De tanto que falámos de banho ao longo dos últimos dias, a propósito de uma curiosa foto que une as maiores figuras destas seleções, eis que o destino quis que a final do Mundial 2026 fosse, de facto, um banho de bola.
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A história não foi sobre Yamal, muito menos sobre Messi, mas sim sobre o coletivo da Espanha e a forma como este se superiorizou, de forma clara e inquestionável, ao da até aqui campeã em título. A Argentina não teve argumentos e só ao fim do prolongamento (ao qual chegou a coxear) teve, sequer, remates.
No meio de tanta insistência por parte de uma equipa tão bem trabalhada por Luis de la Fuente, acabou por ser Ferran Torres o herói. O jogador do Barcelona apareceu no sítio certo, aos 106 minutos, para escrever o seu nome na história e dar à roja o seu segundo título mundial, depois do de 2010.
Os primeiros indícios de uma força dominante
A contagem decrescente até ao pontapé de saída foi de dar a volta à barriga de qualquer um. Se seria o início de uma nova era ou a prova de vida de um monstro eterno? Não sabíamos ainda, mas mesmo os mais neutros sentiram a dimensão da ocasião.
Em campo isso ficou patente. Sim, vimos Lamine Yamal aparecer na área logo ao quinto minuto, depois de combinar com Dani Olmo. Sim, Lionel Messi respondeu rapidamente com uma arrancada que obrigou Unai Simón a sair da baliza. Os ingredientes da narrativa favorita de todos já soltavam os primeiros aromas, mas o caldo nem chegou à fervura...

O avançar do relógio não trouxe mais ação ao raio dos guarda-redes, com o risco a manter-se um luxo guardado para fazes mais tardias do jogo. Cucurella a ganhar algum protagonismo à esquerda, já que o 19 atraía muitas vezes a dupla marcação do lado oposto, mas isso cansou mais o adversário do que o feriu.
Para mexer um pouco com a noite - e não deixar ninguém esquecer que o pináculo do futebol se viveu, deste vez, nos Estados Unidos - tivemos um intervalo alargado e que rapidamente virou fever dream. Ronaldo e Ronaldinho a acompanhar Madonna num campo cheio de Marretas e para onde Justin Bieber foi lançado por Ted Lasso. Também houve Shakira e uma série de outros artistas que não somos qualificados para identificar.
Final sem golos?
Terminado o show da América, que ainda ninguém podia totalmente descartar como campeã ao ver Trump de troféu em punho e ao lado de Infantino, voltámos à verdadeira festa, com espanhóis e argentinos no centro da ação. Festa no sentido mais otimista da palavra, já que a mesma ordem da primeira parte se manteve durante largos minutos.
A equipa de Lionel Scaloni não deu qualquer indício conseguir (ou querer) dividir o jogo, batendo o recorde de minutos sem rematar numa final. As evidentes limitações com bola e a excessiva agressividade sem ela levaram a uma exibição que apagou um pouco do brilho que a caminhada no torneio tinha tido e empurrou, também, os adeptos neutros para uma Espanha que continuou sempre melhor.
Leandro Paredes foi lançado ao intervalo mas entrou muito mal e as restantes substituições argentinas tiveram um rendimento semelhante, enquanto a equipa de Luis de la Fuente soube manter-se em cima graças a um belo jogo de Pedri. Ferrán Torres foi quem beneficiou de mais situações de golo, mas também Laporte, Cubarsí e o recém-lançado Nico Williams ameaçaram um golo que teimou em não chegar.
Já nos descontos vimos a primeira cavalgada dos sul-americanos até à área adversária, no que ameaçou ser uma grande traição de todas as expectativas, mas o lance nem deu remate (zero no total dos 90 minutos!) e dois minutos depois a sentença chegou na forma da expulsão de Enzo Fernández, que condenou a equipa a um prolongamento com 10 pela excessiva agressividade do ex-Benfica sobre Cubarsí.
Por fim, a festa roja!
Lamine Yamal teve o mundo nos pés aos 90+8, quando foi chamado a cobrar um livre perigoso a fechar o tempo regulamentar, mas Emi Martínez voou para mais uma defesa.
No prolongamento, Nico Williams colocou a bola, finalmente, dentro das redes. Ainda assim a festa foi curta, já que Otamendi reclamou falta de Merino e a equipa de arbitragem anulou o lance, permitindo à Argentina continuar a sonhar com o seu único caminho para uma eventual vitória: os penáltis.
Só no segundo tempo do prolongamento - que não teve espetáculos ao intervalo - vimos o tão aguardado desbloquear do nulo. Ferran Torres escreveu o nome na história e desbloqueou a festa roja, explosiva, junto à bandeira de canto mas também por todo o planeta. Um golo mais que merecido.
Por pouco não vimos uma Argentina sem rematar em 120 minutos de jogo, até que os instantes finais ameaçaram um grande golpe. Mas Senesi não marcou no último minuto, Giuliano Simeone também desperdiçou nos descontos e o apito final chegou com a derradeira confirmação: a Espanha é a nova campeã do mundo!
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Ferran Torres (Espanha): Levou para a frente de ataque uma imprevisibilidade de movimentos que se distinguiu daquilo que Oyarzabal vinha fazendo. Permitiu à equipa criar mais na área, aparecendo no fim de vários movimentos, e mereceu escrever o seu nome na história do futebol.
Rodri (Espanha): O capitão já foi Bola de Ouro e mostra os motivos disso em quase todos os jogos. Já não tem a mesma disponibilidade física de antes - tanto que não foi além dos 99´ -, mas o cérebro e a técnica continuam disponíveis para agarrar qualquer jogo. Foi justamente o MVP do torneio.
Pedri González (Espanha): Perdeu algum espaço na equipa durante a fase final do torneio, mas não deixa de ser uma das figuras da mesma e mostrou-o este domingo, com uma excelente exibição a partir do banco.
Lamine Yamal (Espanha): Não deu ao jogo o que muitos gostariam que tivesse dado (golos e assistências), mas conseguiu dar muito, mesmo sendo o jogador marcado de forma mais cerrada em campo. Não é só o futuro que lhe pertence.
Emiliano Martínez (Argentina): O motivo de um jogo tão desequilibrado ter ido a prolongamento prende-se sobretudo com a forma como Emiliano Martínez se manteve ligado e disponível para evitar golos nas variadas vezes que os seus defesas não corresponderam. O melhor da Argentina.
Incidentes: O filme do jogo

















