Dragão coroado, 31 na cabeça, o FC Porto é o campeão nacional 25/26. A notícia já tem duas semanas e transporta consigo uma condição mais do que compreensível: a barriga cheia e o consequente abrandamento competitivo.
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Estômagos afrontados não convidam ao risco máximo e isso explica a derrota nas Vila das Aves, bem como esta vitória tímida sobre um sossegadíssimo Santa Clara.
Um autogolo de Sidney Lima, aos 69 minutos, não estragou os preparativos para a longa celebração entre clube e cidade - do Dragão aos Aliados, do fundo do poço com Anselmi até à ressurreição assinada por Farioli.
Velocidade na bancada, pé no travão em campo
Se na bancada o azul pareceu mais vivo do que nunca, na relva a conversa não teve o mesmo tom. Nem ritmo. Demasiado confortável, recostado nos despojos da glória, o FC Porto não forçou o andamento.
Teve um remate de Rodrigo Mora para espetacular defesa de João Afonso (atenção a este menino na baliza açoriana), uma longa distância de Alan Varela parada pelo mesmo guarda-redes e pouco mais.
O povo compreendeu a incomum brandura, não protestou, mas Francesco Farioli queria dar-lhe mais. Queria dar-lhe um final de festa justo, apropriado, e por isso mexeu para agitar.
Com bons resultados e algumas surpresas.
Mora & Veiga e o prémio a Andorinha
Depois de o Santa Clara ameaçar vestir o papel de vilão num remate perigosíssimo de Diogo Calila, Farioli introduziu Pietuszewski e Gabri Veiga em campo. Até aqui, nada de novo.
Surpreendente foi, isso sim, a permanência de Rodrigo Mora em campo. O prodígio deu uns passos em frente e ocupou a posição '9', até aí preenchida pelo desastrado Gul.
Veiga & Mora tentaram acelerar o passo, combinar essencialmente em passes curtos, e a equipa subiu de nível. Coincidência disso, surgiu o tal autogolo: Froholdt cruzou com violência na área açoriana, Sidney Lima desviou para o sentido proibido.
Em vantagem no marcador, Francesco Farioli decidiu distribuir prémios e menções honrosas.
João «Andorinha» Costa fez os primeiros 20 minutos na baliza da equipa A - a saída de Diogo Costa soou a... um até já emocionado - e Bernardo Lima entrou para fazer no meio-campo o que tem sido capaz de fazer na equipa B.
Mais dois nomes na lista de campeões nacionais. Mas Farioli não se ficou por aqui.
Oito meses depois de se lesionar gravemente (13 de setembro no FC Porto-Nacional), Nehuén Pérez voltou à competição. Compôs a dupla com Bednarek e passou Kiwior para a esquerda.
Numa exibição não mais do que razoável, o novo campeão acabou a vencer. O dia era de festa e outros valores se levantaram: a recompensa a uns e a aclamação a outros.
Um dragão de coroa bem colocada e a barriga cheia. As vitórias merecem ser bem digeridas.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Alberto Costa (FC Porto): solto, livre, poderoso. Acaba a época a prometer mundos e fundos para 26/27. Reencontrou a capacidade física e as boas decisões, depois de meses de intermitência. Na qualidade e na utilização. Um dos poucos que quis aumentar ritmo neste jogo de festa.
Jan Bednarek (FC Porto): recuperado do susto apanhado há poucos dias, o polaco voltou a transportar a estrela de xerife ao peito e a comandar naturalmente todas as operações. Um jogo acertadíssimo, à semelhança do feito ao longo de praticamente toda a época.
Diogo Costa (FC Porto): surge nestes destaques não pelo que defendeu (sem trabalho), mas pelo que originou no estádio na altura da saída. Um enorme tributo, uma reação emocionada, um herói portista.
João Costa (FC Porto): este homem atrai o sucesso. Campeão nacional pelo FC Porto em sub15, sub17, sub19, equipa B e, agora, equipa A. 20 minutos e mais uns pozinhos para saborear o prazer de defender a baliza da formação profissional na relva do Dragão.
Diogo Calila (Santa Clara): um remate muito perigoso, o mais prometedor do lado açoriano, e uma marcação perfeita sobre Borja Sainz. Nota muito alta do lateral nesta aparição no Dragão.
O árbitro
O ritmo baixo facilitou-lhe bastante a tarefa. João Gonçalves teve o mérito de não complicar. Há, no entanto, um momento de grande dúvida na área do FC Porto: Deniz Gul tocou a bola com a mão, depois de ela lhe ter batido na barriga, mas o VAR não o chamou para ver as imagens. Na nossa opinião, ficou por assinalar um penálti, pois o movimento da mão de Gul parece ser consciente e não provocado.
Incidentes: O filme do jogo









