«Quando alguém se atrever a sufocar, o grito audaz da tua ardente voz (…) Então verás vibrar, a multidão num grito só de todos nós», assim cantam os adeptos do FC Porto na antecâmara dos jogos que realizam em casa. E assim foi. A invasão alemã - milhares de adeptos do Stuttgart deslocaram-se à cidade Invicta - bem tentou, mas foi o rugido do Dragão que prevaleceu nesta noite europeia.
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A turma de Francesco Farioli já sabia ao que vinha, mas travar a tropa de Sebastian Hoeness não foi missão nada fácil. O Stuttgart não só igualou, como superou o FC Porto nos seus próprios princípios: fisicalidade, pressão alta e marcação homem a homem em todo o terreno. Montados num surpreendente 3-5-2, os alemães foram um puzzle por decifrar até ao golo portista.

Dois avançados (Undav e Demirovic) a fixar a defesa azul e branca, um lateral esquerdo à direita (Max Mittelstadt), um trio de médios com um ala a '10' (Bilal El Khannouss). Um risco tomado por Hoeness e que apanhou Farioli desprevenido. No meio desta 'surpresa' tática, ia ameaçando o Stuttgart.
Chabot aos 2', Fuhrich aos 8', Undav aos 12', novamente Chabot aos 18'. O sinónimo em todos os lances? Diogo Costa. O guardião português brilhou na primeira parte da partida e foi a razão para os dragões irem para os balneários sem golos sofridos.
No meio deste sufoco alemão, eis que, caído do céu, surge o golo azul e branco. Zaidu ganhou coragem, driblou o seu opositor e lançou Borja na profundidade. O espanhol foi feliz no ressalto com o opositor e o esférico chegou, como se de um presente se tratasse, aos pés de William Gomes. Nubel estava batido e nada pôde fazer (21').
O golo portista serviu para abanar a comitiva alemã - tanto no relvado, como nas bancadas -, mas não por muito tempo. Os germânicos voltaram à carga e Diogo Costa, o líder da muralha azul e branca, voltou a brilhar. Destaque para as paradas aos 30 e aos 32, a remates de El Khannouss e Fuhrich, respetivamente. No regresso aos balneários o resultado era de 1-0.

(Mais um) Dia de São Diogo
Na segunda metade a toada intensificou-se. O Stuttgart veio com tudo, assumiu as despesas da partida e encostou o conjunto azul e branco lá atrás. Aos 54' já Deniz Undav tinha obrigado Diogo Costa a uma intervenção sensacional. Daí para frente o filme foi sempre o mesmo: FC Porto a fazer das tripas coração - exibição de muita solidariedade coletiva - e os alemães a tentarem de todas as formas e feitios reabrir a eliminatória.
Entre tais 'formas e feitios', a turma portista foi espreitando, através de contra-ataques, a baliza adversária. Empurrados, essencialmente, pelo fresquinho Froholdt (havia entrado para o lugar do lesionado Rodrigo Mora), os dragões pecaram várias vezes na hora de decidir. Mas 'água mole em pedra dura, tanto bate até que fura', certo? E assim foi!
Froholdt batalhou lá à frente, recuperou o esférico e enviou um míssil à baliza de Nubel. É um tratado o dinamarquês. Golo esse que, além de fazer Farioli levar as mãos à cabeça - literalmente -, levou também o FC Porto aos quartos da Liga Europa.
Sporting, SC Braga e FC Porto. Portugal faz o hat-trick nesta ronda europeia e, para os azuis e brancos, agora segue-se uma cara duplamente conhecida: o Nott'm Forest de Vítor Pereira.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Diogo Costa (FC Porto): O que dizer? É o capitão e pilar maior desta equipa. Destemido a sair dos postes e instransponível entre eles. Restam poucos elogios a fazer a um dos guardiões menos batidos da Europa. Com bola também há pouco de novo que se possa dizer. É um fenómeno! Dificulta a vida aos adversários pela qualidade técnica que possui e a assertividade no passe longo, que faz a equipa saltar linhas com uma precisão singular.
Victor Froholdt (FC Porto): O médio dinamarquês entrou para o lugar de Rodrigo Mora e foi o shot de energia que os dragões tanto necessitavam. Transportou a equipa para a frente e cobriu terreno de uma forma que só ele consegue fazer. Culminou a sua exibição com um lance à sua imagem: venceu dois duelos, recuperou a bola e depois disparou com raiva para o fundo da baliza adversária.
O árbitro
Anthony Taylor foi severo de mais na amostragem dos cartões na primeira metade. Aos 25 minutos já três jogadores do FC Porto tinham visto a cartolina amarela. Quis ser protagonista, ao contrário do que tanto se defende em Inglaterra. Não teve lances polémicos, mas foi certeiro nos duelos de maior atrito e que exigiram mais atenção. Exibição sólida no geral.
Incidentes: O filme do jogo














