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    Diogo Leite Ribeiro
    Diogo Leite Ribeiro
    Do Castelo à Conquista
    Diogo Leite Ribeiro

    A Taça é nossa!

    2026/01/14
    “Do Castelo à Conquista” liga a essência histórica do Vitória ao espírito combativo da cidade que o viu nascer – Guimarães. Esta coluna olha para o Vitória como expressão da cidade/região que nasceu para vencer. Com análise, emoção e ambição, exploram-se os desafios que se levantam ao Rei no seu permanente caminho para novas CONQUISTAS.

    Se, no início da época 2025/26, alguém tivesse apostado no Vitória SC como finalista da Taça da Liga, a resposta seria previsível: “Mais vale dares-me esse dinheiro!” Mas nós, vitorianos de fé inabalável, lá chegámos. Provámos que, quando se veste de preto e branco, a esperança não morre — luta, cresce e vence.

    Quando na época passada, a Direção e a Assembleia da Liga decidiram reformular a Taça da Liga, o pretexto foi o habitual: em Portugal há “excesso de competição” e era necessário reduzir o número de jogos. O resultado foi simples e brutal: a eliminação administrativa de 25 clubes — 12 da Liga Portugal e 13 da II Liga — reduzindo a prova a quartos-de-final, meias-finais e final.

    Mas esta não foi apenas uma reestruturação competitiva. Foi uma opção política e administrativa. Um modelo feito à medida dos maiores, garantindo aos quatro primeiros classificados da Liga Portugal o direito automático de jogar em casa todos os quartos-de-final. Um verdadeiro Golden Visa competitivo para os “donos disto tudo”.

    Esta discriminação não só foi injusta, como calculada: reduzir o risco de surpresas, eliminar o incómodo das deslocações e concentrar receitas em quem já vive em vantagem. A história das classificações da Liga Portugal confirma-o: pelo que se a Taça da Liga tivesse este modelo de negócio desde a sua criação, em 2007/08, apenas por uma vez um deles (Sporting CP, SL Benfica e FC Porto) ficou fora do top-4. Apenas em 1 dos 76 jogos, estes clubes não jogariam os quartos-de-final no seu próprio estádio!

    Criar uma competição nacional para engrandecer uns poucos foi e é um erro que, idealmente, deveria ter sido rejeitada na Assembleia Geral da Liga. Não foi. A proposta passou, com pelo menos 14 clubes a favor (28 votos a favor, 18 contra e 4 abstenções) num processo marcado pela falta de transparência: as atas e as posições individuais dos clubes nunca foram tornadas públicas.

    Se o modelo atual — que exclui clubes classificados abaixo do 6.º lugar — tivesse sido aplicado desde o início, a história da prova seria outra.

    O Vitória FC, primeiro vencedor da Taça da Liga, nem sequer teria participado em 2007/08, pois vinha de um 14.º lugar em 2006/07.

    O Moreirense FC, campeão em 2016/17, teria visto apagado o maior troféu da sua história, pois vinha de um 12.º lugar em 2015/16.

    E o absurdo não fica por aqui. Como finalistas vencidos, teriam igualmente sido excluídos:

    - o Vitória FC (2017/18), pois competiu na época anterior na II Liga;
    - o FC Paços de Ferreira (2010/11), após um 10.º lugar na época anterior;
    - o Gil Vicente FC (2011/12), pois na época anterior não competiu na  Liga Portugal;
    - o SC Marítimo, finalista em 2014/15 e 2015/16, após um 9.º lugar e 15º lugar nas épocas anteriores, respetivamente; 
     - e o GD Estoril Praia, arredado da discussão do título de “campeão de inverno” em 2023/24, após um 14.º lugar na época anterior.

    Tudo isto aponta para o mesmo desígnio: limitar o sucesso desportivo dos clubes fora do eixo dominante, travando a sua emancipação e autonomia financeira.

    Ou os clubes andam distraídos nas decisões que tomam na Direção e na Assembleia da Liga, ou então não estão a defender os seus próprios interesses. Com este modelo, disputar a Taça da Liga torna-se quase impossível: primeiro, porque é preciso ficar nos seis primeiros; depois, porque se joga quase sempre fora.

    Pelo que foi sem surpresa que o sorteio condicionado ditou uma deslocação ao Dragão — como se fosse desejável que o Vitória SC não chegasse à fase final. Quem desenhou e defendeu este modelo pretendia que Sporting CP, SL Benfica, FC Porto e, por arrasto, SC Braga estivessem reunidos em Leiria. Mas falhou.

    E perdeu, ficando o futebol a ganhar!

    Falhou porque o Vitória SC, com a força da bancada e o espírito de D. Afonso Henriques, entrou nesta Final Four e mostrou que não há favoritismo que resista à determinação e à paixão genuína. Vibração, emoção, incerteza, elevação (excetuando, o habitual comentário fora do tempo de jogo e do contexto) e o dobro dos adeptos vitorianos na bancada do Magalhães Pessoa.

    E se já era notícia que o Vitória SC se havia intrometido nesta reunião a 4, ainda assim era esperado que a SIC repetisse a transmissão em canal aberto da última final. Contudo, falhou — assim como falhou e perdeu o serviço público da RTP, que não transmitiu o jogo da época: o dérbi do ano!

    E que jogo do VITÓRIA SC e do SC BRAGA!

    O resto é a magia do futebol: o pontapé, a cabeçada, o grito do golo, a luva que trava a trajetória indesejada, o apito final, o levantar do troféu… Que energia, sentado na bancada, olhando fixo para o relvado, com o Castelo de Leiria a servir de cenário. O nosso exército de jogadores, guiados pelo espírito de D. Afonso Henriques, conquistou a Allianz Cup. Uma vitória que é mais do que um troféu — é um símbolo de união, de que o todo é maior do que a soma das partes, e de que, guiados por paixão e estratégia, podemos abalar qualquer sistema.

    Que esta conquista inspire todos nós. Que nos faça sentir o prazer imenso de lutar e vencer, por títulos, por competições, de forma justa e democrática. E seja o piparote inicial da autonomia financeira.

    Se a ideia era afastar o Vitória SC da final, segregando os seus adeptos, podem estar descansados: não conseguiram.

     Vamos CONTIGO,
     A todo o lado,
     Grande VITÓRIA,
     Estou apaixonado,
     Sempre que jogas,
     Vimos-te ver,
     Somos VITÓRIA,  

    Até morrer.

    Nós, vamos recordar.
    Eles, não vão esquecer.

    Comentários

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    Motivo:
    VI
    Vilanova1 20-01-2026 22:00
    Enfim
    Qualquer um faz agora comentários no ZeroZero?
    Posso fazer também?
    Que comentário básico.
    Se é para levantar a autoestima e fazer choradinho tudo bem. Se é isto que o Zerozero procura, está ótimo!
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    ER
    Erkson-10 29-01-2026 21:16
    Vilanova1
    Seguramente que este é melhor que o Cirilo.
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    ZY
    zyxw__4321 14-01-2026 14:49
    Formato
    Por muito que se critique o formato, a verdade é que vemos equipas fora dos três grandes a ganhar esta prova com mais frequência do que a "democrática" Taça de Portugal.

    Eu defendo que todos os clubes das 2 primeiras ligas possam jogar a prova. Mas que não caiam na tentação de fazer da prova uma Taça de Portugal 2, só com jogos a eliminar.

    Dar um lugar europeu à prova também não se justifica, especialmente quando temos cinco vagas, e uma vai para...
    Ler Mais
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    redlegion 14-01-2026 16:05
    zyxw__4321
    Não sei se o caminho devia ser esse e ter seguido o caminho francês aquando das alterações das provas europeias não tinha sido má ideia (e contra mim falo, que já fui defensor da competição). Da mesma forma que jogar nas pausas das seleções pode não ser benéfico para alguns clubes que se vêm privados de jogadores importantes.
    Ainda assim prefiro o modelo de prova a eliminar e a manutenção da final-four, que considero uma boa ideia. Só espero que a ideia peregrina de jogá-la fora de Portugal não vá para a frente.
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    redlegion 14-01-2026 15:33
    Editado a 2026-01-14 15:33
    zyxw__4321
    Mas se não for com jogos a eliminar como se vai resolver? Um formato de liga como se faz nas competições europeias?
    Temos de nos lembrar que os calendários de quem vai à Europa já estão cada vez mais preenchidos.
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    ZY
    zyxw__4321 14-01-2026 15:54
    Redlegion
    Não acho que as duas coisas sejam incompatíveis. Eu defendo há algum tempo a flexibilidade de as equipas nas competições europeias jogarem com equipas secundárias se o calendário estiver congestionado, ou que se façam jogos durante a pausa de seleções, para evitar sobrecarga dos selecionados. Acho que isso resolveria a questão do calendário, permitindo à prova manter alguma identidade própria em relação às outras, em vez de ser "apenas" a outra taça em Portugal.
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    TI
    ti_maria_69 14-01-2026 12:54
    VSC - Taça da Liga
    Antes de mais parabéns ao Vitória SC pela conquista contra todas as probabilidades!

    Formato :
    - Qualquer formato que suceda ao atual dificilmente será pior;
    - Deveriam voltar a participar todos os clubes das competições profissionais;
    - Enquanto ao vencedor não for atribuído um lugar numa prova europeia (Conference League) ou pelo menos na disputa da Supertaça numa final a 4, esta prova não terá o devido destaque.
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    redlegion 14-01-2026 15:31
    ti_maria_69
    Dar um lugar europeu seria muito arriscado para o ranking e os franceses perceberam isso com a sua quando os Guingamps e Lorients iam à Europa ser arrumados facilmente.
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    Taument_da_Silva 14-01-2026 12:17
    Taça da Liga
    Contrariamente a muitos, não considero este troféu irrelevante (tal como a Conference League não é irrelevante só por ser a 3ª competição europeia mais importante) e quero que o meu clube o ganhe sempre. Mas o formato e ausência de benefícios subsequentes são danosos para o seu prestígio, a meu ver.

    Que façam um formato mais próximo, mas menor, do novo da Champions (agora que há algoritmos capazes de trabalhar isso), ou seja, incluam mais equipas mas preserv...
    Ler Mais
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    al_capone_lusitano 14-01-2026 11:11
    Modelo
    A competição de todos contra todos é a Taça de Portugal. Como em outros países existe na Taça de Inglaterra, Taça de Espanha, Taça de França, etc. . . Não gosto da Taça da Liga, que foi criada nos pressupostos errados e alguns desses pressupostos já nem existem, mas a embirração com o formato é mesmo aquela ideia dos Portugueses de verem o futebol pelo olhar do facilitismo, ou seja, de como é mais fácil chegar e jogar uma competição. Todas as competições têm como b...
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