Admirável mundo novo de Pep. Wembley rendido ao futebol total, sétima FA Cup nas vitrines do City, dobradinha garantida com a justiça possível em finais que também são dérbis.
Herói da tarde, Ilkay Gundogan. O médio burocrata também tem a criatividade dos génios. Abriu o ativo aos 13 segundos (!) num pontapé absurdo de fora da área e repetiu a dose já na segunda parte, aí já com alguma sorte - pegou mal na bola, mas o remate saiu muito colocado.
38 títulos oficiais
O empate surgiu por Bruno Fernandes, em grande penalidade a castigar braço de Jack Grealish na bola, e no ataque o United resumiu-se praticamente a isso. Nos descontos, quando Wembley já se entregara à Blue Moon, hino não oficial do City, Scott McTominay atirou de cabeça uma bola à barra e Ortega afastou depois para canto o possível empate.
Revolução blue em curso
Admirável mundo novo, dizíamos. Na mente de Pep, as ideias não se esgotam e são mutáveis. John Stones, até há pouco um central aparentemente limitado no campo de ação, é agora um pivô do pensamento do treinador. Sobe, conduz a bola, assume a primeira fase de construção. Recebe e distribui.
Esse é um dos segredos deste maravilhoso City. Nunca se sabe por onde poderá sair, por onde constrói e define. Por Bernardo, mais agarrado à direita, por Stones, Gundogan ou por Grealish, já para não falar do surpreendente Akanji.
Guardiola cria e revoluciona. Não ganha sempre, isso é impossível, mas está condenado à eternidade. No futebol moderno, nunca um treinador foi tão influente e disruptivo. Um génio.
A Premier League e a FA Cup estão agarradas. E vem aí uma final da Liga dos Campeões. Este City é um compêndio de promessas e uma equipa que ficará para a história. Não por ter mais dinheiro e melhores futebolistas do que quase toda a concorrência - que os tem -, mas por ter sido o tubo de ensaio para a imaginação fervilhante de um dos melhores treinadores de sempre.


