Acabou-se a magia, mas não deixou de ser uma noite mágica na Reboleira. Jorge Jesus voltou a ser feliz no reencontro com o seu «Estrelinha», como carinhosamente lhe chamou, e o Benfica conseguiu o apuramento para os quartos de final da Taça de Portugal com naturalidade, apesar da boa réplica do Estrela, que se despede da Taça de Portugal com uma caminhada positiva e com bons sinais para um futuro que se espera novamente de Primeira.
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Momentos especiais antes do golo desbloqueador
Ainda não tinha sido dado o apito inicial e já Jorge Jesus visitava os cantos à casa. No tão aguardado regresso ao Estádio José Gomes, o treinador do Benfica recordou outros tempos e deu passos lentos pelo relvado da Reboleira enquanto os jogadores de ambas as equipas aqueciam. No reencontro com o seu «Estrelinha», Jorge Jesus pensou também no jogo do campeonato no Dragão e apresentou uma equipa fora do habitual, que ainda passou por dificuldades na primeira parte.
Apesar da diferença de escalões, o Estrela ainda não tinha perdido qualquer jogo esta época e já havia eliminado o Farense. Para muitos destes jogadores, este era o encontro mais importante das suas carreiras e a equipa de Rui Santos não tremeu ao encarar a águia olhos nos olhos.
Com uma defesa pouco rotinada - Todibo fez a estreia pelo Benfica -, o Estrela procurou ser rápido e eficaz nos seus ataques, com Horacio Jau no transporte e Paollo Madeira na profundidade a causar algumas dificuldades a Jardel e a aparecer em zona de finalização. Helton Leite, que já havia defendido um bom remate de Sérgio Conceição, passou por alguns sustos, tal como a defesa encarnada, mas o Benfica acabou por estabilizar e assumiu o estatuto natural de superioridade.

Gonçalo Ramos e Seferovic fizeram dupla de ataque, mas foi o lado direito das águias a dar nas vistas. Diogo Gonçalves e Pedrinho ainda ouviram alguns berros de Jorge Jesus, mas foi na dinâmica criada à direita que acabou por aparecer o golo... do lado esquerdo. Filipe Leão ainda impediu o golo de Seferovic, mas Chiquinho apareceu para encostar e descansar os encarnados, que antes do intervalo conseguiam chegar à vantagem depois de 45 minutos de equilíbrio.
Podia dizer-se que a desvantagem era injusta pela postura e pelo que o Estrela foi mostrando durante a primeira parte. Rui Santos prometeu que a formação da Reboleira ia jogar como sempre e foi mesmo isso que a formação da Reboleira procurou, mas a segunda parte trouxe o avolumar do resultado, apesar de mais uns fogachos da equipa tricolor.

O golo de Seferovic logo a abrir a segunda parte foi difícil de superar, embora o Estrela ainda tenha acreditado em tirar algo deste encontro depois de Latón conseguir reduzir a desvantagem. Um golo seria um prémio justo para a equipa de Rui Santos, mas o VAR acabou por ver bem um fora de jogo que inviabilizou a jogada e os festejos amadorenses.
Com a temperatura a descer, a vantagem benfiquista foi crescendo. O Estrela perdeu algum do rigor defensivo que havia mostrado e procurou arriscar mais para conseguir arrancar pelo menos um golo para recordar antes da cada vez mais certa eliminação, mas foram Chiquinho e Waldschmidt a marcar e a sentenciar uma eliminatória desequilibrada à partida, mas que o Estrela tentou sempre equilibrar.
A equipa da Reboleira despede-se de uma Taça de Portugal que em tempos conquistou, num reencontro com Jorge Jesus que certamente deixou o técnico satisfeito, não apenas pela passagem aos quartos, que é natural, mas porque no Estádio José Gomes há um Estrela a brilhar cada vez mais e que num dia especial deixou a promessa de mais reencontros futuros.










