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1. A Culpa é do Jobs
Em 2007, a Apple lançou o seu Iphone, o primeiro smartphone da era moderna. Não era ele e a AG do FCP de segunda-feira, dia 13 de novembro do ano da graça de 2023, teria corrido até benzinho. Ninguém foi para o hospital, a polícia não apareceu para provocar os pacatos adeptos e apenas o sócio Henrique, amigo do Presidente do clube, parece que se enervou lá por causa de umas coisas.
Aliás, sem esta invenção demoníaca, o FCP estaria já apurado para os oitavos de final da Champions, uma vez que o maior obstáculo à prossecução desse desiderato é um conjunto de 30 marmanjos profissionais da bola serem afetados pelas redes sociais. Felizmente, o Presidente tem isso controlado e está atentíssimo, transformando esta ameaça numa das suas grandes prioridades. Lá está, era tirar-lhes os telemóveis ou o Jobs não ter nascido.
Ou seja, conforme referido AQUI, a única coisa estranha da famigerada AG foi terem aparecido sócios e levarem com eles telefones. Portanto, o que Jorge Nuno Pinto da Costa nos diz é claro: olhem todos para os traidores, os que alimentam o inimigo, os que levaram nas trombas e parece que não ficaram satisfeitos por isso. Enfim, nada de surpreendente se tivermos em conta a época em que ele e, por arrasto o clube, vive. Escutem, para começar, não há cá Iphones em 1989! Nem redes sociais, não é, Presidente?
2. O Candidato
Pela positiva, Pinto da Costa anunciou a sua recandidatura. Ao menos, qualquer coisa ficou clara no meio da confusão geral do que não sabe, não viu e não lhe diz respeito. No seu estilo habitual, recusou-se a dizer que será candidato, dizendo-o para lá de qualquer dúvida razoável. Exceto aquela que ele próprio lançou, eventualmente por lapso. Isto é, traçou 3 objetivos a cumprir até dezembro: passagem aos oitavos da Champions; lucro no exercício da SAD; e capitais próprios positivos. O último, a atingir sem passar o que resta do Dragão para a SAD. Porque sim, Presidente, o seu ar de surpresa perante esta possibilidade fica-lhe mal, a menos que se tenha esquecido que metade do estádio, salvo erro, já lá mora. Aprovado em AG, pelos sócios, sem altercações, pelo que foi uma decisão de todos e nenhum de nós se pode queixar muito.
Ora vamos lá aos objetivos do candidato Pinto da Costa. O FCP apurar-se para os oitavos da Champions depende, essencialmente, de uma vitória em 2 jogos, sendo um deles no Dragão, contra o Shakhtar. Eu já vi o Artmedia e o Krasnodar fazerem pouco dos adeptos do FCP, mas convenhamos que são exceções e o objetivo não parece lá muito difícil de atingir; o lucro no exercício da SAD foi garantido com a venda de Otávio, em agosto, pelo que não é sequer um objetivo. Está feito, a menos que arranjem maneira de ter de pagar algum prémio à Administração por resultados atingidos, eu sei lá, em 2011 ou assim; por fim, os capitais próprios. Ou existiu um lapso do candidato, ou este sim, será um feito. A ver como o atingiremos, mas de certeza que não é a vender o naming do Dragão a 5 milhões, qual Chico Conceição.
Não, não me esqueci da Academia. Só que faço o favor, por respeito ao maior Presidente da história do futebol mundial, de não o considerar, uma vez que é uma meta falhada há alguns 15 anos e uma área em que todos os rivais nos ultrapassaram. Incluindo o Braga. Portanto, ver máquinas no terreno em dezembro não é, na minha opinião, motivo de grande regozijo.
Para apresentar em grande a sua recandidatura, o sócio 587 e Presidente do FCP, lançou os seus dois ases de trunfo: Villas Boas pirou-se e não ganhou a Champions; Sérgio Conceição só fica com Jorge Nuno e não renova até ter a certeza de que é ele o próximo líder.
Eu não sei se AVB poderia ganhar a Champions sem ponta de lança, mas sei que poderia concorrer por ela. Por outro lado, tenho a certeza de que SC só continuará com PdC. Mais ninguém lhe dará a latitude de que desfruta hoje e ele não abdicará dela, da mesma forma que PdC depende quase totalmente do sucesso do treinador para se ir mantendo. Até ao final dos dias de presidência de Jorge Nuno, seja isso quando for, serão siameses.
Apesar disso, e lá metido no meio do arrazoado, detetou-se uma pequenina fissura que já não é sequer nova: Pinto da Costa considera, e bem, que a SAD que se farta de vender, também se farta de investir. Exatamente em sentido oposto ao discurso, um tanto estafado, do treinador que passa os dias a lembrar as dificuldades financeiras e a pobreza das opções que foi tendo ao longo dos anos.
3. O Sermão aos Peixes
Pinto da Costa parte com a grande vantagem de já lá estar e dominar o “aparelho”, mas, acima de tudo, parte com a vantagem da sua inestimável experiência e inteligência. Sabe perfeitamente que qualquer candidato que se lhe oponha terá muito a provar, tudo a demonstrar e terá de fundamentar ao detalhe qualquer promessa ou ideia que lance. Pelo contrário, ao atual titular do cargo basta adiar conversas sérias por um mês e entregar à massa aquilo de que ela mais precisa: um estribilho, um mote que possa usar em resposta aos adversários – peço desculpa, aos inimigos – e aos contestatários. Porque a massa não procura, no seu caso, esclarecimento, apenas confirmação. Necessita de algo que valide o que, mesmo sem saber porquê, defendeu tão arreigadamente. E isso Pinto da Costa deu-lhes, a dobrar.
Primeiro, o estribilho: os verdadeiros portistas medem o sucesso pelas taças no museu, não pelo saldo no banco. Demos de barato que o exemplo que utilizou é infeliz, uma vez que o tal adversário/inimigo que vendeu jogadores e tem zero pontos na Europa – e tem! – já nos ganhou duas vezes esta época, uma delas a valer um título, e lidera o campeonato. Mas quem liga a detalhes? Aliás, o que interessa mesmo, mesmo, mesmo, é a Champions. Verdade presidente, já nos íamos dando conta. E isto funciona? Funciona, sim senhor.
Depois, o mote: os nossos inimigos estão lá fora, na capital, nos media, nas redes sociais, vistam as cores que vestirem, até as nossas. Cá dentro, só irmãos, a começar por aqueles que são os únicos que acompanham a equipa em jogos fora. Não vamos agora relevar o pormenor de ficarem com 90% dos bilhetes disponíveis para essas deslocações, ok? E pronto, está afastado o fantasma da podridão interna, expulso de casa o demónio da decadência, feito o apelo às armas que será, seguramente, repetido por todos, a começar pelo treinador: só juntos (e cegos e mudos e surdos) venceremos as forças exteriores que nos querem derrubar. E até querem e até existem, estão é fartas de se rir com este estado de coisas.
Em resumo, para não vos maçar mais, o facto mais relevante da entrevista do Presidente do FCP ao canal de televisão SIC é mesmo este. É candidato e é, desde já, o grande favorito. Desde logo porque dos outros sabemos nada e isso não é uma mera formalidade.
Next, please.
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