Um dia depois da noite fria do Sporting em Bodo, eis que outra equipa portuguesa, também cabeça de série e teórica favorita, deu um passo em falso na primeira mão dos oitavos de final. O SC Braga quis mostrar a sua dimensão neste jogo de Liga Europa, mas os sorrisos ficaram do Ferencváros e dos seus incansáveis adeptos.
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Para os crentes, serve de consolo o facto de este jogo corresponder a apenas metade da eliminatória. Uma crença não religiosa, porque Buda, neste contexto, diz respeito à primeira metade de uma cidade rasgada ao meio pelo Danúbio. A noite infeliz dos minhotos viveu-se do lado de Peste.
Carlos Vicens estava ciente das dificuldades que encontraria frente ao heptacampeão húngaro, isso sem sequer considerar o mau histórico das equipas portuguesas neste país, mas nem assim teve resposta. A bola esteve do seu lado quase sempre (70 por cento do tempo!), o que de pouco serviu perante as facilidades de transição da oposição e do seu endiabrado Lenny Joseph.
Bola ao barulho
Em campo, o Ferencváros tentou estar à altura do que os adeptos queriam. Os portugueses tiveram mais bola, tal como seria de esperar pelo alegado favoritismo e também pelo que é hábito na equipa de Carlos Vicens.
Quando ultrapassada a pressão chegaram até a instalar-se no meio-campo ofensivo, mas isso não fez o marcador mexer. Rodrigo Zalazar foi o mais procurado e o mais perigoso. Teve uma boa oportunidade ao sexto minuto e uma ainda maior 20 minutos mais tarde. Essa segunda foi seguida de outra grande chance nos pés de Mario Dorgeles, que nada deu. Bem sabemos o que acontece a quem não marca...
Foi depois de uma bola perdida pelos minhotos que o heptacampeão da Hungria chegou ao golo, aos 32 minutos. Gabi Kanichowsky, sozinho em posição central, recebeu o passe de Lenny Joseph e bateu Hornicek no um contra um. Tudo isto frente à curva onde residem os ultras, que arranjaram forma de subir ainda mais o volume.

A situação não melhorou
Pedia-se uma reação ou prova maior de urgência na segunda parte, mas o que se verificou foi uma versão mais aborrecida do mesmo. SC Braga com a bola, húngaros mais perto da baliza devido a transições velozes e, por uma vez, à bola parada. Remates à baliza? Nem vê-los.
Foi preciso esperar até aos 68 minutos de jogo para ver remate à baliza na segunda parte. Já numa fase em que o Ferencváros começava a mostrar insistência na procura do 2-0, eis que este chegou no momento em que Lenny Joseph apareceu na área a rematar de primeira depois de uma boa arrancada do ala Cebrails Makreckis pela direita. Merecido, de certa forma.

A desvantagem de dois golos é um grande peso na bagagem de regresso a Portugal, mas para já é apenas isso. A equipa está atrás no marcador, mas só acabará derrotada na conclusão desta eliminatória se mostrar, em casa, a mesma incapacidade na criação de situações de golo.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Lenny Joseph (Ferencváros): Foi o melhor em campo. Numa noite em que os húngaros tiveram o espaço para ferir na transição, o avançado francês feriu de várias formas. Assistiu o primeiro com uma boa reação, finalizou de primeira no segundo e ainda deixou alguns pormenores que entusiasmaram.
Cebrails Makreckis (Ferencváros): Se a equipa leva uma vantagem de dois golos e não de apenas um, muito se deve a este ala letão que na segunda parte apareceu em força. é ele que cria o segundo golo e não foi a única grande chance que surgiu de uma arrancada sua.
Pau Victor (SC Braga): Não ligou jogo nem esteve perto da baliza. Não foi perigoso nem particularmente útil. Se o SC Braga fez um jogo de muita bola e pouco real perigo, então Pau Victor é a cara da equipa.
Incidentes: O filme do jogo








