Começam a faltar as palavras para a campanha da Atalanta nesta Champions. Depois do 4x1 da primeira mão, um inesquecível 3x4 em Valência. Ilicic fez poker e entrou para a eternidade daqueles que disputam a melhor prova de futebol europeu.
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Um susto chamado Diakhaby
Apesar das vozes dissonantes e das críticas, o futebol europeu do mais alto nível continua, mesmo sem adeptos. Mas é impossível começar a falar deste Valência x Atalanta sem destacar a tristeza que este desporto ganha com as bancadas vazias. E então em noites europeias o silêncio é ainda mais ensurdecedor e deprimente.
No campo, a Atalanta começou praticamente a ganhar. Já não bastava a vantagem larga trazida da primeira mão, os italianos contaram ainda com um Diakhaby absolutamente desastrado nas abordagens junto à sua própria baliza. Estava cumprido pouco mais de um minuto quando a primeira de duas surgiu, tendo o central derrubado Ilicic na área. O criativo esloveno, perante tal prenda, limitou-se a demonstrar toda a sua classe na marca dos onze metros.

Levantava-se uma montanha ainda mais complicada de subir para o Valência. A turma de Celades reagiu, conseguiu ter o domínio territorial da partida e, numa das primeiras oportunidades, Gameiro aproveitou da melhor forma um erro grave do central Palomino para empatar a contenda. Poderia ser o início de alguma coisa épica...
Não foi, desde logo porque a pressão em cima da baliza de Sportiello durou pouco. Depois, porque esta Atalanta tem consistência e qualidade suficiente para reagir aos momentos de maior aperto. E ainda apareceu novamente Diakhaby para uma segunda grande penalidade escusada, com Ilicic a carimbar o bis e a deixar os muitos adeptos che fora do estádio em desespero.
A celebração de um génio
Restavam 45 minutos para o Valência deixar uma imagem mais positiva e o resultado do agregado mais condizente com o valor e com a história dos dois clubes. Jogou-se demasiado com o coração, mas, pelo menos, ofensivamente, a equipa de Celades ainda deu um ar de sua graça.
Sim, porque quem tem um talento como Ferrán Torres e um avançado como Kevin Gameiro pode fazer golos em qualquer altura. Nos primeiros 25 minutos do segundo tempo, os dois jogadores carimbaram a reviravolta e o Valência pôde sonhar, pelo menos durante uma mão cheia de minutos.
Depois, foi ver o talento de Ilicic a espalhar classe por um estádio deserto. Em transição ou em ataque posicional, a Atalanta começou a aproveitar o desequilíbrio defensivo do adversário e os dois golos e nova reviravolta foram uma realidade, com o criativo esloveno a deixar autênticos poemas com o seu pé esquerdo.
Em Bérgamo, que se festeje, mas com calma a prudência, se possível sem sair de casa. O tempo é de história, esta Atalanta merece todos os elogios, mas as receções e as invasões na rua vão ter de esperar mais um pouco...





