O ex-internacional português, em entrevista ao jornal Record, deixa duras críticas a Carlos Queiroz e diz que a vontade do antigo seleccionador português era mandá-lo embora da selecção. Apesar de sublinhar não querer «falar muito sobre Queiroz porque bater em mortos é complicado», Deco admite ter «uma opinião muito má sobre ele».
Apesar de a saída de Deco da selecção nacional não ter tido muito brilho e de a sua última participação na equipa das quinas, no Mundial África do Sul 2010, ter sido envolta em alguma polémica, o ex-internacional português afirma «não ter qualquer tipo de arrependimento» por ter optado pela nacionalidade portuguesa.
O luso-brasileiro «abre o livro» relativamente ao antigo seleccionador nacional, apesar de ressalvar que «queria evitar falar de Queiroz» porque tem «uma opinião muito má sobre ele», referindo-se ao seu carácter: «Existem coisas na maneira de ser do Queiroz que eu não percebo e não é por uma questão de relacionamento. Nunca tive qualquer problema com ele. A única coisa que sei é que ele teve algumas atitudes que, para mim, foram incorrectas e portanto é uma pessoa falsa», disse Deco acrescentando ser «impossível comparar a qualidade da pessoa» de Queiroz com a de Scolari: «Nem é tanto como treinador, mas comparar um ser humano com outro é impossível».
Na mesma entrevista, Deco acusa Carlos Queiroz de ter pedido à Federação Portuguesa de Futebol para o «mandar embora» da selecção: «A vontade do Queiroz era de me mandar embora. Eu sei que ele fez um pedido à Federação para que me mandasse embora e a Federação negou. Depois, voltou a tentar afastar-me e dessa vez numa conversa directa comigo e com outras duas pessoas, acusando-me de ter traído a selecção, de ter traído a confiança dele, de ter traído os meus companheiros, praticamente colocando-me fora da equipa. Criou uma situação em que era para eu pegar nas malas e ir embora», esclareceu Deco que acrescentou que na África do Sul, «após o primeiro jogo, com a Costa do Marfim» Queiroz «tentou praticamente» afastá-lo «pois essa era a intenção dele». «O Queiroz queria que eu saísse da selecção, mas isso ele não me disse. Só o soube através de outras pessoas. O Madaíl é que disse que me ia multar e que esta situação era normal».
Depois do seu abandono da selecção seguiram-se Simão, Paulo Ferreira e Miguel. Apesar de Deco não atribuir a responsabilidade desses abandonos à equipa técnica portuguesa, o luso-brasileiro sempre vai dizendo que o Mundial 2010 «acabou por ser uma experiência desastrosa»: «Está a terminar um ciclo que é normal. Apareceu gente nova e a selecção está bem servida. E os episódios que aconteceram durante o Mundial acabaram por ser complicados para a maioria dos jogadores. Talvez fosse um momento para todos desfrutarem e acabou por ser uma experiência desastrosa para todos em função de tudo o que aconteceu com o treinador».
Rematando, Deco pronunciou-se, ainda sobre José Mourinho, seu antigo treinador, e considera que «será inevitável» que o técnico venha a treinar a selecção nacional, deixa um voto de confiança a Paulo Bento, «uma óptima escolha» e afirma acreditar que a selecção portuguesa vai conseguir o apuramento para o Euro 2012 e garante que vai «torcer sempre por Portugal».






