Por mais que o tema forte da semana tenha sido um cartão amarelo e uma potencial suspensão para a jornada seguinte, inconsequentes nadas à beira de uma perspetiva maior, os deuses do futebol trataram de trazer, à hora do jogo, a bola de volta ao primeiro plano.
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O Gil Vicente fez a sua parte, bem mais até do que lhe era exigido. Esteve em vantagem praticamente todo o jogo e defendeu de forma quase irrepreensível. A imperfeição da exibição gilista esteve apenas na força sobrenatural que consumiu o Sporting na reta final de um jogo que, em caso de título, jamais será esquecido.
Não era este o plano
Se o jogo começou com uma boa oportunidade a favor do Sporting, que assim correspondia, logo ao segundo minuto, às expectativas de um estádio em festa, o mesmo não se pode dizer do resto de uma primeira parte que pouco ou nada de positivo gerou para o lado verde e branco.
As bolas longas, quase sempre armadas por Debast e Inácio, saíram sempre para lá da linha final; os dribles de Pote e Maxi esbarraram sempre em paredes da linha defensiva gilista; mais à frente, Gyökeres e Trincão tentaram mutuamente encontrar-se, mas o último passe nunca chegou ao destino. Foi repetitivo.

O extremo do Gil Vicente pediu desculpa aos adeptos do clube onde foi formado, mas estes preferiam certamente ver o arrependimento do central neerlandês que, recorde-se, já tinha sido culpado na última vez que o Sporting sofrera primeiro em casa: o infame atraso no 2-2 frente ao Arouca.
Quando a crença encheu o ar de Alvalade...
O golo podia ter galvanizado equipa e adeptos, mas medos e ansiedades falaram mais alto. As bancadas acusaram a pressão e, a seu tempo, isso notou-se também em campo. Em sentido inverso, os homens de Barcelos ganharam conforto, principalmente graças à solidez do quarteto defensivo e de Bamba. Mérito também de César Peixoto pela forma como montou essa teia.
A segunda parte não trouxe grandes mudanças na maneira em como a história se estava a desenrolar. Para forçar algumas, Rui Borges lançou, aos 64 minutos, Gevany Quenda, Conrad Harder e Morten Hjulmand. Qualquer conversa sobre amarelos e suspensões já era, por essa altura, totalmente secundária.

De repente a casa, outrora adormecida, acordou de forma monstruosa. Também a linguagem corporal dos jogadores mudou por completo, com a crença de que o segundo golo chegaria a tornar-se uma presença palpável. Podia ter sido qualquer sportinguista a colocar a bola do 2-1 dentro das redes, mas foi Eduardo Quaresma, rapaz da casa, que o fez.
Se o Sporting se sagrar campeão nacional, o momento daquele remate de fora da área ficará para sempre no folclore leonino. Certo é que as decisões sobre o primeiro lugar, novamente partilhado entre rivais lisboetas a duas jornadas do fim, ainda não estão tomadas. Isto promete...
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