O Sporting Clube de Portugal nasceu sob o signo do leão, mas nos últimos anos vive longe da garra e domínio do rei da selva. A bandeira verde tem vindo a perder cor e nunca como antes... o verde foi a cor da esperança para os lados de Alvalade.
Mas afinal o que se passa com este Sporting? Godinho Lopes, atual presidente, admite que se vivem «dias delicados» numa 'clínica' onde há «muitos médicos» mas onde demora a aparecer a cura para salvar o leão. O zerozero.pt leva-o numa viagem a recordar o que tem sido o Sporting desde a conquista do último troféu.
De Paulo Bento a Vercauteren
O último título do Sporting foi em 2008, com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira. Paulo Bento, agora selecionador era o técnico. De lá para cá, o treinador que era «forever» saiu e o Sporting entrou numa espiral de resultados menos bons. Claro que se pode falar na bela campanha na Liga Europa do último ano; Sporting chegou as meias-finais. Porém, já ninguém esconde que os leões querem mais, muito mais. A história, a honra e a glória deste clube pedem mais (muito mais).
Paulo Bento, o último treinador que ganhou um troféu em Alvalade, era o rosto do 'projeto' de José Eduardo Bettencourt. O treinador, que chegou dos juniores, acabou pode deixar o clube ao fim de 195 jogos, tendo vencido 118 dessas partidas, empatado 46 e perdido apenas 31 vezes. Há, por assim dizer, um Sporting antes de Bento e depois de Bento.
A solução de recurso, no jogo seguinte, chamou-se Leonel Pontes. O homem que se encarregou de cuidar de Cristiano Ronaldo quando este chegou ao Sporting... foi chamado para orientar a equipa a 8 de novembro de 2009. Diante do Rio Ave... o Sporting empatou a dois golos.

Em 2010/2011, Paulo Sérgio chegou a Alvalade, depois de ter sido treinador do Paços de Ferreira e do Vitória de Guimarães. O técnico que tanto pediu um «pinheiro» para o ataque esteve à frente dos leões em 38 jogos: 20 vitórias, 8 empates e 10 derrotas.
O empate a duas bolas com o Rangers foi a 'gota de água' que ditou a saída de Paulo Sérgio de Alvalade.
Para o seu lugar foi chamado de urgência Alberto Cabral (adjunto de Paulo Sérgio) assumiu a equipa num jogo apenas e... perdeu com o Nacional, na Choupana.
Bettencourt também não resistiu ao momento leonino
Mas não eram apenas os treinadores que iam entrando e saindo do Sporting. Os presidentes também. José Eduardo Bettencourt demitiu-se da presidência do Sporting, após a derrota da equipa, em casa, frente ao Paços de Ferreira (2x3).
É «o melhor para a vida do Sporting», alegou na altura.
O clube do leão entrou, desde logo, num momento de reflexão e foi a votação. Os sócios leoninos foram chamados a escolher novos corpos sociais. Foram a 'jogo' muitas listas mas Godinho Lopes levou a melhor.

O Sporting começou bem, ia ganhando jogos e garantiu até a qualificação para a final da Taça de Portugal, no Jamor. Porém, Domingos Paciência (que tinha levado o SC Braga a uma final da Liga Europa na época anterior) caiu ao fim de 36 jogos no reino leonino.
Domingos: um voto de confiança num dia, o despedimento no outro
O antigo avançado do FC Porto, que tinha deixado trabalho feito por onde foi passando, recebeu um voto de confiança de Godinho Lopes, a 11 de fevereiro de 2011, após perder com o Marítimo. No dia seguinte, no entanto, Domingos Paciência recebeu 'guia de marcha' de Alvalade.
Após Domingos, Godinho Lopes viu em Sá Pinto o rosto da mística leonina. Sá Pinto, coração de leão, era visto - por Godinho Lopes - como o homem que podia colocar o rei da selva a mandar (outra vez) no seu território. Sá Pinto continuou a caminhada de sucesso de Domingos na Liga Europa. A equipa foi às meias-finais, tendo apenas sido eliminada pelo Athletic Bilbao.
Mas (há sempre um mas) a final do Jamor, perdida para a Académica, marcou um momento de viragem nos resultados do leão. Daí em diante nada foi como dantes e o 'coração de leão... começou a bater menos'.
Claro que Sá Pinto bem proclamava o «esforço, dedicação, devoção e glória», mas o futebol é mais (muito mais) que simples amor e competência por um clube; o mundo da bola vive de resultados.
Sá Pinto, visto por muitos como o 'verdadeiro leão', seguiu o caminho de tantos outros. Ao fim de 30 jogos, 15 vitórias, sete empates e oito derrotas... fez as malas e deixou Alvalade.

Começa hoje a «era Jesualdo»
Godinho Lopes viu-se obrigado a mudar a estrutura. Não chegava apenas mudar de treinador. Sairam Luís Duque e Carlos Freitas. O Sporting continuava a viver dias de mudança.
Mas era preciso encontrar novo treinador. Foi na Bélgica, que Godinho encontrou Franky Vercauteren. O novo treinador, que já leva nove jogos, apenas soma duas vitórias; Videoton para a Liga Europa (numa partida em que o Sporting já não tinha oportunidade de seguir em frente) e SC Braga para o campeonato.
As tais mudanças que tem sido feitas continuam. Agora, a partir de hoje, assume funções Jesualdo Ferreira. O «treinador dos treinadores», como Godinho Lopes o denominou, começa a trabalhar na casa verde e branca e tenta devolver a esperança a um clube que faz do verde a cor da sua vida.
É que o futuro está ao virar da esquina. Resta saber o que se vai seguir, nesse tal futuro, no emblema que tem o Portugal cravado no nome.






