O Grupo H decidiu apresentar-se ao Mundial como território de improbabilidades. Horas depois de se ver Espanha tropeçar perante Cabo Verde (0-0), também o Uruguai esteve à beira de uma estreia desastrosa frente à Arábia Saudita.
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Em Miami, foi um rugido de leão a evitar males maiores. Maxi Araújo, jogador do Sporting, marcou o golo que resgatou um empate (1-1) para os sul-americanos e impediu que os sauditas se juntassem aos cabo-verdianos na lista de protagonistas das primeiras grandes surpresas da competição.
Entre o susto e a reação
A equipa de Marcelo Bielsa entrou com a bola e com a iniciativa, mas sem a intensidade que costuma caracterizar as suas melhores versões. Maxi Araújo, o único representante da Liga Portugal no onze uruguaio (sendo que Rodrigo Zalazar se apresentou no banco, mas não foi utilizado), deu o primeiro sinal de perigo logo aos cinco minutos, obrigando Mohammed Al-Owais a uma excelente intervenção.
Perante um adversário demasiado confortável com bola, a Arábia Saudita cresceu aos poucos. A equipa orientada por Giorgos Donis percebeu onde podia ferir o Uruguai e começou a explorar as bolas paradas e os corredores laterais.

Salem Al-Dawsari apareceu mais solto, Mohamed Kanno começou a dominar os duelos e Fernando Muslera foi chamado a intervir várias vezes para impedir males maiores.
O aviso transformou-se em castigo aos 41 minutos. Depois de um canto e de uma primeira defesa de Muslera, Abdulelah Al-Amri surgiu na recarga para empurrar a bola para o fundo das redes e fazer explodir a bancada saudita.
O golo premiava uma fase em que os sauditas tinham encostado o Uruguai às cordas e deixava no ar mais uma potencial surpresa num dia já marcado pelo inesperado empate entre espanhóis e cabo-verdianos.
Al-Owais ergueu uma muralha
Bielsa percebeu que precisava de mexer e lançou Juan Sanabria e Agustín Canobbio ao intervalo. A resposta uruguaia foi imediata. Federico Viñas ameaçou por duas vezes, Valverde apareceu mais perto da área e o volume ofensivo aumentou de forma significativa. Aos 60 minutos, Manuel Ugarte acertou no poste, naquele que parecia ser o prenúncio do empate.
Mas entre o Uruguai e o golo ergueu-se uma muralha chamada Mohammed Al-Owais. O guarda-redes saudita acumulou intervenções de enorme nível. Aliás, somou nove defesas no total dos 90 minutos.
A pressão acabaria por dar resultado aos 80 minutos. Depois de uma primeira defesa de Al-Owais, Maxi Araújo apareceu na recarga para empatar a partida e devolver esperança aos sul-americanos. O jogador do Sporting recolocou o Uruguai na luta por uma vitória que parecia cada vez mais próxima.
Contudo, a reviravolta nunca chegou. Os minutos finais foram um exercício de sobrevivência saudita, com cortes sucessivos dentro da área, um Al-Owais em estado de graça e uma seleção uruguaia incapaz de encontrar o golpe decisivo.
O apito final confirmou o empate e deixa o Grupo H completamente em aberto. Depois do deslize da Espanha frente a Cabo Verde, o Uruguai evitou uma surpresa ainda maior graças ao rugido de Maxi Araújo, mas a mensagem ficou clara: neste grupo, ninguém está a salvo e não há garantias de favoritismo. Bem, é assim que é bonito o Mundial.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Mohammed Al-Owais (Arábia Saudita): no fundo, esta segunda-feira foi o dia dos guarda-redes do Grupo H. O guardião da Arábia Saudita viu a exibição que Vozinha fez com a camisola de Cabo Verde diante de Espanha e não quis ficar atrás. Aliás, acabou mesmo por ultrapassar os registos do jogador do GD Chaves e somou nove (!) defesas perante o Uruguai - o máximo do Mundial até agora. Que senhora exibição, caro leitor.
Maxi Araújo (Uruguai): o rugido de leão veio deste senhor que é bem conhecido do campeonato português. O jogador do Sporting foi uma verdadeira dor de cabeça para a defesa saudita e foi mesmo ele quem salvou o Uruguai de uma surpresa maior diante do conjunto da Arábia Saudita. Autor do golo do empate, sempre desequilibrador, Maxi Araújo fez uma muito boa exibição nesta noite de estreia no Mundial de 2026.
Mohamed Kanno (Arábia Saudita): o médio foi fundamental nas horas de aperto da Arábia Saudita. Na construção de jogo até pode ter passado despercebido, mas, na defesa, mostrou completamente o oposto. Sempre com vontade de ajudar, foi fulcral nas mais variadas bolas paradas que foram concedidas ao Uruguai, com múltiplos cortes, duelos ganhos e uma dor de cabeça para os avançados sul-americanos que bem tentaram visar a baliza, mas viram este gigante pela frente.
Agustín Canobbio (Uruguai): entrou para mudar o jogo por completo. Foi chamado por Marcelo Bielsa ao intervalo, depois de uma primeira parte quase medíocre do Uruguai diante da Arábia Saudita. O jogador do Fluminense subiu ao relvado e trouxe dinâmica, velocidade e maior rasgo ofensivo. Foi, de forma clara, o que os sul-americanos mais precisavam para inverter o rumo dos acontecimentos. Não deu para os três pontos, mas foi um dos homens que mostrou vontade de os agarrar - e fez por isso.
Incidentes: O filme do jogo














