O cheiro intenso a protetor solar não engana. Em Palma, um dos destinos paradisíacos mais requisitados da Europa, já começou a época balnear e os turistas, de todas as nacionalidades, são mais que muitos.
As vistas são deslumbrantes, o calor já se faz sentir e a água mistura azuis pouco vistos em Portugal. Quem aproveita as férias, tem o prazer de observar cada pormenor; quem está em trabalho, nas horas vagas, também o pode fazer. É o nosso caso.
Depois de viajar na tarde/noite de quinta-feira, o zerozero cumpriu, esta sexta-feira, o primeiro dia completo nas Baleares. E se não está a par do grande acontecimento do fim de semana na ilha... não, não viemos de férias. Porque este fim de semana... 'Les Illes Baleares són de xampions!'.
O nível foi subindo...
Alojados "longe" do centro da cidade de Palma e no sentido oposto à conhecida zona de Magaluf - para evitar distrações deste que vos escreve -, o primeiro instinto é perceber se toda a ilha respira futsal este fim de semana. A resposta é rapidamente descoberta: não.

Tudo muda, porém, com a aproximação à cidade propriamente dita. Os turistas, sempre com o telemóvel em punho, continuam a ser mais que muitos nas ruas em que se sente o toque árabe em cada edifício pelo qual passamos.
Aparecem-nos as primeiras tarjas junto aos locais mais emblemáticos de Palma, como a Catedral, a Plaça d´Espanya ou a Plaça Major, e aparecem as primeiras camisolas portuguesas. Foram milhares os adeptos portugueses, com os do Sporting em maioria - o decisivo jogo do futebol do Benfica pode explicar um número diferente em relação aos encarnados.
Sentimentos mistos no meio do Velódromo
O relógio não pára e a hora do primeiro jogo aproxima-se. Contando com uma boleia que veio mesmo a calhar, o zerozero rapidamente se instalou na tribuna de imprensa (bem improvisada para o efeito) e percebeu que ia ter um "pequeno" problema que complica o trabalho: ver a bola.
Colocada atrás dos bancos das duas equipas, a zona de jornalistas acabou por ser instalada num ângulo demasiado baixo. De forma natural, a cada levantar de banco, a bola acabaria por desaparecer do nosso campo visual e o relato ao minuto acabou por ser feito... de pé.
Era giro ver a bola numa final four da #UCLFutsal , @UEFAFutsal pic.twitter.com/Xcl721vm2Y
— Bruno Filipe Simões (@brunosimoesfc) May 5, 2023
Não vamos mentir: à flor da quadra, acabamos mesmo por nos sentirmos um treinador UEFA Pro. Afinal, ali a escassos metros estava a jogar-se uma final four de Liga dos Campeões. E o telemóvel esteve sempre a postos para captar as melhores imagens do grande momento.
Foi dali que vimos o rolo compressor do Sporting, o choro de Erick em jeito de despedida, a comunhão entre adeptos e jogadores leoninos, a intensidade máxima do Palma - Benfica, o 'fanatismo' já habitual dos jornalistas espanhóis em relação aos seus, ou até o dramático e polémico final de jogo que eliminou o Benfica.
Falta falar do ambiente e do resto do velódromo adaptado para esta final four. No primeiro jogo, a proximidade da Juve Leo à zona de imprensa disfarçou a acústica diferente de um recinto demasiado grande para ter um ambiente de Champions. Pensámos nós, na nossa inocência de quem nunca viu um jogo do Palma em casa.
É que, enquanto falávamos com Nuno Dias na conferência de imprensa, o pavilhão ficou praticamente cheio. Quase cinco mil pessoas, poucas cadeiras vazias (10 euros por dia era o preço do bilhete mais barato) e uma festa que ainda nos está nos ouvidos - principalmente aqueles tambores que não pararam durante todo o jogo.
Assim como aconteceu no primeiro jogo, com a Juve Leo e o Sporting, Palma e adeptos mostraram a comunhão especial. A cada apelo vindo do banco, o velódromo vinha abaixo. Pior ainda ficou quando a buzina final soou. Barulho ensurdecedor, muitas lágrimas de quem nunca ganhou um título e um «Sweet Caroline» para celebração final.
Foi bonito, mas fica a pena por não ser um dérbi lisboeta em Palma. Fica para a próxima.


