Londres voltou a ter o vermelho do Arsenal. Os gunners bateram o Chelsea na final, por 2x1, e conquistaram a 14ª Taça de Inglaterra do seu palmarés.
Num jogo em que os blues entraram com tudo, sobressaiu a capacidade de reação da equipa de Arteta e um Pierre-Emerick Aubameyang que vai respeitando muitíssimo bem o legado da camisola 14 de Henry.
Pulisic, um craque a sério
Sem público, esta era uma final diferente da Taça de Inglaterra. Um Wembley que se imaginaria cheio esteve vazio, mas as duas equipas londrinas mais tituladas das últimas décadas fizeram por honrar o nome e o prestígio da competição. Até pode ter sido jogada já em agosto, até pode ter tido alguns erros, naturais face à época longa e especial que vivemos, mas foi quase sempre uma partida interessante esta disputada entre blues e gunners.
Foi o Chelsea a entrar melhor. Muito melhor. É verdade que a primeira oportunidade até apareceu junto à baliza de Cabellero, num cabeceamento de Aubameyang que passou ao lado, mas tivemos de esperar apenas cinco minutos para o primeiro golo, após bela jogada coletiva. Pulisic apareceu no meio para desequilibrar, lançou Mount, o jovem inglês cruzou, Giroud assistiu com muita classe, já na área, de calcanhar, e Pulisic finalizou com categoria, depois de passar como um relâmpago por Tierney.

Na verdade, aquilo que o americano fez na primeira quinzena de minutos foi impressionante. Não foi só o golo, foram as duas/três jogadas de grande qualidade, de pura inspiração, que criaram uma série de desequilíbrios e que deixaram a defesa do Arsenal algo perdida. Estava mesmo muito complicado para a turma de Arteta e só a segurança de Martínez impediu males maiores.
Apesar da época não ter sido fácil, este novo Arsenal, comandado pelo antigo adjunto de Guardiola, já tinha provado que se podia superar, mesmo contra as melhores equipas inglesas. Tinha sido assim contra o City, na meia-final, contra o Liverpool, na Liga, voltou a ser assim a partir dos 20 minutos da final. Várias jogadas de ataque bem pensadas e desenhadas, especialmente à procura da velocidade dos dois protagonistas do lado esquerdo (Maitland-Niles e Aubameyang), qualidade no flanco contrário, através de um Pépé confiante e assertivo no cruzamento, e um golo, plenamente justificado, de grande penalidade, num lance em que Azpilicueta não teve pernas para a velocidade do melhor marcador dos gunners, que lá picou o ponto outra vez.
E o golo não baixou a guarda do Arsenal, que continuou por cima até ao intervalo, com mais e melhores ideias no momento de ter a bola.
Tanto azar e tanto talento
Azpilicueta, infeliz no lance do golo, já tinha saído devido a complicações musculares e a segunda parte começou praticamente com mais uma dor de cabeça para Lampard. Pulisic voltou a fazer das suas, numa daquelas arrancadas, falhando, contudo, no momento da finalização. Logo no momento, percebeu-se que já na hora de atirar à baliza o americano estava fragilizado do ponto de vista físico. Não deu para continuar, numa péssima notícia para o Chelsea e para o jogo, porque foi muito o talento deste extremo a fazer esquecer a ausência de adeptos e de cor.
Ao contrário da primeira, a segunda parte foi menos bem jogada, menos espetacular, mais tática e especulativa. O Chelsea teve mais bola, o Arsenal jogou mais perto da sua própria baliza, à procura de segurar e de ter espaço para as transições. Numa dessas jogadas, o trio da frente combinou para a reviravolta. Pépé interpretou bem a desmarcação de Lacazette e assistiu Aubameyang do outro lado. O gabonês fez o que quis de Zouma, antes de picar a bola com categoria por cima de Caballero.
O cenário ficou ainda menos simpático para o Chelsea logo a seguir, com a expulsão de Kovacic, numa decisão muito discutível do árbitro da partida. O Arsenal ficou ainda mais confortável, enquanto o azar continuou a bater à porta de Lampard. Pedro, um dos que saiu do banco para agitar, também saiu lesionado, numa prova derradeira que a tarde estava mesmo para o Arsenal de Arteta.


