Épico. Incrível. Histórico. Memorável. Faltando adjetivos para caracterizar o que vimos em Londres. Foi preciso sofrer (e muito), acreditar, lutar, tudo e mais alguma coisa. Mas, no final, o Sporting conseguiu uma fantástica e merecida vitória frente ao poderoso Arsenal nas grandes penalidades. O leão rugiu na Europa!
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Era o tudo ou nada para o Sporting na Europa e decidia-se em Londres. Depois do empate (2-2) em Lisboa, Rúben Amorim fez duas alterações no onze inicial, ambas forçadas, com a entradas de Ousmane Diomandé e Ugarte para os lugares que pertenciam a Coates e Morita. Já do Arsenal, Arteta fez mais mexidas e apresentou algumas surpresas, chamando ao onze inicial Ramsdale, Tomiyasu, Gabriel Magalhães e Gabriel Jesus, para os lugares que pertenciam a Matt Turner, Kiwior, Saka e Ben White. Nota ainda para a titularidade de Fábio Vieira e a presença de Odegaard no banco de suplentes.
Na falta do comandante...
As mexidas acima referidas traziam desde logo bastantes diferenças para o jogo da 1ª mão, Diomandé apareceu a fazer de Coates, enquanto do lado do Arsenal Gabriel Martinelli surgiu no seu «habitat natural», ala, ocupando Gabriel Jesus a frente de ataque, o que dava uma mobilidade distinta ao ataque dos gunners. Ora, nos primeiros minutos o Arsenal procurou desde logo assumir as rédeas do jogo, tentando chamar a pressão leonina para dar uso à profundidade.
Inicialmente, os leões deixaram passar essa «chamada» e defenderam mais baixo, conseguindo criar perigo através da transição, especialmente na direita, onde o Arsenal deixava sempre algum espaço perante a insistência em ter Zinchenko a juntar-se aos médios no processo de construção. Foi, de resto, dessa forma que surgiu a primeira grande oportunidade do jogo, com Trincão, desmarcado por um grande passe de Esgaio, a rematar perto do poste.

Com o Arsenal em crescendo, notava-se mais dificuldade do Sporting em ter bola e foram alguns minutos até que os leões voltassem a assustar, até porque Paulinho, embora importante a ajudar o miolo defensivamente, estava com dificuldade em acrescentar neste estilo da transição. Notava-se uma maior dificuldade do Sporting no controlo da profundidade da linha defensiva sem Coates e o Arsenal ia explorando essas mesmas debilidades, especialmente do lado de Esgaio, de tal modo que até podia ter ampliado até ao intervalo. Valeu Adán.
Rugido de leão!
Em desvantagem na eliminatória, o Sporting veio para a 2ª parte com uma atitude claramente distinta, com Rúben Amorim a libertar Pote das missões defensivas antes vistas e a deixar o criativo assumir um papel mais próximo do que se vê na liga portuguesa, próximo do trio ofensivo. Isso permitiu à equipa crescer na partida, assumir a posse de bola e partiu mais o jogo, o que trouxe bem mais velocidade de execução e deixou o Arsenal mais em sentido.
O crescimento do Sporting fazia prever que surgissem mais golos numa partida cada vez mais animada, mas poucos previam que o golo chegasse como chegou. O relógio corria os 62 minutos quando Pote tirou um autêntico coelho da cartola, surpreendeu tudo e todos e fez um chapéu...não, um chapelão (!!!) de meio campo para surpreender tudo e todos e bater Ramsdale para o 1-1. Era a festa leonina no Emirates e os milhares de adeptos verdes e brancos que acompanharam a equipa não conseguiam esconder a alegria perante este momento, nem mesmo travados pela chuva.

Essa, contudo, acabou por ser uma das últimas grandes oportunidades do Sporting, até porque o cansaço se começou a sentir (Rúben Amorim mexeu pela primeira vez aos 89') e isso permitiu ao Arsenal reequilibrar as contas do jogo. O relógio, no entanto, não abrandava e notava-se que os jogadores começavam a pensar nisso, de tal modo que os últimos minutos foram bem mais lentos e o apito chegou para o empate. Tínhamos mais 30 minutos pela frente.
Penáltis da glória!
Como é habitual, o prolongamento traz consigo ansiedade e isso sentia-se pelos quatro cantos do Emirates, mas houve, o dos adeptos leoninos, que tremeu como varas verdes logo a abrir. É que, acabado de entrar, o jovem Dário Essugo «assistiu» por completo Trossard, num erro tremendo, mas o belga viu Adán defender a bola antes desta embater no poste. O desespero era palpável....
Apesar de Rúben Amorim ter guardado praticamente todas as substituições para esta fase, o Arsenal estava anímica e fisicamente por cima e isso permitia aos gunners estarem por cima e serem a equipa mais perigosa, encostando o Sporting ao seu último terço. Foram 15 minutos de autêntico sufoco para os leões, que nem conseguiam sair do seu meio campo e Adán acabou mesmo a ser herói aos 117', defendendo o cabeceamento de Gabriel Magalhães. Logo a seguir, Ugarte viu o segundo amarelo e foi para a rua, mas o Sporting aguentou. Chegavam os penáltis...
Aí, cada remate, cada corrida, cada defesa fazia os corações palpitarem mais aceleradamente. Ninguém tremeu nos primeiros penáltis, mas ao chegar Martinelli, Adán encheu a baliza, fez uma enorme defesa e fez acreditar. Seguiu-se Nuno Santos, o homem do momento, e este não falhou, marcou e levou à explosão de alegria leonina no Emirates! O Sporting suou, sofreu, mas acabou a chocar até os mais otimistas, eliminando o Arsenal e avançando na Liga Europa!!!
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