Pela segunda vez no dia, uma seleção europeia dividiu pontos com uma congénere africana. E desta vez a distância a nível de qualidade não era tão grande, mas foi mesmo assim um resultado surpreendente, que dá uns contornos curiosos ao arranque do Grupo G.
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A Bélgica precisou de muito tempo de jogo, mexidas, e ainda de um autogolo para responder à vantagem que o Egito conquistou cedo, com um grande golo de fora da área. É um empate justo - mais um neste Mundial.
Parabéns, Mo!
Favoritismo? Não é mais do que isso mesmo e de pouco serve em campo, especialmente quando há ambição dos dois lados.
A Bélgica beneficiou do que foi, possivelmente, o sorteio mais favorável de todo o torneio. Um grupo demasiado simpático para uma seleção europeia que tem muita qualidade, mas convive com o fim do que foi uma geração dourada. Para o Egito, a idade do ouro foi um par de milhares de anos antes de Cristo, mas lá Mohamed é o profeta que mais importa. Para este contexto, Mohamed Salah, faraó que governa o futebol deste país.

Foi quase um dia em cheio para Mohamed Salah. @Getty /
É dele o nome que mais chama à atenção ainda antes do apito inicial. O craque que está de saída do
Liverpool surge diretamente atrás de
Omar Marmoush (
Manchester City) num onze que, de resto, é composto quase exclusivamente por jogadores da liga local. Mas nem eram necessários mais recursos num dia tão especial...
O dia 34º aniversário de Salah foi, também, o dia da 115ª internacionalização. Marcou a data com um passe para Emam Ashour, que aos 19 minutos colocou os egípcios na frente com um (grande) golo que teve mérito seu, mas só acrescentou glória à lenda do 10 e capitão - depois de ter marcado os dois golos da sua nação no Mundial de 2018, esta assistência significa que teve mão nos últimos três e em metade dos seis golos que o Egito marcou na sua história em Mundiais!
Os 20 segundos de Romelu
A vantagem egípcia durou até ao intervalo. E nem foi sofrida! Os belgas tiveram mais bole, como seria de esperar, mas não produziram chocolate nenhum e foram anulados de uma forma aparentemente tranquila pela seleção africana, que ainda continuou a mostrar-se acutilante com bola.

Jogo muito disputado.
O mesmo foi verdade na segunda parte, que contou com vários remates (o mais perigoso foi um livre de
Kevin De Bruyne ao poste), mas nada de golos. Até o Egito esteve perto de ampliar, com
Ashour a perder uma grande oportunidade para bisar. Sentia-se cada vez mais a falta de referência no ataque da Bélgica, que alternou entre
De Ketelaere e
Doku.
A solução para esse problema, familiar a praticamente todos os adeptos, estava no banco. Romelu Lukaku equipou a camisola nove, entrou para o terreno de jogo e em apenas 20 segundos celebrou o golo do empate, empurrando a bola para a baliza após cruzamento de Meunier. A FIFA considerou o lance como um autogolo de Mohamed Hany, mas o impacto do avançado do Napoli pode e deve ser considerado.
Até ao fim, a Bélgica foi criando situações de várias formas. Ainda assim, não foi propriamente dominante e não mereceu mais pontos porque os egípcios, mesmo após as mexidas, nunca pararam de assustar nos momentos em que tiveram posse. A divisão de pontos foi um desfecho apropriado.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Emam Ashour (Egipto): Haverá melhor palco para conseguir o primeiro golo pela seleção? Ao fim de 30 internacionalizações, Ashour celebrou o primeiro e fê-lo numa exibição que esteve longe da perfeição (podia ter bisado e duplicado a vantagem) mas que foi muito positiva e colocou a seleção egípcia no bom caminho.
Youri Tielemans (Bélgica): Surgiu com a braçadeira de capitão e teve um comportamento à altura dessa responsabilidade. Teve muita bola e deu sempre continuidade aos lances, ainda que não tenha tido a oportunidade de chegar a zonas onde poderia ter influenciado o resultado. Bom jogador.
Muhannad Lashin (Egipto): O parceiro de meio-campo é supostamente o dono de maiores responsabilidades defensivas, mas viu o cartão amarelo muito cedo e isso mudou por completo o jogo para Lashin, que respondeu de forma muito competente com e, sobretudo, sem bola.
Romelu Lukaku (Bélgica): As estatísticas não o demonstram, já que tecnicamente foi um adversário que colocou a bola dentro da baliza, mas a entrada de Lukaku deu uma nova e necessária dimensão à Bélgica. Jogará e marcará mais no Mundial do que em toda a época no Napoli.
Incidentes: O filme do jogo
Onze do Bélgica: Thibaut Courtois, Thomas Meunier, Timothy Castagne, Brandon Mechele, Nathan Ngoy, Amadou Onana, Charles De Ketelaere, Kevin De Bruyne, Youri Tielemans, Jérémy Doku, Leandro Trossard
Onze do Egipto: Mostafa Shobeir, Mohamed Hany, Yasser Ibrahim, Ahmed Fatouh, Marwan Attia, Muhannad Lashin, Hamdy Fathy, Emam Ashour, Mohamed Salah, Omar Marmoush, Mostafa Zico
15': A Bélgica tem mais bola, mas ainda não conseguiu estabilizar o seu jogo e vai mostrando dificuldades na hora de chegar ao último terço. Jogo muito lento, para já.
19': GOLO Egito! Emam Ashour marca Emam Ashour marca o seu 1º golo na prova (1 jogos)
Grande golo da seleção do Egito! Salah, a jogar mais pelo corredor central, encontrou Ashour e o camisola 8 rodou na direção da baliza e armou um bom remate de fora da área, sem hipótese para Courtois.
25': A Bélgica precisa de aproveitar muito bem este
time-out que pode e deve servir para bem mais do que hidratação. Já estava em dificuldades para impor o seu jogo, mas o golo veio piorar as coisas: o Egito ganhou confiança e segura agora a posse.
33': Egipto: Mostafa Zico estava numa zona que não parecia ser perigosa, mas o remate cruzado criou alguns problemas à defesa belga. Courtois sacudiu.
45 +5': Egipto: Muhannad Lashin apareceu com a baliza aberta depois de uma saída em falso de Courtois num canto, com um defesa belga a cabecear antes que a bola chegasse às mãos do guarda-redes. Só não deu golo porque o jogador egípcio já não esperava ver a bola chegar.
45 +6': A Bélgica tem mais bola, como seria de esperar, mas o Egito é mais acutilante e não há qualquer dúvida sobre o mérito da vantagem que leva. Os africanos estão tranquilos na defesa da sua área e conseguem criar perigo com aparente facilidade.
53': Kevin De Bruyne (Bélgica) remata ao poste!!!
O camisola 7 foi chamado a cobrar um livre e atirou a bola para o poste mais próximo. É o lance mais perigoso dos belgas.
55': Egipto: Emam Ashour apareceu no sítio certo para uma recarga e podia ter chegado ao bis, mas atirou muito mal. Muito mal, mesmo! A bola sai pela linha lateral!
66': GOLO Bélgica: Mohamed Hany marca na própria baliza! 20 segundos em campo!!!
A bola seguiu após a substituição, Meunier colocou um cruzamento na área e Lukaku empurrou a bola para dentro da baliza! A diferença que faz ter uma referência em campo.
90 +5': O árbitro apita para o final da partida
90 +6': Segundo jogo do dia, segundo empate entre uma nação europeia e uma africana!
Desta vez a distância a nível de qualidade não era tão grande, mas foi mesmo assim um cenário de favoritismo contrariado. O empate é justo, já que os belgas tiveram mais bola, mas passaram quase todo o jogo a perseguir um resultado que os egípcios conseguiram defender com aparente tranquilidade e por pouco não ampliaram.
Melhor em campo: Emam Ashour (EGY) foi, para a redação do
zerozero, o melhor jogador em campo.
Haverá melhor palco para conseguir o primeiro golo pela seleção? Ao fim de 30 internacionalizações, Ashour celebrou o primeiro e fê-lo numa exibição que esteve longe da perfeição (podia ter bisado e duplicado a vantagem) mas que foi muito positiva e colocou a seleção egípcia no bom caminho.

