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O SC Braga está numa fase de transformação que interessa compreender. Todo o universo braguista deve acreditar no processo que está a ser implementado em Braga, cujo crescimento futuro pode conduzir aos tão desejados sucessos. Todavia, não existe um passo de mágica que seja capaz de acelerar o tempo e melhorar o processo. Diria, até, que querer acelerar o tempo seria uma coisa absolutamente inútil quando pensamos que nas nossas vidas tudo parece voar em vez de passar.
A pré-época foi feita em modo acelerado, porque o tempo disponível era inimigo da evolução do processo em que os brácaros estão envolvidos. Parece existir um paradoxo nesta ideia de aceleração ou desaceleração do tempo, mas o contexto exigia uma rápida evolução e os resultados, ainda que obtidos em jogos particulares, resultaram num animador pleno de triunfos conseguidos.
A competição oficial do SC Braga começou com a disputa de uma eliminatória europeia ainda durante o mês de julho. Se a primeira mão da eliminatória de acesso à fase regular da Liga Europa teve importância relativa, a segunda mão foi absolutamente passada para segundo plano, quer pela imprensa especializada, quer pelas entidades que regem o futebol.
Quando foi decidida a final da Supertaça, entre SL Benfica e Sporting CP, já se sabia que no último dia de julho existiriam equipas portuguesas a representar Portugal nas eliminatórias europeias. Indiferente a isso, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) marcou para o Algarve a final da Supertaça para essa data, mesmo sabendo que havia equipas a defender o prestígio e o ranking de Portugal na UEFA
Foi um desrespeito pelo SC Braga e Santa Clara, mas, acima de tudo, foi um mau serviço que a FPF prestou ao futebol português, não dignificando a final, nem olhando como deveria para quem representa a Nação Valente além-fronteiras.
Indiferente a todo o contexto descrito, a Legião do Minho preparou o encontro da segunda mão na Pedreira com o objetivo de modificar o nulo registado no primeiro duelo, num coletivo formado pela equipa e pelos adeptos que é digno realce. As bancadas encheram-se de braguismo e o apoio foi garantido à partida, com os búlgaros de terem mais adeptos do que previa
A noite quente de Braga teve direito a horas extras, depois do nulo verificado no tempo regulamentar, num relvado bem tratado que em nada se compara com o da Bulgária.
O treinador Carlos Vicens acreditou que a segurança da primeira mão era importante e tratou de manter um figurino parecido no onze inicial, onde a alteração mais profunda era a ausência de um avançado tradicional, para entrar Roger. O encontro mostrou desde o seu início que as bolas paradas começam a ser resultado de um trabalho específico que se destaca e foi por pouco que Niakaté não inaugurou o marcador bem cedo, quando era mais fácil marcar de cabeça do que acertar na trave da baliza.
E tudo poderia ter sido diferente, mas não foi. A passagem dos minutos aumentava algum desconforto das bancadas, ainda impreparadas para as mudanças em curso, o que era agravado pelo anti-jogo permanente dos búlgaros, que não deitavam fora oportunidades de o praticar. A aproximação do limite do tempo regulamentar acentuava a ideia de que um erro poderia ser fatal e o receio de uma surpresa negativa entrou na mente dos jogadores, que preferiram garantir o tempo adicional a deitar tudo a perder antes dele.
O técnico brácaro foi mudando ao longo do jogo a sua ideia e as alterações introduzidas foram negando pontualmente o que planeara de início. Pareceu-me um ato humilde perceber que o jogo pedia mudanças no relvado e elas acabaram por se revelar determinantes no desfecho da partida e da eliminatória, quando o menino Sandro Vidigal, de quem se espera um futuro risonho, cruzou para o entrado Fran Navarro fazer uma obra de arte e definir o resultado, levando as bancadas a uma loucura que as palavras não conseguem descrever.
Também entrado na partida, Lelo esteve envolvido no lance decisivo e emprestou à equipa uma largura e profundidade que ela antes não conhecera. O objetivo, de passar a eliminatória, estava alcançado e daqui por uns dias a Roménia será palco da primeira mão da eliminatória que os Gverreiros do Minho vão disputar com o Cluj, onde se espera uma resposta mais assertiva do SC Braga, sem prescindir das ideias que integram o plano de Carlos Vicens.
A plateia bracarense compareceu em bom número na Pedreira e é muito importante que esse apoio se mantenha no futuro. Os resultados positivos, obtidos com maior ou menor dificuldade, são um sustento importante para o que se está a construir em Braga, onde qualquer oscilação parece importante para os adversários tentarem derrubar.
Assim, interessa sobremaneira que o 'SC Braga vença com todos', rumo a um futuro risonho.