Os destaques da noite louca do dérbi no Estádio da Luz, com João Neves e Viktor Gyokeres a justificarem notas muito altas. O médio do Benfica e o avançado do Sporting foram os melhores neste Benfica-Sporting, que teve ainda outros nomes a justificarem uma menção do zerozero.
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Déjà vu de eletricidade
Dois golos pelos seniores do Benfica. Dois golos ao Sporting. Dois golos nos descontos de dérbis. Não há coincidências. João, o pequeno Neves, tem uma crença ilimitada na sua paixão pelo jogo e pelo clube, um coração do tamanho da Luz, um talento demasiado grande para aquele palmo e meio de gente. É, nos dias que correm, o mais influente no futebol das águias. Neste dérbi, muitas vezes controlado pelo Sporting, teve a capacidade de amparar a equipa e levá-la para zonas menos perigosas. O golo foi o prémio mais do que justo a uma exibição sempre elétrica, um déjà vu do que se viu em Alvalade a 21 de maio.
Alto, louro, nada tosco, bombista
O tiro à baliza de Trubin, em cima do tempo de descanso, resume o futebol de Gyokeres. Agressivo, objetivo, pragmático. Se tem espaço, corre. Se vê a baliza, remata. Se está de costas, roda e arranca. Faz do futebol um jogo simples, perturba quem o defende e contagia quem o acompanha. Tem as linhas duras da construção nórdica e o olhar frio do mais cruel dos matadores das áreas. Mesmo solitário, após o vermelho a Gonçalo Inácio, foi capaz de incomodar e criar momentos interessantes para o ataque leonino. Um carregador de piano, violoncelo, de toda a orquestra, em zonas incomuns para esses trabalhos.
Casper, o fantasma dos golos
Não tem a vibração dos maiores goleadores. Parece, por vezes, até um executante básico. Mas será que há mais em Casper do que uma simples assombração das áreas? Schmidt tem-lhe oferecido minutos, quase sempre a sair do banco, e Tengstedt raramente tem correspondido com golos. Até esta noite, a este cenário perfeito. Último lance do dérbi, tudo empatado, e o desvio fatal nas costas de Rafa. Para adensar o mistério, e a loucura dos festejos, o VAR teve de desenhar a legalidade em linhas virtuais. E Casper foi herói, um fantasma para assombrar leões nos próximos dias.
O exótico artista inglês
Edwards não corre, Edwards desliza. Edwards não passa, Edwards serve com arte. Atuação de nível muito alto, principalmente enquanto o Sporting esteve em igualdade numérica. Recuou, segurou e entregou, essencialmente nas alas, à procura dos cruzamentos de Matheus Reis e Ricardo Esgaio. É dele, de resto, o passe de régua, esquadro e bandeja feito para o golo de Gyokeres. Tem visão, exotismo e aquele ar cool, de quem parece desinteressado por tudo. O vermelho de Inácio convenceu Rúben Amorim a sacrificá-lo. Talvez demasiado cedo.
Voo para parar Angelito
Não fez muitas defesas, mas a que fez a pontapé de Angel Di Maria, ainda antes dos dois golos do Benfica, foi extraordinária. Aí, nesse voo para a esquerda, apareceu a melhor versão de Adán, aquela que escreveu capítulos importantes no ano do título leonino. Nos golos nada podia ter feito e, antes disso, esteve sempre seguro nos cruzamentos e a jogar com os pés.
Transportador cerebral
Boa primeira parte, forte a transportar a bola e a encontrar os melhores caminhos. Pecou no remate e até teve duas boas possibilidades de disparar à baliza de Trubin. Tem bons pés, é inteligente e lúcido, talvez lhe falte ser mais convencido, mais confiante. Jogo muito estável e regular.
Erro e castigo
A nota negativa explica-se pela abordagem imprudente que originou o segundo amarelo. Com tanto para jogar, Inácio deveria ter-se protegido e fugido a essa exposição ao erro e à falta. Soares Dias não podia ter decidido de outra maneira. Deixou a equipa desamparada e a jogar com menos um, mais de meia-hora. Tem maturidade e qualidade para reagir de outra forma.
Apatia e lentidão
Não pressionou, não acelerou, não foi influente. Os assobios tributados pela Luz explicam a desinspiração de um dos mais talentosos no lado das águias. Apático, a aparentar não estar a sentir o dérbi, durou 86 minutos e pouco fez para estar tanto tempo em campo. Onde anda o génio da primeira metade da época anterior? Este João Mário dificilmente poderá ser titular indiscutível. Faltou-lhe sangue, faltaram-lhe os olhos raiados. Um jogo destes não se joga sem o coração no lugar certo.





