Foi já para lá do minuto 120', em pleno prolongamento, que uma grande penalidade - que dará que falar - permitiu à Bélgica finalizar uma reviravolta épica e vencer o Senegal por 3-2. Os senegaleses tiveram o jogo na mão, mas deitaram tudo a perder no final do tempo regulamentar.
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Depois de uma fase de grupos atribulada para ambas as seleções, Bélgica e Senegal defrontavam-se nestes 16avos, de olhos postos nos oitavos de final. Era, no plano teórico, um dos jogos mais equilibrados desta fase da prova.
Sem o habitual favoritismo da Bélgica, uma seleção europeia, o Senegal foi quem assumiu o controlo no arranque do jogo. De resto, os senegaleses foram muito pacientes com bola, aproveitando o bloco baixo belga, e iam tentando potenciar as permutas entre alas e extremos para criar desequilíbrios. Deixaram logo um aviso por Ismaila Sarr, numa má saída a um cruzamento, por parte de Courtois - foi ao poste.

Mas não se ficaram por aqui. Com a Bélgica passiva, o Senegal foi crescendo, entrando na área adversária com diagonais dos médios e acabou por ser feliz: aos 24', Sarr respondeu ao cruzamento de Sadio Mané na esquerda e cabeceou ao poste, mas Habib Diarra aproveitou a passividade adversária e, com todo o tempo do Mundo, aproveitou para encostar para o 0-1.
Este golo foi procedido da já habitual pausa para hidratação, que surgiu no timing perfeita para a Bélgica. Este desconto de tempo permitiu aos belgas subir linhas e começar a chamar mais o seu meio campo ao jogo. Com Tielemans e De Bruyne com mais bola e um Doku mais atrevido na direita, começaram a aproximar-se da área oposta, mas apenas sinalizaram com cruzamentos e ameaçaram com remates de longe.
Rudi Garcia fez entrar Lukaku ao intervalo para dar maior presença física no seu ataque, mas a verdade é que a posse belga pouco melhor, mesmo com essa referência para o jogo de pivot. Do outro lado, o Senegal continuou personalizado e aprovritou um momento de magia para ampliar. Aos 51', Moussa Niakhaté fez um passe magistral ainda no seu meio campo e desmarcou Ismaila Sarr nas costas da defesa. Este parou de peito, entrou na área e rematou para o 0-2 (que o isolou como melhor marcador da história do Senegal em Mundiais).
Os belgas estavam em maus lençóis. O seu selecionador foi tentando revigorar a equipa e foi dando alguma frescura, com as entradas do benfiquista Dodi Lukebakio, Diego Moreira e Nicolas Raskin - tirando mesmo De Bruyne e Doku, o que causou indignação nos jogadores -, mas a sua posse de bola era lenta e inconsequente. O perigo inexistente. E os belgas ferviam por todo o lado, ao ponto de discutirem acesamente na pausa para hidratação - com Rudi Garcia a ter de separar Trossard e Tielemans.

Durante largos minutos o jogo parecia mais do que controlado por parte do Senegal. Mas parecia apenas. O futebol tem destas coisas e, por vezes, basta um pequeno momento para acender uma faísca. Tudo começou num ressalto, aparentemente inofensivo, ganho por Diego Moreira à entrada da área, aos 86', que acabou a isolar Meunier na direita da área e este assistiu Lukaku.
Não se ficaram por aqui e apenas três minutos depois Tielemans aproveitou uma péssima saída do guardião a um cruzamento - de Trossard, por mais poético que seja - e cabeceou para o 2-2.
Épico!
Como seria de esperar, o cansaço era evidente e o prolongamento pecou pela falta de qualidade de jogo evidente. No geral, a Bélgica foi mais atrevida e tentou algumas aproximações, mas o encontro gritava pelo desempate por grandes penalidades, que parecia inevitável.
Contudo, já para lá dos 120', Tielemans caiu na área, numa dividida com Lamine Camara, e o lance foi escrutinado de alto a baixo pelo VAR. As imagens deixaram muitas dúvidas e a sua conclusão dependia muito de ângulo para ângulo. Mas o árbitro caiu para a decisão de assinalar grande penalidade e foi o próprio Tielemans quem cobrou com sucesso, impediu a lotaria e qualificou a Bélgica para a próxima fase.
Com este resultado, a Bélgica fica à espera do vencedor da eliminatória da eliminatória entre os EUA e Bósnia e Herzegovina.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Youri Tielemans (Bélgica): a equipa cresceu com o seu crescimento e acaba a ser decisivo. Marca dois golos e ganha o penálti que dá a vitória. Foi o farol da equipa a nível ofensivo.
Romelu Lukaku (Bélgica): pareceu perdido ao entrar, mas acabou por ser decisivo. Deu referências à equipa, segurou os defesas e deu espaço aos médios. Marca o golo que inicia tudo
Habib Diarra (Senegal): encheu o meio campo senegalês até deixar de ter pernas e prova disso é que a equipa sentiu a sua saída. Merecia mais.
Ismaila Sarr (Senegal): o lance do 0-2 é de génio e daqueles que ficam na memória. Tornou-se o melhor marcador de Senegal em Mundiais e foi um lutador na frente.
O árbitro
O hondurenho Saíd Martínez teve uma exibição sóbria na maioria do jogo, mas acaba no momento decisivo do jogo. A grande penalidade final deixa muitas dúvidas e depende muito do ângulo para decidir o seu cariz. Foi-se perdendo no prolongamento e deixou passar alguns amarelos.
Incidentes: O filme do jogo













