O Japão ameaçou, a certa altura, repetir o que Oliver Tsubasa fez no mangá - no anime o final deixa em aberto quem venceu -, mas o Brasil reagiu muito bem na 2ª parte, fez a reviravolta e venceu por 2-1. A turma canarinha segue em frente no Mundial.
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Podia bem ser o histórico final do enigmático conto de Oliver Tsubasa, Benji Price e Mark Landers, do enigmático anime Oliver e Benji, mas não. Era «apenas» um jogo referente aos 16avos de final do Mundial 2026, entre Japão e Brasil, fundamental nas ambições de ambos os países.
Contra a favorita canarinha, o Japãoentrou a pressionar alto e ameaçou a posse de bola brasileira, mas rapidamente começou a baixar as suas linhas para se proteger da transição adversária e deu a iniciativa. Numa primeira fase, Vini Jr. na esquerda, Matheus Cunha nas diagonais e Bruno Guimarães nas aproximações no último terço foram criando algum perigo e deram vida ao Brasil, mas acabaram por nascer novas dificuldades com o recuo de linhas japonesas.
Percebendo essas dificuldades dadas pela largura canarinha, o Japão recuou - ao ponto de, a certa altura, ter toda a equipa nas redondezas da área - e isso retirou de jogo os criativos brasileiros, sem capacidade de contornar o bom controlo da largura asiática. Do outro lado, os nipónicos até iam sendo algo inofensivos e dependentes de arrancadas de Junya Ito e Daizen Maeda - o ex-Marítimo - pelas alas, mas acabaram por ser felizes numa corrida insana...de Sano.
Aos 29', o médio japonês recuperou a bola em pleno círculo do meio campo, arrancou por aí fora, rematou rasteiro de fora da área e só parou para celebrar com os seus golos - Oliver Tsubasa estaria orgulhoso! Depois disso, o bloco baixo e as dificuldades brasileiras em trabalhar entre linhas só foram mais enfatizados.

Ancelotti estava claramente infeliz com a criação da sua equipa e, ao intervalo, mudou um pouco o desenho: fez entrar Endrick e assumiu um 4x2x4, por fora a obrigar os japoneses a deixar mais gente na área e, assim, ter espaço para criar nas alas. Acabou por dar muito mais espaço a jogadores como Vinícius Jr., mas não só.
Com mais gente na área, os cruzamentos brasileiros eram agora mais imprevisíveis. Casemiro, experiente e letal nessa situação de jogo, avisou aos 53' - um central cortou em cima da linha - e acabou mesmo, numa impulsão tremenda ao segundo poste, por empatar aos 56'.
Este golo galvanizou o conjunto sul-americano e apequenou o Japão. O selecionador nipónico, Hajime Moriyasu, percebeu essas dificuldades e, com o passar dos minutos, abdicou praticamente de todas as referências ofensivas da equipa - Ueda ficou praticamente só na frente - e assumindo um 5x4x1 quase fixo junto à sua baliza.
Os últimos 20 minutos foram de um autêntico sufoco para o Japão, vendo o Brasil a crescer a cada minuto. Os japoneses foram aguentando e o prolongamento parecia inevitável, mas, aos 90+6, Bruno Guimarães aproveitou uma perda de bola em zona proibida, fez de maestro e desmarcou Martinelli com classe na área. O extremo brasileiro desviou de Suzuki e acabou com o sonho japonês no Mundial.
O Brasil avança e fica à espera da Costa do Marfim ou da Noruega nos oitavos de final.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Bruno Guimarães (Brasil): na 1ª parte foi dos poucos jogadores brasileiros a conseguir ligar jogo e acabou por ser decisivo na 2ª. Teve pulmão, coração e faz uma assistência magistral para o golo da vitória.
Vinícius Júnior (Brasil): acaba por não estar diretamente envolvido em nenhum dos golos, mas faz um belo jogo. Desequilibrou, deu vida à criação ofensiva e até ajudou a defender nos momentos difíceis. Tem sido exemplo
Zion Suzuki (Japão): foi segurando enquanto pôde. Até teve algumas saídas a cruzamentos menos bem conseguidas, mas nunca se acanhou e esteve forte entre os postes. Não podia fazer mais.
Kaishu Sano (Japão): foi logo amarelado, mas soube gerir muito bem essa situação. Coesa defensivamente, deu vida com várias recuperações e fez um grande golo, que ameaçou fazer surpresa.
Gabriel Magalhães (Brasil): esteve exímio na marcação a Ueda, o avançado japonês, e aproveitou o recuo da defesa adversária para ajudar na construção ofensiva. O cruzamento para o 1-1 é belíssimo
O árbitro
O italiano Maurizio Mariani teve uma exibição sóbria e deixou um jogo sem lances duvidosos correr. Nada a apontar.
Incidentes: O filme do jogo








