Onde os adeptos as apoiam fervorosamente, mas deve circunscrever-se a esses espaços porque depois faz todo o sentido que ambos os clubes não só se entendam no que é importante para ambos, como também sejam os mais importantes protagonistas de um núcleo de clubes interessados em mudar o status quo do nosso desporto em geral e do futebol muito em particular, onde tudo parece existir em função de Sporting, Benfica e Porto, remetendo os restantes para o papel de comparsas destinados a abrilhantar, mas sem dificultarem excessivamente, os triunfos desses três.

    Porque o nosso desporto, e muito particularmente o futebol, vive numa política de filhos e enteados que é uma vergonha para a verdade desportiva, castra o desenvolvimento da competitividade dos campeonatos e mantém o país num subdesenvolvimento primário em termos de cultura desportiva.

    E por isso entendo, há muito tempo, que Vitória e Sporting de Braga deviam ser os motores de uma alternativa a que facilmente se juntariam bastantes outros clubes à medida que os respetivos adeptos se fossem consciencializando que a cumplicidade de muitos dos seus dirigentes com os interesses desses três clube é completamente inaceitável nos tempos de hoje, e reporta exclusivamente ao biclubismo de muitos deles, pelo que se não mudam de comportamentos então têm os adeptos que mudar de dirigentes.

    Concentrando-nos no futebol, basta atentar na forma como alguma decisões são votadas nas assembleias gerais da Liga para perceber até que ponto vai essa cumplicidade que devia envergonhar os que a protagonizam, mas não envergonha.

    Como, por exemplo, votarem favoravelmente um regulamento da Taça da Liga que exclui os seus clubes.

    Ou aceitarem regulamentos disciplinares que preveem multas exorbitantes por tudo e por nada, que ajudam a tornar ainda mais difícil a situação económica dos clubes porque nem todos tem as disponibilidades financeiras e as ajudas fiscais e bancárias desses três.

    E por isso acredito que os dois rivais do Minho têm o dever de estarem na origem de uma mudança substancial deste estado de coisas, pelo que o primeiro passo seria (será...) entenderem-se entre eles e definirem o que querem e podem fazer para depois atraírem para esse projeto de mudança tantos quantos mais clubes melhor.

    A questão é que isso não tem sido possível.

    Porque se é verdade que nos finais do século XX ainda houve alguns entendimentos entre Vitória e Braga, mas também com Famalicão e Gil Vicente nos tempos em que os quatro clubes eram presididos por outros dirigentes, é igualmente verdade que depois da viragem do século isso nunca mais foi possível no que respeita aos velhos rivais.

    E há que dizer, sem subterfúgios, que a responsabilidade disso é exclusivamente do atual presidente do Sporting de Braga.

    Que, por legítima estratégia, não ponho isso em causa, aposta as fichas todas em ser o quarto «grande» (algo que nunca será, diga-se de passagem) ao invés de contribuir para acabar de uma vez por todas com essa lógica dos «grandes»  e respetivas consequências que tanto mal têm feito aos restantes clubes incluindo o dele.

    E a prova maior dessa estratégia sem futuro foi quando, anos atrás, o então primeiro ministro António Costa recebeu para um almoço em São Bento os presidentes da FPF e da LPFP, para tratarem de assuntos respeitantes ao futebol profissional, que insolitamente se fizeram acompanhar dos presidentes desses três clubes e se assistiu a dois tipos de reações.

    Os então presidentes do Vitória e do Marítimo (mas também foram os únicos, o que comprova as tais cumplicidades biclubistas de outros) insurgiram-se contra a presença dos três presidentes de clubes, considerando que não deviam lá estar, enquanto o atual presidente do Braga se insurgiu por não ter sido convidado!

    E não foi porque a lógica vigente nem lhe reconhece esse estatuto de quarto «grande» nem nunca o reconhecerá a outros clubes que o podiam reivindicar, como Belenenses e Boavista (que também foram campeões) ou Vitória, que é o quarto clube com mais participações na primeira liga.

    Mas as coisa são o que são.

    E por isso tendo o presidente do Braga conhecido seis presidentes do Vitória, não só não conseguiu um entendimento duradouro com nenhum deles como ainda se registaram ao longo dos anos vários comportamentos e atitudes da sua parte que levaram à indignação de vários homólogos vitorianos, ao ponto de até as relações entre os dois clubes terem sido cortadas em 2011.

    E por isso me interrogo se será algum dia possível que os dois clubes se entendam de forma inteligente e construtiva em torno de um projeto de mudança deste status quo.

    Não conheço a posição do atual presidente do Vitória sobre essa hipótese, mas admito que seja favorável, mas sei (com uma exceção) que todos os seus antecessores desde pelo menos 1980 estavam disponíveis para isso, desde que fosse um entendimento sólido, entre dirigentes com palavra e sem hesitações nem recuos táticos ao sabor de interesses momentâneos de um ou outro clube.

    Como sei que da parte do atual presidente do Sporting de Braga nunca houve interesse nisso ou se houve nunca se deu por isso.

    E portanto para que um dia isso seja possível ou o atual presidente do Braga muda de estratégia, de forma credível e consistente, ou muito mais provável será que esse entendimento só seja possível um dia que o Braga tenha já outro presidente.

    Com a profunda convicção de que cada dia que passa é um dia perdido para os dois clubes e para todos os outros que querem de facto mudar o muito que está mal no nosso futebol, em particular, e no desporto, em geral, acabando com a política de filhos e enteados e contribuindo para competições com muito mais verdade desportiva e maior equilíbrio entre os participantes.

    Comentários

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    Motivo:
    ER
    Erkson-10 17-11-2024 20:41
    zyxw_4321
    Independentemente disso, o que conta é o que se conquistou. O Boavista é o quarto grande, mesmo que esteja na situação atual.
    Quanto ao texto, é só ridículo, mas nada a que Cirilo não nos tenha habituado.
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    ER
    Erkson-10 17-11-2024 00:36
    zyxw_4321
    Depende quais as contas que fazes e para mim valem os títulos. Nessa categoria o Boavista é o quarto grande.
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    ER
    Erkson-10 17-11-2024 00:35
    Cirilo
    Será que está assim tão mal de finanças que precise de escrever estes textos para que alguém do seu Vitória lhe arranje um tacho no clube outra vez?
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    SP
    spiritobragvista 16-11-2024 19:20
    Cirilo
    "E não foi porque a lógica vigente nem lhe reconhece esse estatuto de quarto «grande» nem nunca o reconhecerá a outros clubes que o podiam reivindicar, como Belenenses e Boavista (que também foram campeões) ou Vitória"

    Fala em 4° Grande e diz que o Braga não é nem nunca será mas depois tem o descaramento de colocar o Vitória no mesmo patamar que o Belenenses e Boavista nessa disputa 😂
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