Depois da tempestade, vem a bonança – vila de pescadores que o diga.
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Seis derrotas consecutivas, entre janeiro e fevereiro, empurraram o Rio Ave para uma zona desconfortável da tabela e criaram um ruído crescente entre equipa e adeptos. Ainda assim, a resposta surgiu, e de que maneira.
A vitória frente ao Estoril confirmou a terceira consecutiva no campeonato, um registo inédito esta época, e prolongou para quatro jogos a série sem perder, confirmando um mês de março absolutamente de sonho para os vila-condenses.

A mudança deu-se efetivamente, mas não foi de um momento para o outro. Pelo menos Sotiris Sylaidopoulos assim o defende. Não houve nenhum clique. Houve sim continuidade, insistência e crença num processo que, durante semanas, não teve tradução nos resultados. O treinador fala de ligações criadas, de tempo necessário para trabalhar ideias e de um grupo que se foi transformando por dentro.
Um coletivo mais forte
Durante grande parte da primeira volta, o rendimento ofensivo do Rio Ave tinha nomes próprios: Clayton e André Luiz. A dupla brasileira concentrava uma fatia significativa dos golos e das soluções ofensivas, funcionando como eixo quase exclusivo da equipa. A saída de ambos, no mercado de inverno, fazia prever uma quebra, ou, no mínimo, um período de adaptação turbulento. Mas aconteceu precisamente o contrário.
Sem as suas principais referências individuais, o Rio Ave reencontrou-se enquanto coletivo. O 3-4-3 deu lugar a um 4-2-3-1 mais equilibrado, com maior ocupação racional dos espaços e uma ligação mais consistente entre setores. Existe menos dependência de momentos individuais, mais fluidez coletiva, maior compromisso defensivo e, sobretudo, uma identidade mais clara.
Novos protagonistas, mesma ambição
Neste novo contexto, emergem inevitavelmente novas figuras. Jalen Blesa é o rosto mais evidente desta fase. Chegado em janeiro, o avançado espanhol rapidamente assumiu o papel de referência ofensiva: soma 4 golos consecutivos, todos eles com impacto direto nos resultados, e tornou-se o novo símbolo de uma equipa que reaprendeu a acreditar.

Mas reduzir o momento do Rio Ave a Blesa seria simplificar demasiado o fenómeno.
Diogo Bezerra, por exemplo, tem sido determinante na criação, como se viu na assistência para o golo de Brabec frente ao Estoril, enquanto jogadores como Spikic ou o próprio Ole Pohlmann ganham protagonismo num modelo mais distribuído. A equipa deixou de viver de dois ou três nomes e passou a funcionar como um organismo mais coeso.
E isso nota-se, por exemplo, na forma como reage à desvantagem, na capacidade de sofrer quando necessário, na consistência competitiva ao longo dos 90 minutos. O jogo na Amoreira é um retrato fiel deste novo Rio Ave. A perder ao intervalo, num campo tradicionalmente difícil, a equipa não se desorganizou nem se precipitou. Manteve a estrutura, acreditou no plano e virou o resultado em 20 minutos. Primeiro na bola parada, depois através de um penálti convertido com frieza por Blesa.

Resto de viagem mais confortável
Os 30 pontos dão algum fôlego na tabela, mas o sinal mais relevante está no comportamento competitivo.
Num campeonato onde a estabilidade emocional e competitiva faz muitas vezes a diferença, o Rio Ave parece ter encontrado o seu equilíbrio no momento certo da época.
Com ou sem clique, a verdade é que março mostrou ser o mês de afirmação em Vila do Conde, e aquele que afastou a maré negativa do clube da caravela.
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