Alvalade soa melhor com a música que só uma boa vitória toca. Na ressaca de duas derrotas dececionantes, frente a Arouca e Eintracht Frankfurt, a casa do Sporting consertou-se e fez um novo concerto, mais jovial e apropriado à dimensão do leão, e acabou a vencer por 3-0.
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Para travar um Vitória SC que já levava mais de dois meses sem perder (e quatro vitórias consecutivas) foi preciso um volume ofensivo bem superior ao habitual, uma expulsão, e, acima de tudo, um gosto musical eclético.
Começou com um maestro
Os minutos iniciais foram tão promissores quanto anticlimáticos, quando a progressão da primeira jogada do encontro acompanhou o habitual «O Mundo Sabe Que» de uma forma que pareceu ensaiada, mas, no final, o crescendo vazou num ligeiro desafinar. O último passe foi pesado, e nenhum dos violinos desviou para golo.
Mas a música não parou de tocar. Ugarte carregou o piano, permitindo a Morita (talvez seja ele o misterioso maestro) subir e integrar uma espécie de quarteto atacante, e o volume de oportunidades foi fortíssimo.

O golo teimava em não chegar, mas ouvia-se novo crescendo nas bancadas do Estádio José Alvalade e aí, de repente, sforzato! Afonso Freitas, já amarelado, pisou um adversário e recebeu ordem de expulsão. Os adeptos da casa aplaudiram, e a música mudou.
Por ter perdido uma das suas peças defensivas, Moreno foi obrigado a ir ao banco - tirou Nélson Da Luz, autor do único remate da sua equipa, e lançou Ogawa -, mas não foi o único a mexer...

Depois veio o DJ
Rúben Amorim avaliou o contexto do jogo, esse que seria de vantagem numérica e muita posse de bola. Olhou para o relógio, que confirmou as suspeitas de que se tratava de um sábado à noite. Decidiu. Tirou Flávio Nazinho e colocou Marcus Edwards, como quem diz que é hora de partir chão.

Não fosse já suficiente, abriu a segunda parte com um golo de fora da área, para o 3-0. Teve um desvio importante de Bamba, é certo, mas continua a haver mérito para o extremo que promete ser um ex difícil de superar em Guimarães.
Foi também aí que reparámos, já com um atraso ligeiro: Edwards fez tudo isto com o simples mexer e remexer de uns botões esquisitos na sua mesa, que o alimentava via auscultadores mal colocados nas orelhas. Era o disc jockey, dono dos ritmos e vibe da noite.
Perante um Vitória que nunca ameaçou com dez (nem com onze, diga-se), Amorim mexeu cedo e jogou a meia hora final com Paulinho, Edwards, Pote, Rochinha, Arthur Gomes e Trincão em campo. Artilharia pesada, que só fez a festa novamente no 89º minuto. Um belo golo de Paulinho, a lembrar que por vezes eles até caem, mas por norma levantam-se. Foi anulado, no final imperfeito de uma noite que, de resto, foi feliz para o leão.









