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Se, no início da época 2025/26, alguém tivesse apostado no Vitória SC como finalista da Taça da Liga, a resposta seria previsível: “Mais vale dares-me esse dinheiro!” Mas nós, vitorianos de fé inabalável, lá chegámos. Provámos que, quando se veste de preto e branco, a esperança não morre — luta, cresce e vence.
Quando na época passada, a Direção e a Assembleia da Liga decidiram reformular a Taça da Liga, o pretexto foi o habitual: em Portugal há “excesso de competição” e era necessário reduzir o número de jogos. O resultado foi simples e brutal: a eliminação administrativa de 25 clubes — 12 da Liga Portugal e 13 da II Liga — reduzindo a prova a quartos-de-final, meias-finais e final.
Mas esta não foi apenas uma reestruturação competitiva. Foi uma opção política e administrativa. Um modelo feito à medida dos maiores, garantindo aos quatro primeiros classificados da Liga Portugal o direito automático de jogar em casa todos os quartos-de-final. Um verdadeiro Golden Visa competitivo para os “donos disto tudo”.
Esta discriminação não só foi injusta, como calculada: reduzir o risco de surpresas, eliminar o incómodo das deslocações e concentrar receitas em quem já vive em vantagem. A história das classificações da Liga Portugal confirma-o: pelo que se a Taça da Liga tivesse este modelo de negócio desde a sua criação, em 2007/08, apenas por uma vez um deles (Sporting CP, SL Benfica e FC Porto) ficou fora do top-4. Apenas em 1 dos 76 jogos, estes clubes não jogariam os quartos-de-final no seu próprio estádio!
Criar uma competição nacional para engrandecer uns poucos foi e é um erro que, idealmente, deveria ter sido rejeitada na Assembleia Geral da Liga. Não foi. A proposta passou, com pelo menos 14 clubes a favor (28 votos a favor, 18 contra e 4 abstenções) num processo marcado pela falta de transparência: as atas e as posições individuais dos clubes nunca foram tornadas públicas.
Se o modelo atual — que exclui clubes classificados abaixo do 6.º lugar — tivesse sido aplicado desde o início, a história da prova seria outra.
O Vitória FC, primeiro vencedor da Taça da Liga, nem sequer teria participado em 2007/08, pois vinha de um 14.º lugar em 2006/07.
O Moreirense FC, campeão em 2016/17, teria visto apagado o maior troféu da sua história, pois vinha de um 12.º lugar em 2015/16.
E o absurdo não fica por aqui. Como finalistas vencidos, teriam igualmente sido excluídos:
- o Vitória FC (2017/18), pois competiu na época anterior na II Liga;
- o FC Paços de Ferreira (2010/11), após um 10.º lugar na época anterior;
- o Gil Vicente FC (2011/12), pois na época anterior não competiu na Liga Portugal;
- o SC Marítimo, finalista em 2014/15 e 2015/16, após um 9.º lugar e 15º lugar nas épocas anteriores, respetivamente;
- e o GD Estoril Praia, arredado da discussão do título de “campeão de inverno” em 2023/24, após um 14.º lugar na época anterior.
Tudo isto aponta para o mesmo desígnio: limitar o sucesso desportivo dos clubes fora do eixo dominante, travando a sua emancipação e autonomia financeira.
Ou os clubes andam distraídos nas decisões que tomam na Direção e na Assembleia da Liga, ou então não estão a defender os seus próprios interesses. Com este modelo, disputar a Taça da Liga torna-se quase impossível: primeiro, porque é preciso ficar nos seis primeiros; depois, porque se joga quase sempre fora.
Pelo que foi sem surpresa que o sorteio condicionado ditou uma deslocação ao Dragão — como se fosse desejável que o Vitória SC não chegasse à fase final. Quem desenhou e defendeu este modelo pretendia que Sporting CP, SL Benfica, FC Porto e, por arrasto, SC Braga estivessem reunidos em Leiria. Mas falhou.
E perdeu, ficando o futebol a ganhar!
Falhou porque o Vitória SC, com a força da bancada e o espírito de D. Afonso Henriques, entrou nesta Final Four e mostrou que não há favoritismo que resista à determinação e à paixão genuína. Vibração, emoção, incerteza, elevação (excetuando, o habitual comentário fora do tempo de jogo e do contexto) e o dobro dos adeptos vitorianos na bancada do Magalhães Pessoa.
E se já era notícia que o Vitória SC se havia intrometido nesta reunião a 4, ainda assim era esperado que a SIC repetisse a transmissão em canal aberto da última final. Contudo, falhou — assim como falhou e perdeu o serviço público da RTP, que não transmitiu o jogo da época: o dérbi do ano!
E que jogo do VITÓRIA SC e do SC BRAGA!
O resto é a magia do futebol: o pontapé, a cabeçada, o grito do golo, a luva que trava a trajetória indesejada, o apito final, o levantar do troféu… Que energia, sentado na bancada, olhando fixo para o relvado, com o Castelo de Leiria a servir de cenário. O nosso exército de jogadores, guiados pelo espírito de D. Afonso Henriques, conquistou a Allianz Cup. Uma vitória que é mais do que um troféu — é um símbolo de união, de que o todo é maior do que a soma das partes, e de que, guiados por paixão e estratégia, podemos abalar qualquer sistema.
Que esta conquista inspire todos nós. Que nos faça sentir o prazer imenso de lutar e vencer, por títulos, por competições, de forma justa e democrática. E seja o piparote inicial da autonomia financeira.
Se a ideia era afastar o Vitória SC da final, segregando os seus adeptos, podem estar descansados: não conseguiram.
Vamos CONTIGO,
A todo o lado,
Grande VITÓRIA,
Estou apaixonado,
Sempre que jogas,
Vimos-te ver,
Somos VITÓRIA,
Até morrer.
Nós, vamos recordar.
Eles, não vão esquecer.