solverde
    O diário do zerozero em Palma

    Não deu em dérbi

    Publicado em: 2023/05/06 14:30 Atualizado em: 2023/06/24 16:30
    Bruno Filipe Simões
    ENVIADO ESPECIAL Bruno Filipe Simões, em Palma
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    Não deu em dérbi

    O cheiro intenso a protetor solar não engana. Em Palma, um dos destinos paradisíacos mais requisitados da Europa, já começou a época balnear e os turistas, de todas as nacionalidades, são mais que muitos.

    As vistas são deslumbrantes, o calor já se faz sentir e a água mistura azuis pouco vistos em Portugal. Quem aproveita as férias, tem o prazer de observar cada pormenor; quem está em trabalho, nas horas vagas, também o pode fazer. É o nosso caso.

    Depois de viajar na tarde/noite de quinta-feira, o zerozero cumpriu, esta sexta-feira, o primeiro dia completo nas Baleares. E se não está a par do grande acontecimento do fim de semana na ilha... não, não viemos de férias. Porque este fim de semana... 'Les Illes Baleares són de xampions!'.

    O nível foi subindo...

    Alojados "longe" do centro da cidade de Palma e no sentido oposto à conhecida zona de Magaluf - para evitar distrações deste que vos escreve -, o primeiro instinto é perceber se toda a ilha respira futsal este fim de semana. A resposta é rapidamente descoberta: não.

    @Bruno Filipe Simões
    No passeio matinal - não são apenas os jogadores que têm esse direito -, apenas um sinal de final four de Liga dos Campeões: uma corrida de descompressão de alguns elementos do staff do Sporting. De resto, nada que indique o evento e, acreditamos, muitos dos que nesta zona estavam alojados, não sabiam do mesmo.

    Tudo muda, porém, com a aproximação à cidade propriamente dita. Os turistas, sempre com o telemóvel em punho, continuam a ser mais que muitos nas ruas em que se sente o toque árabe em cada edifício pelo qual passamos. 

    Aparecem-nos as primeiras tarjas junto aos locais mais emblemáticos de Palma, como a Catedral, a Plaça d´Espanya ou a Plaça Major, e aparecem as primeiras camisolas portuguesas. Foram milhares os adeptos portugueses, com os do Sporting em maioria - o decisivo jogo do futebol do Benfica pode explicar um número diferente em relação aos encarnados.

    Sentimentos mistos no meio do Velódromo

    O relógio não pára e a hora do primeiro jogo aproxima-se. Contando com uma boleia que veio mesmo a calhar, o zerozero rapidamente se instalou na tribuna de imprensa (bem improvisada para o efeito) e percebeu que ia ter um "pequeno" problema que complica o trabalho: ver a bola.

    Colocada atrás dos bancos das duas equipas, a zona de jornalistas acabou por ser instalada num ângulo demasiado baixo. De forma natural, a cada levantar de banco, a bola acabaria por desaparecer do nosso campo visual e o relato ao minuto acabou por ser feito... de pé.

    Não vamos mentir: à flor da quadra, acabamos mesmo por nos sentirmos um treinador UEFA Pro. Afinal, ali a escassos metros estava a jogar-se uma final four de Liga dos Campeões. E o telemóvel esteve sempre a postos para captar as melhores imagens do grande momento.

    Foi dali que vimos o rolo compressor do Sporting, o choro de Erick em jeito de despedida, a comunhão entre adeptos e jogadores leoninos, a intensidade máxima do Palma - Benfica, o 'fanatismo' já habitual dos jornalistas espanhóis em relação aos seus, ou até o dramático e polémico final de jogo que eliminou o Benfica.

    Falta falar do ambiente e do resto do velódromo adaptado para esta final four. No primeiro jogo, a proximidade da Juve Leo à zona de imprensa disfarçou a acústica diferente de um recinto demasiado grande para ter um ambiente de Champions. Pensámos nós, na nossa inocência de quem nunca viu um jogo do Palma em casa.

    É que, enquanto falávamos com Nuno Dias na conferência de imprensa, o pavilhão ficou praticamente cheio. Quase cinco mil pessoas, poucas cadeiras vazias (10 euros por dia era o preço do bilhete mais barato) e uma festa que ainda nos está nos ouvidos - principalmente aqueles tambores que não pararam durante todo o jogo.

    Assim como aconteceu no primeiro jogo, com a Juve Leo e o Sporting, Palma e adeptos mostraram a comunhão especial. A cada apelo vindo do banco, o velódromo vinha abaixo. Pior ainda ficou quando a buzina final soou. Barulho ensurdecedor, muitas lágrimas de quem nunca ganhou um título e um «Sweet Caroline» para celebração final. 

    Foi bonito, mas fica a pena por não ser um dérbi lisboeta em Palma. Fica para a próxima.

     

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