09/06 - 03:00
09/06 - 15:30
09/06 - 16:00
09/06 - 18:00
10/06 - 02:00
10/06 - 20:45
10/06 - 21:00
10/06 - 02:00
10/06 - 20:45
10/06 - 21:00
09/06 - 03:00
10/06 - 02:00
10/06 - 20:45
10/06 - 21:00
09/06 - 18:00
Os tempos que correm são de revolta populacional em diversos países, em função da deterioração das condições de vida das pessoas, várias vezes para proveito de grandes grupos económicos. Vem isto a propósito da capacidade de um povo se organizar e reagir às adversidades que alguns caminhos e sistemas lhes colocam. O mesmo se passa numa coletividade de dimensão inferior a outras que, face à sua organização, é capaz de se bater com essas de recursos superiores.
O futebol português vive, desde há muitas décadas, envolto num sistema que praticamente não deixa respirar clubes para além dos três que a tradição coloca, regra geral, no pódio da classificação. O sistema de que falo consegue retirar aos pequenos em proveito dos que se autodenominam grandes, mas a maior diferença coloca-se fora dos relvados, em que os árbitros aparecem nos jogos condicionados e, por muito que tentem, não conseguem ser isentos nos seus trabalhos.
O contexto do futebol luso não permite o que acontece noutros países, onde de quando em vez surgem campeões inesperados, fruto de um jogo mais verdadeiro dentro dos relvados. Não admira que tenham surgido o Leicester em Inglaterra ou o Lille em França nos anos mais recentes a vencerem os respetivos campeonatos, mesmo que nessas ligas existam clubes que gastam fortunas em comparação eles. Haveria outros exemplos, noutros países, mas estes dois que referi deveriam fazer refletir o mundo do futebol em Portugal, onde incluo a comunicação social sempre pronta à serventia em prol dos mesmos clubes de sempre. É preciso discordar do status quo existente e tentar vencer os que se sentem mais apetrechados e, também, mais protegidos.
O caminho do SC Braga nos últimos vinte anos, que coincidem com a vigência de António Salvador na liderança, tem sido trilhado paulatinamente, com o clube a dar passos seguros rumo a uma aproximação aos tradicionais candidatos ao pódio, conseguindo até incomodar bastante aqueles que se julgavam imperturbáveis. Não espanta que neste período os bracarenses já tenham vencido uma Taça Intertoto, a nível europeu, uma conquista que foi a mola impulsionadora do desejo indomável de novas conquistas, como as duas Taças da Liga já conseguidas ou as duas Taças de Portugal, curiosamente entregues por um Presidente da República assumidamente braguista.
Recordo, ainda, mais dois momentos muito importantes na linda história do jovem centenário SC Braga, sendo um refletido na presença final da Liga Europa em Dublin, em 2011 frente ao FC Porto, e outro na conquista do segundo lugar da liga portuguesa, em 2009/2010, quando disputou com o Benfica o título até ao fim, tendo perdido mais pelo que se jogou fora do que dentro dos relvados, naquele que ficou conhecido como o campeonato dos túneis, em que o denominador comum era o Benfica. Continuo convicto de que esse título foi injustamente retirado àquela equipa que Domingos Paciência tão bem comandou no período em que esteve em Braga, onde teve a sua melhor fase como treinador.
Esta temporada os brácaros teimam em lutar por um lugar no pódio, ainda que as condições sejam bastante adversas, uma vez que se continua a jogar muito fora dos relvados e da habilidades dos jogadores. Mas, em Braga, ninguém quer abdicar de alguns objetivos definidos, com o grupo de Artur Jorge a dizer que a luta continua até final da temporada. Obviamente que existe uma consciência generalizada de que a margem de erro é curta e o caminho muito difícil, pelo que cada jogo deve ser encarado como se não houvesse amanhã, se a equipa quiser ficar nas páginas com maior brilho do livro bracarense.
Hoje há jogo em Vizela, onde as dificuldades esperadas são bastantes e requerem muita entrega e competência dos Gverreiros do Minho, num encontro que pode ser muito importante no que resta da época desportiva. Haja vontade de triunfar e lutar por um caminho que possa conduzir ao sucesso.