30 anos depois, outra vez 2x0. 30 anos depois, Estrela e Farense encontraram-se na Taça de Portugal. 30 anos depois, a equipa da Amadora foi mais forte. O resultado fez lembrar o dia em que o Estrela de João Alves, com golos de Paulo Bento e Ricardo Lopes, venceu a Prova Rainha do futebol português, no Jamor, com o Farense como adversário. Não foi bem isso que aconteceu esta tarde no Estádio José Gomes, mas viveu-se mesmo um regresso ao passado na Amadora.
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Estrela e Farense são dois clubes distantes na geografia, mas com vários pontos de proximidade que, 30 anos depois, voltaram a tocar-se num ano histórico para as equipas da Amadora e de Faro. A final da Taça de Portugal, conquistada pelo Estrela orientado por João Alves, está distante no tempo, mas presente nas memórias daqueles que nos últimos anos viram Farense e Estrela baterem no fundo e agora reerguer-se. Os algarvios já chegaram ao topo do futebol nacional, o Estrela está agora nos campeonatos nacionais, ainda com dois degraus pela frente. Esta tarde, no histórico Estádio José Gomes, não houve divisões, houve, isso sim, um reencontro especial que entristece apenas por não ter cheias as bancadas.
No relvado não há divisões
Quanto ao futebol, sinal mais de início ao fim para o Estrela. A equipa de Rui Santos entrou com a missão clara de fazer surpresa e reeditar aquela Taça de Portugal conquistada diante dos algarvios e o Farense, com Sérgio Vieira pressionado pelos maus resultados no campeonato apesar das boas exibições, a sentir dificuldades desde o apito inicial.
O primeiro sinal foi dado logo por Hélder Laton, que avisou Hugo Marques com um remate perigoso que acabou por dar canto. O Farense procurou equilibrar a partida depois do choque inicial, mas os algarvios estavam sem ideias e não conseguiam penetrar na organizada defensiva tricolor, que teve em Yuran, o sub-capitão, uma forte e audível voz de comando nas bancadas do Estádio José Gomes.

Sem adeptos, mas com alguns convidados, jogadores não convocados e elementos da direção, o Estrela ia ganhando confiança com o passar dos minutos e sentia um Farense apático, que contrastava com o que se tinha visto no campeonato. Se as forças estavam equilibradas a nível futebolístico, a nível mental o ascendente era claramente para a equipa da casa, que mais confiante ficou depois de Yuran, o tal que tinha dado o aviso, abrir o marcador na sequência de um pontapé de canto ao qual Hugo Marques não ficou isento de culpas.
Ao Farense nada corria bem. Ryan Gauld e Mansilla eram os únicos a tentar agitar o jogo, mas o escocês foi travado por Filipe Leão na melhor ocasião algarvia no primeiro tempo e o argentino nem conseguiu chegar ao momento de finalização. O intervalo acabou por chegar com o Estrela novamente por cima, com duas boas ocasiões de Paolo Madeira, uma com um remate de fora da área e outra num cruzamento venenoso de Sérgio Conceição, a ameaçar aquilo que viria a acontecer logo no início da segunda parte
O regresso ao passado e a incógnita para o futuro
Se no campeonato a situação está difícil, Sérgio Vieira sentiu-se ainda mais apertado ao intervalo, com o Farense a perder e distante de dar sensações de reviravolta. O técnico algarvio foi claro nas suas intenções, mas a ideia saiu furada logo no reatar do encontro. Madi Queta, Licá e Patrick foram a jogo numa demonstração clara de que o Farense vinha com tudo para a segunda parte, mas o Estrela não precisou de alterações para voltar a festejar.

Após passe falhado de Ryan Gauld e insistência tricolor, a bola sobrou para Horácio Jau, que juntou à boa exibição o golo que fazia sonhar os homens do Estrela e colocava o resultado num 2x0 que trazia boas memórias aos adeptos da formação da Amadora. Não foi preciso mais.
O Farense estava em clara tarde negativa - Alex Pinto e César saíram lesionados -, mas a eliminação esteve longe de ser um azar para a formação algarvia, inferior a uma equipa do Estrela que mostrou em campo argumentos para sonhar, não só no Campeonato de Portugal, onde tem sido uma das melhores equipas, mas também na Taça de Portugal. O título de tomba gigantes já fica nos registos e agora segue-se o Anadia. O trajeto dificilmente será aquele que, em 1989/90, levou o Estrela à conquista da Prova Rainha, mas num projeto com o objetivo de regressar a esses tempos está aqui um belo regresso ao passado.
E já que falamos em passados e presente, o que dizer agora sobre o futuro de Sérgio Vieira em Faro?





