O rescaldo do Rep. Irlanda x Portugal
Que descalabro. Se com a Hungria doeu, o que dizer de hoje. Portugal volta a ver adiado o carimbo no bilhete para o Campeonato do Mundo de 2026. A turma orientada por Roberto Martínez deixou-se ludibriar pelas manhas irlandesas e acabou por perder por 2-0.
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O conjunto português sabia o que ia encontrar pela frente: onze homens montados no 5-4-1 mais robusto e imutável alguma vez visto num tapete verde. Um 5-4-1 capaz de fazer Diego Simeone - exemplo meramente ilustrativo - parecer um amante de futebol rendilhado e apoiado.
Resguardada nos seus primeiros 30 metros, como se de uma muralha se tratasse, a República da Irlanda restringiu-se às suas duas grandes armas: bolas paradas - golo de Parrot (18') - e transições ofensivas - adivinhem... bis de Parrot (45+1'). O problema? Portugal estava avisado e não o conseguiu evitar. Pior que aquele que não vê, é aquele que não quer ver...
O conjunto orientado por Roberto Martínez foi facilmente anulado pelo 5-4-1 dos homens da casa e foi apanhado demasiadas vezes descompensado nas transições defensivas.
Com bola, e apesar de a terem tido bastante, os jogadores portugueses não conseguiram desmontar o bloco adversário. Os remates de fora da grande área foram uma constante, mas facilmente controlados por Kelleher. Adivinhava-se missão bastante difícil para a turma das quinas na segunda metade.

Troy Parrot foi o autor dos dois golos @Getty /
Se a primeira parte já parecia tortuosa, a segunda trouxe o verdadeiro abismo. E tudo começou aos 61 minutos, no momento que ninguém tinha imaginado: Cristiano Ronaldo expulso, depois de uma agressão tão desnecessária quanto inédita - a primeira da carreira ao serviço da Seleção Nacional. Portugal, que já tinha dificuldades em furar o 5-4-1 irlandês, viu-se agora reduzido a dez e ainda mais longe da baliza de Kelleher.
Roberto Martínez tentou reagir e viu-se obrigado a inventar soluções no meio do caos: lançou Leão, Trincão e Gonçalo Ramos (já depois de ter lançado Semedo e Veiga). Apesar da vontade que cada um tinha em mudar o rumo dos acontecimentos, todos esbarraram na mesma muralha, uma Irlanda empurrada por um estádio em combustão, que defendia cada lance como se fosse... a final do Mundial.
Portugal insistia, circulava, cruzava, rematava de longe, mas a coesão defensiva irlandesa parecia ter crescido uns bons centímetros desde o intervalo. Havia sempre uma perna, uma cabeça, um desvio, um ressalto infeliz. Tudo o que podia correr mal… correu mesmo. E sempre com um rugido vindo da bancada a amplificar cada alívio como se fosse um golo.
O relógio avançava e o desfecho ganhava forma de tragédia inevitável. Não era só uma derrota: era história. A Irlanda venceu Portugal pela primeira vez desde 1996, quase três décadas de encontros sem provar um triunfo desta dimensão - e logo agora, quando os irlandeses já pouco tinham a perder e tudo a ganhar.
Para Martínez, o peso do resultado é duro a um nível pessoal: foi a sua primeira derrota em jogos de qualificação para Europeus ou Mundiais. Um registo que levava 38 vitórias, 4 empates e… zero desaires, agora manchado pelo 2-0 desta noite em Dublin. Um descalabro.
Um revés que adia contas, baralha planos e instala dúvidas. Na Hungria doeu, mas em Dublin… em Dublin doeu ainda mais.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Cristiano Ronaldo (Portugal): A personificação do título desta crónica... «Um descalabro». O capitão da Seleção Nacional teve uma noite para esquecer. Com bola foi meramente um corpo presente, sem ela... ainda menos presente foi. Culminou esta exibição com uma atitude pouco digna da sua carreira. Desfalca a equipa para o jogo no Dragão e, quiçá, para a primeira jornada do Mundial.
Troy Parrott (Rep. Irlanda): O avançado da República da Irlanda foi o protagonista de uma daquelas noites que ficará para sempre guardada na memória de todo um povo. Marcou os dois golos que originaram a hecatombe portuguesa e deu tudo de si na hora de defender o resultado. Uma noite para a história!
Vitinha (Portugal): O mais esclarecido do lado português. Tentou acrescentar dinamismo à posse portuguesa, baixou para ir buscar o esférico aos centrais, transportou, lançou, driblou, rodou, roubou, tentou de tudo um pouco. É pena não termos mais dois ou três como ele.
Dara O'Shea (Rep. Irlanda): O patrão da muralha irlandesa. Se a Rep. da Irlanda se apresentou com um 5-4-1 mais seguro que um cofre forte, muito se deveu à disponibilidade e presença do defesa Ipswich Town. Cortou tudo o que havia para cortar pelo ar, limpou o que havia para limpar pelo chão, ajudou a anular Cristiano Ronaldo & companhia e ainda foi uma ameaça nas bolas paradas ofensivas.
O árbitro
Exibição segura do árbitro da partida, admoestou quando teve de o fazer e manteve o critério para os dois lados. Decidiu bem na maioria dos lances capitais, com ou sem ajuda do VAR.
Incidentes: O filme do jogo
Onze do Portugal: Diogo Costa, Diogo Dalot, Rúben Dias, Gonçalo Inácio, João Cancelo, Rúben Neves, Vitinha, João Neves, Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo, João Félix
Onze do Rep. Irlanda: Caoimhin Kelleher, Seamus Coleman, Nathan Collins, Jake O'Brien, Dara O'Shea, Liam Scales, Finn Azaz, Josh Cullen, Jack Taylor, Chiedozie Ogbene, Troy Parrott
Em caso de vitória, Portugal carimba a passagem ao Mundial 2026. Caso esse cenário se confirme, esta será a nona presença da turma das quinas em Campeonatos do Mundo.
Com o triunfo da Hungria sobre a Arménia (0-1), Portugal está obrigado a vencer a Rep. da Irlanda para carimbar a passagem ao Mundial 2026. Caso a Hungria não vencesse, o empate seria suficiente.
3': Entrada assertiva de Portugal na partida. O conjunto português assume as despesas da partida e obriga a Rep. da Irlanda a encostar lá atrás nestes primeiros instantes.
12': A Rep. da Irlanda sente-se confortável a defender no seu meio-campo e aguarda pacientemente por deslizes e distrações da turma portuguesa para sair em transição.
17': Distração de Diogo Costa e Troy Parrot quase recuperou a bola de forma a conseguir alvejar a baliza portuguesa. O guardião português conseguiu evitar males maiores e cortou para canto.
18': GOLO República da Irlanda! Troy Parrott marca Troy Parrott marca o seu 1º golo na prova (3 jogos)
No primeiro pontapé de canto qùe Portugal concede à Rep. da Irlanda (nos dois jogos realizados), eis o golo da turma da casa! Scales apareceu solto de marcação ao segundo poste, colocou de cabeça no coração da pequena área e Parrot só teve de encostar.
23': Isto foi o pior que podia ter acontecido ao conjunto orientado por Roberto Martínez. Os irlandeses conseguiram fazer golo na primeira bola parada que tiveram a favor e agora fecham-se tranquilamente no seu 5-4-1. A multidão presente no Aviva Stadium vai empurrando a equipa da casa.
34': Portugal continua a carregar, continua a insistir, mas tem sido muito complicado penetrar o bloco defensivo da Rep. da Irlanda. Pede-se mais criatividade e dinâmica aos jogadores portugueses. A turma da casa remete-se a esperar e sair em transição.
37': Portugal: João Félix subiu ao segundo andar para responder de cabeça ao cruzamento de Rúben Dias, mas o esférico sai por cima da baliza de Kelleher.
38': Chiedozie Ogbene (Rep. Irlanda) remata ao poste!!! 38': Mais uma saída perigosa da Rep. da Irlanda a aproveitar o balanceamento ofensivo da turma portuguesa. o 2-0 ficou muito perto.
39': Portugal: Vitinha ficou muito perto da igualdade com um remate «kung-fu»! Kelleher aplicou-se e conseguiu defender a tentativa do médio do PSG.
40': Portugal: Diogo Dalot aproveitou a bola que ficou a pingar depois do pontapé de canto, encheu o pé, mas o esférico passou pouco por cima da trave da baliza defendida por Kelleher. Cheirou a golo!
44': Portugal: Diogo Dalot volta a conseguir rematar depois de a bola ressaltar na defesa irlandesa, mas o esférico desviou num defesa e saiu pela linha final.
45 +1': GOLO República da Irlanda! Troy Parrott marca Troy Parrott marca o seu 2º golo na prova (3 jogos)
O'Shea solicitou o ataque à profundidade de Troy Parrot e o avançado irlandês, depois de um trabalho impressionante sobre os defesas portugueses, puxou da esquerda para dentro e rematou rasteiro em direção ao primeiro poste, apanhando Diogo Costa em contrapé. Está feito o segundo em Dublin!
Intervalo: Primeira parte muito pobre de Portugal em Dublin. A seleção portuguesa sabia o que a esperava e tinha obrigação de entrar em campo preparada para as saídas em transição da Rep. da Irlanda. O conjunto orientado por Roberto Martínez foi facilmente anulado pelo 5-4-1 dos homens da casa e foi apanhada demasiadas vezes descompensada nas transições defensivas. Apesar de ter a lição estudada, a verdade é que Portugal não conseguiu evitar as armas das quais já tinha sido avisado: bolas paradas e transições. Com bola, e apesar de a termos bastante, os jogadores portugueses não estão a conseguir desmontar o bloco adversário. Os remates de fora da grande área têm sido uma constante, mas facilmente controlados por Kelleher. Avizinha-se missão bastante difícil para a turma das quinas na segunda metade.
59': VAR analisa: possível agressão de Cristiano Ronaldo e cartão vermelho.
61': Cartão vermelho para Cristiano Ronaldo (Portugal) Cristiano Ronaldo vê o seu 1º vermelho na prova (5 jogos)
88': Portugal: Gonçalo Ramos ficou muito perto de reduzir a desvantagem portuguesa! O avançado do PSG matou a bola no peito e rematou forte para uma defesa espetacular de Kelleher.
90 +8': O árbitro apita para o final da partida.
Melhor em campo: Troy Parrott (IRL) foi, para a redação do
zerozero, o melhor jogador em campo.
Fim de Jogo: Derrota dolorosa para a turma das quinas. Portugal voltou dos balneários com vontade de mostrar uma imagem diferente - apesar de Martínez ter tentado mexer com o jogo ao lançar Nélson Semedo e Renato Veiga -, mas Cristiano Ronaldo complicou bastante as coisas. O Capitão, num episódio raro com a camisola das quinas, deixou que a emoção levasse a melhor e agrediu um jogador adversário. Expulsão que se ajustou, mas que matou as intenções portuguesas. Até ao final, e mesmo com todas as alterações feitas durante os restantes 30 minutos, a verdade é que Portugal raramente pareceu capaz de fazer mossa na baliza de Kelleher. Vitória justa da Rep. da Irlanda que, apesar de tudo, manteve-se fiel ao seu plano de jogo e conseguiu agarrar os três pontos.

