* com Ricardo Miguel Gonçalves
História feita em Moreira de Cónegos, mas não para a formação caseira. A turma de Vasco Seabra deu uma parte de avanço e mesmo quando apareceu acabou por ser infeliz, ao sofrer um golo na reta final do jogo, quando já jogava com 10. Festa para os açorianos, que seguem em frente para os quartos de final da Taça, ronda a que chegam pela primeira vez.
O risco que não recompensou
O sorteio ditou que se jogaria em Moreira de Cónegos, mas mais parecia que o jogo era nos Açores, ao ver aquilo que se passou em campo nos minutos iniciais. O Santa Clara dominava, não em termos de posse de bola, mas no índice de trabalho e no desejo de chegar rapidamente à área adversária.

O jogo favorecia um Santa Clara que tinha sempre mais espaço para fazer passes de risco e colocar a bola mais perto da área adversária. Shahriyar, avançado dos açorianos, ajudou a disfarçar o seu isolamento com um grande volume de trabalho e movimento no ataque. Longe do golo - testou Pasinato apenas uma vez -, mas ora no meio, ora numa das faixas, o iraniano esteve sempre envolvido no jogo.

Impulsão do Irão
Foi através das bolas paradas que o Moreirense se colocou no jogo. Abriu o segundo tempo logo com um canto e um pontapé livre, mas à terceira foi mesmo de vez e o golo chegou em novo canto. A defesa açoriana estava pronta para lidar com a bola aérea, mas, quando Walterson conseguiu receber pelo chão, não houve compostura suficiente para parar a destreza do atacante, que encontrou espaço para finalizar entre as pernas do avançado.

Com o empate no marcador, o Santa Clara chegou-se à frente e criou as condições para uma fotocópia do primeiro tempo, mas ao contrário. Ibrahima Camará, que não tem tido muitos minutos na Liga NOS, foi o dínamo no Moreirense, conseguindo pressionar, recuar, recuperar e servir os colegas com um passe frontal em mais do que uma ocasião. Derik Lacerda e Walterson agradeciam, com tempo e espaço para correr em direção à linha defensiva adversária.
O domínio do Moreirense era frágil o suficiente para ser descrito como uma quebra no Santa Clara. O jogo equilibrou e manteve-se calmo até uma reta final, altura em que uma entrada irresponsável de Rosic sobre Ukra acaba em segundo amarelo para o defesa do Moreirense. O sérvio chega à bola, mas também chega de sola ao joelho do adversário.
Se esse lance foi polémico e de difícil análise, então o seguinte seria ainda mais. Com um elemento a mais, o Santa Clara marcou o golo da vitória com Shahriyar a saltar mais alto - um pulo realmente impressionante - e a marcar de cabeça após cruzamento de João Afonso. A festa foi dupla, com o iraniano a repetir a êxtase depois de ver o golo validado pelo VAR.









