Elétrico, imprevisível e de não se perder pitada. Na receção ao velho rival, Vitória SC, o SC Braga voltou aos triunfos para a Liga Portugal Betclic e vingou da melhor forma a dolorosa derrota sofrida na final da Taça da Liga. Se os bracarenses estão no quarto lugar à condição, os de Guimarães estão agora mais distantes da zona europeia.
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A primeira parte entre os dois maiores rivais do Minho não desapontou qualquer um dos adeptos presentes na Pedreira. Entre duas massas adeptas - como seria de esperar - em polvorosa, Carlos Vicens e Luís Pinto conservaram grande parte da espinha dorsal de cada uma das equipas. Diego Rodrigues foi a maior novidade nos da casa, enquanto a inclusão de Nelson Oliveira e o desvio de Gustavo Silva para uma das faixas do ataque representou a rotura maior face ao triunfo frente ao Estrela da Amadora.
Assente nos predicados acima referidos, a partida arrancou ao ritmo da maior articulação coletiva dos vitorianos. Pressionantes e assertivos nessa mesma pressão, os forasteiros causaram a primeira grande situação com a mesma receita. após recuperação alta, Diogo Sousa obrigou Hornicek a brilhar.
Parada e resposta
Nos minutos seguintes, o SC Braga manteve-se incapaz de chegar a zonas adiantas, mas, na primeira oportunidade para tal, Diego Rodrigues trocou as voltas a Gustavo Silva e este rasteirou o médio arsenalista em plena área. Na conversão do castigo máximo, Rodrigo Zalazar não vacilou como na final da Taça da Liga e deu o mote perfeito para o crescimento bracarense. Na teoria.

Isto porque no lance seguinte, Barisic alivou de forma desastrada o centro de Saviolo e permitiu o empate dos Conquistadores. Explodiam de alegria os milhares de adeptos vitorianos presentes na Cidade dos Arcebispos, aquecia ainda mais um dos jogos mais fantásticos do campeonato.
O empate abriu ainda melhores perspetivas em relação ao que já se tinha assistido e, entre ameaças bem reais de Gustavo Silva, os Gverreiros voltaram a mexer o ativo. Víctor Gómez encontrou Rodrigo Zalazar sobre a linha de fundo, com o internacional uruguaio, à boleia do requinte e ousadia que lhe são inerentes, serviu Ricardo Horta. Livre no coração da área, o capitão dos minhotos fuzilou as redes de Charles, carimbando a vantagem anfitriã até ao intervalo chegar. Pelo meio, o 3-1 do capitão dos bracarenses esteve perto, mas mais ação só na segunda etapa.
No reatar, tudo na mesma ao nível das peripécias. Com perfecionismo na reação levada a cabo, Saviolo e Gustavo Silva deram corpo às investidas visitantes e selaram o 2-2. Após cruzamento do extremo belga, desta vez, o avançado brasileiro não perdoou e restabeleceu a igualdade ao segundo poste.
Com tudo igualado no placard, permaneceu também tudo na mesma na atitude gizada dentro das quatro linhas e, a nova adversidade, o SC Braga responde com mais um lance letal. Através de uma saída notável da primeira fase de pressão dos vitorianos, Ricardo Horta surgiu pela esquerda e inverteu os papéis em relação ao primeiro tempo. Na conclusão, Zalazar sentou quem quis e reativou a vantagem mínima aos da casa.

Novamente com a equipa atrás do prejuízo, Luís Pinto procurou agitar a equipa com as entradas de Alioune Ndoye e Oumar Camara. No entanto e desta vez, a reação tardou em surgir, mesmo com o jogo um pouco mais amarrado e com os bracarenses um pouco mais cautelosos e cirúrgicos nas investidas. Mesmo assim e já depois de Carlos Vicens efetuar a sua quota-parte de mexidas, foi Fran Navarro a falhar o quarto numa emenda soberbamente defendida por Charles.
Nos instantes finais, Camara ainda chegou a estar no frente a frente com Hornicek, só que, sem a frieza de outros momentos, o jovem francês vacilou com um remate à figura que deixou os presentes no estádio com sentimentos bem distintos. Já na compensação, foi a vez de Telmo Arcanjo acelerar o coração dos Conquistadores, valendo novamente a atenção do guardião checo, numa reta final onde vitorianos apertaram e arsenalistas souberam sofrer.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Rodrigo Zalazar (SC Braga): o médio uruguaio foi um vagabundo e foi essa liberdade em campo que fez a diferença para a sua equipa a nível ofensivo. Acaba por ser decisivo, marcando dois golos e assistindo - que bela assistência - para o outro. Em conjunto com Ricardo Horta, encheu o relvado do Estádio Municipal de Braga, somando mais uma exibição que não passará ao lado de clubes mais endinheirados. Que jogador!
Ricardo Horta (SC Braga): tem 31 anos, mas parece eterno. Em mais uma das centenas de noites em que brilhou com a camisola arsenalista, o capitão do SC Braga voltou a demonstrar o quão influente é. Não tremeu na transformação do lance que resultou do 2-1 e retribuiu na segunda parte e com a mesma moeda no lance que decidiu a partida. Prossegue o grande momento de forma e continua a demonstrar-se um jogador cada vez mais maduro.
Gustavo Silva (Vitória SC): desta vez, surgiu descaído e não no eixo ofensivo, mas esse desvio tornou o brasileiro ainda mais perigoso. Com espaço e a bola colada ao pé no 1x1 ou no ataque a zonas de finalização que só ele viu, Gustavo Silva carimbou o 2-2, demonstrando, mais uma vez, a versatilidade que pode conferir aos Conquistadores. Em crescimento para o último terço do campeonato.
O árbitro
O jogo não foi fácil, por todo o seu contexto, mas João Pinheiro esteve à altura. Foi bem auxiliado no lance da grande penalidade a favor do SC Braga e foi tentando gerir os cartões num jogo quente.
Incidentes: O filme do jogo











