Foi uma vitória contida, mas o desejo não muda: só te queremos voltar a ver em território luso depois do dia 19 de julho, Portugal - e, se possível, recebidos em clima de festa. Há um quê de poético nesta despedida da turma das quinas, especialmente por coincidir com o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Que não seja, apenas, uma feliz coincidência.
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Portugal venceu a Nigéria por 2-1 e, verdade seja dita, o que não é coincidência é a forma como a unidade motriz do conjunto português está decidida, escolhida, pensada, trancada e... incontestada. Falamos, claro está, caro leitor, de Vitinha, João Neves e Bruno Fernandes. o duo do PSG funciona como um elástico e se queremos encontrar um deles, normalmente, basta descobrir o outro. Brunão dá a agressividade, decisão e ligação ao último terço. Aqui não há por onde enganar, Dr. Martínez!
Na hora da despedida - ou melhor, nos 90 minutos da despedida -, o conjunto português foi superior em quase todos os parâmetros que compõem o desporto-rei. Só demorou a sê-lo no que mais interessa: ter um número de golos superior ao do adversário.
A entrada no reconstruído tapete verde de Leiria foi positiva e assertiva. Vitinha e João neves esconderam o esférico do adversário, Trincão tricotou por dentro - perdoe-se a aliteração -, Pedro Neto explorou as costas, Bruno Fernandes lançou os homens da frente e Cristiano… esteve uns furos abaixo (nota negativa para o falhanço aos 9').
Ainda assim, a superioridade era notória e foi com naturalidade que o golo apareceu. Trincão tricotou (garanto que é a última vez, caro leitor), Dalot apareceu à esquerda e Pedro Neto rematou seco e cruzado para o fundo das redes.

A nota negativa ficou guardada para os últimos 10 minutos da primeira metade. Portugal relaxou e não contou com as eventuais saídas vertiginosas da Nigéria. Ou, se contou, não se protegeu nesse sentido.
Bola na frente, passividade entre Inácio e Dalot... e Adams na cara de Diogo Costa. Estava feito o 1-1.
O melhor? ficou para o fim
Na segunda parte o jogo descaracterizou-se, ou não fossem as nove mexidas de Roberto Martínez depois do descanso. Diogo Costa permaneceu em campo - o selecionador já o tinha garantido em conferência de imprensa - e, a fazer-lhe companhia como os únicos sobreviventes: Cristiano Ronaldo.
O astro português confirmou a noite desinspirada com mais uma grande oportunidade desperdiçada aos 50', mas, ainda assim, recebeu o maior aplauso da noite quando deu lugar a Gonçalo Ramos aos 64'.
Francisco Conceição foi o autor do momento da noite, quando o empate já se estava a pintar como o resultado mais provável. O irrequieto extremo da Juventus recebeu o esférico sobre a direita, conduziu-o colado à canhota, puxou para dentro e... PUM! Okoye só a viu quando já as redes abanavam e o estádio gritava.
A seleção lusa venceu - ainda que de forma tímida - a Nigéria e parte rumo aos Estados Unidos com dois triunfos em dois jogos de preparação. Há muita coisa por onde melhorar, mas também há mais talento do que nunca. E, por isso, terminamos como começámos: esperamos ver-te apenas dia 19 de julho, Portugal.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Francisco Conceição (Portugal): num jogo assim assim do coletivo luso, o jovem extremo foi um dos principais desequilibradores da 2ª parte - juntamente com João Félix e Cancelo - e acaba a fazer um golo de belo efeito, ganhando pontos para o Mundial que se aproxima.
Vitinha (Portugal): Formidável, incrível, requintado, inteligente e diferenciado. Até que inventem novas palavras na língua portuguesa, serão sempre estas as que se ajustam a Vítor Ferreira. Assim que pega na equipa a música é outra. Rouba a bola ao adversário e não mais a dá, como se de um menino amuado no recreio de uma escola primária se tratasse. Faz a equipa andar e começa a ser o maestro principal da orquestra lusa.
Cristiano Ronaldo (Portugal): Não esteve nos seus dias. Aquilo que ainda tem de melhor - faro de golo e a noção exata para estar no sítio certo à hora certa - não apareceu e acabou por ser o foco menos positivo da despedida portuguesa. Falhou duas oportunidades claras para marcar, mas, ainda assim, recebeu o maior aplauso da noite no momento da sua saída. Precisamos de um Cristiano no seu melhor no Mundial.
O árbitro
Exibição tranquila e positiva da equipa de arbitragem. Decidiram bem os lances na maioria dos casos e, com a ajuda do VAR, acabaram por não cometer erros grosseiros. Sem interferência no jogo e no resultado.
Incidentes: O filme do jogo












