Há reencontros que prometem mudar tudo, mas acabam por confirmar a repetição de uma história antiga.
Marrocos tinha esperança suficiente para acreditar que desta vez seria diferente, num estilo de otimismo romântico que vimos a preto e branco em Casablanca, mas o reencontro acabou por ser tal e qual o de há quatro anos no último Mundial: um 2-0 favorável à França.
We'll always have you, Doha e Boston, como lugares onde vimos o tombo de uma das seleções mais entusiasmantes dos campeonatos do mundo. Mas os franceses não são vilões! Mereceram passar, diga-se, com uma exibição dominante que reforça o seu estatuto de favorito e que podia até ter atingido números maiores.
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Seguem-se as meias para os franceses, que lá encontraram o vencedor do próximo jogo desta competição: Espanha ou Bélgica.
O Bono de família
Por mais que muitos dos adeptos (supostamente) neutros quisessem uma surpresa neste jogo, a verdade é que o favoritismo estava firme no lado bleu das trincheiras.
O jogo em si confirmou esse favoritismo, já que os franceses entraram mais fortes, dominantes, e determinados a transformar o controlo em vantagem muito cedo na tarde. O que os impediu? Mais do que a organização adversária, foi mesmo Yassine Bono.

Marrocos continuou a não ter capacidade ofensiva, não conseguindo sequer passar a pressão adversária, mas graças ao abono de família que chegou pela baliza ainda estava vivo no jogo. A única bola que bateu Bono foi um remate de longe de Lucas Digne, mas esse foi contra a trave.
Round up the usual suspects
Quando a situação aperta, aparecem os suspeitos do costume. Neste caso referimo-nos ao camisola 10, figura e capitão da seleção vencedora, e do camisola 7, que é o segundo melhor marcador e - recorde-se - o atual detentor da Bola de Ouro.
Mbappé não conseguiu tirar o que queria da primeira parte, mas tratou de corrigir a situação no segundo tempo quando recebeu uma bola de Desiré Doué e imediatamente rodou na direção da baliza, que encontrou com um remate bem medido e colocado junto à malha lateral do poste mais distante. O 20º golo em Mundiais, oitavo neste.Apenas cinco minutos depois disso fez o passe (e a arrancada) que permitiu a Ousmane Dembélé marcar o 2-0, com o remate que Bono quase desviou mas que aparentemente nem no melhor dia do guarda-redes foi possível. Um bom golo de um atacante que quase duplicou os seus golos pela seleção neste Mundial: fez aqui cinco do total de 12.
Depois disso chegámos a ver uma versão mais atrevida de Marrocos, mas a ausência de Saibari (lesão) e as vastas tarefas defensivas de Hakimi impediram a equipa de criar o que gostaria. Aliás, o 3-0 esteve sempre mais próximo, com Mateta, lançado no final do jogo, a aproximar-se do golo por duas vezes.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Ousmane Dembélé (França): Não foi o mais envolvido dos atacantes franceses durante todo o jogo, mas foi de longe o melhor. Teve um bom aproveitamento de todas as suas ações e na oportunidade que teve para resolver o jogo, resolveu.
Kylian Mbappé (França): Um penálti desperdiçado poderia mexer com a cabeça de alguns, mas no caso de Mbappé não impediu a construção de uma vitória com grande impacto pessoal. Fez o primeiro golo, assistiu o segundo e segue para as meias como favorito a MVP da prova.
Yassine Bono (Marrocos): Grande exibição! Foi o elemento com mais trabalho da equipa, já que o resto dos jogadores pareceram entrar em campo com uma sensação de derrota prematura, mas foi também o que melhor respondeu. Fez várias defesas, incluindo o mergulho para agarrar o penálti.
Noussair Mazraoui (Marrocos): Apareceu como central pela esquerda e não conseguiu estar à altura da ocasião. Dificuldades no posicionamento, pouco impacto com bola e ainda um corte falhado que por muito pouco não ofereceu o 1-0 ao adversário.
Incidentes: O filme do jogo









