O AFS venceu o Estoril Praia por 3-0 e conquistou a sua primeira vitória nesta edição da Liga Portugal Betclic. À 22.ª jornada, a equipa orientada por João Henriques - o quarto técnico da época - conseguiu finalmente quebrar o enguiço e somar os três pontos, num duelo onde a eficácia caseira na segunda parte atropelou o domínio dos canarinhos de Ian Cathro. O triunfo, construído com golos de Diego Duarte, Tomané e Algobia, coloca um ponto final num jejum que parecia interminável para os adeptos avenses.
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A primeira parte, contudo, não fazia prever tamanha festa. O Estoril assumiu as rédeas do encontro e ditou o ritmo, explorando o talento de Holsgrove e Guitane para desmontar o bloco contrário. Ricard Sánchez dispôs de uma oportunidade clamorosa para inaugurar o marcador, mas esbarrou numa mancha monumental do guarda-redes Adriel. Apesar do domínio forasteiro, o AFS não se remeteu exclusivamente à defesa, dando luta e surgindo com perigo em ataques esporádicos através da velocidade de Tunde, mantendo a coesão necessária para levar o nulo para o intervalo.
Pragmatismo avense derruba domínio canarinho
O regresso dos balneários trouxe uma equipa da Vila das Aves transfigurada e com uma entrada fulgurante. Contra a expetativa geral de um domínio continuado do Estoril, o AFS aproveitou o seu melhor período no encontro para ferir o adversário. Diego Duarte inaugurou o marcador num lance de pura insistência após um lançamento longo, golo que galvanizou os avenses e quase deu origem ao segundo, negado apenas pela barra. O Estoril acusou o golpe emocional e atravessou, a partir daí, minutos de grande intranquilidade e muitos erros na saída de bola.
Aproveitando a instabilidade contrária, o AFS revelou um pragmatismo implacável para ampliar a vantagem. Num momento de infelicidade de Holsgrove, que sentiu dificuldades em aliviar o esférico à entrada da área, a equipa da casa não perdoou: o experiente Tomané apareceu de pronto e, de pé esquerdo, disparou de primeira para o fundo das redes. Era o 2-0, um castigo pesado para a falta de eficácia do Estoril e um prémio para a atenção e agressividade ofensiva demonstrada pelos pupilos de João Henriques na segunda metade.
Quando o Estoril tentava desesperadamente reduzir, o AFS desferiu novo golpe. O veterano Nenê serviu a equipa com um belo passe para Algobia no espaço à direita e o médio apareceu de rompante ao segundo poste para rematar cruzado e fixar o 3-0. Um resultado com contornos de goleada que premiou a leitura de jogo perfeita da equipa da casa e a capacidade de aproveitar cada espaço concedido por uma defensiva canarinha já completamente desorganizada.
Crença renovada: o despertar pela sobrevivência
Na fase final, a turma da casa soube estabilizar as operações e baixar as linhas com inteligência, controlando as raras aproximações do Estoril. A solidez defensiva, que tinha sido o grande problema da equipa até aqui - entrou para esta ronda como a pior defesa e o pior ataque da prova - foi desta vez o pilar que sustentou a vantagem e permitiu a Adriel manter a folha limpa. O AFS mostrou que aprendeu a sofrer sem bola, revelando uma maturidade tática que foi decisiva para segurar o resultado histórico.
Esta vitória é um verdadeiro balão de oxigénio para as contas da manutenção, deixando o AFS agora a nove pontos do lugar de play-off. Depois de cinco empates e uma longa travessia no deserto, o triunfo prova que a equipa de João Henriques encontrou finalmente o equilíbrio necessário para lutar pela permanência. A Vila das Aves celebra, finalmente, o fim de um jejum de 21 jogos e olha para o resto da temporada com uma esperança renovada e uma alma reforçada.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Tomané (AFS): Um jogo de sacrifício coroado com a glória do golo. O avançado foi um autêntico tanque durante a primeira etapa, trabalhando incansavelmente de costas para a baliza e servindo de referência para lançar os ataques da equipa. A entrega física foi total e a recompensa chegou na segunda parte: antes de ser substituído, aproveitou um brinde da defensiva estorilista para, de primeira, fuzilar e fixar o 2-0. Um golpe de mestre que abriu uma ferida profunda na moral do Estoril e sentenciou a partida.
Cristian Devenish (AFS): Exibição imperial no coração da defesa avense. O central colombiano foi um autêntico muro, anulando todas as investidas estorilistas com uma eficácia irrepreensível. Senhor de um posicionamento exímio, ganhou a esmagadora maioria dos duelos e assumiu-se como o verdadeiro patrão do setor recuado. Uma prestação assinalável e determinante para manter a baliza a zeros, revelando-se o pilar de sustentação do AFS, especialmente durante o sufoco da primeira parte, onde o Estoril foi claramente superior.
Rafik Guitane (Estoril Praia): Apagado. O extremo francês, habituado a assumir o papel de agitador no ataque canarinho, teve uma tarde para esquecer, com o jogo a passar-lhe sistematicamente ao lado. Onde costuma brilhar pelo virtuosismo individual e pela capacidade de desequilíbrio, Guitane revelou-se hoje incapaz de ferir a organização defensiva contrária, acabando por ser uma peça nula na manobra ofensiva do Estoril.
Alejandro Marqués (Estoril Praia): Perdulário. O avançado teve nos pés as melhores e únicas ocasiões da equipa na etapa complementar, mas revelou-se incapaz de capitalizar qualquer uma das oportunidades. Ao desperdiçar o golo que poderia ter relançado a discussão pelo resultado, permitiu que o AFS ganhasse conforto e continuasse a alimentar o sonho da vitória até ao apito final.
O árbitro
Tarde de gestão serena para Luís Godinho. Num encontro sem casos polémicos ou lances de análise complexa, o experiente árbitro internacional manteve sempre o controlo das operações. Soube gerir os ritmos emocionais da partida, recorrendo à amostragem de cartões amarelos em momentos oportunos para ambos os lados, garantindo que a disciplina nunca beliscasse o espetáculo na Vila das Aves.
Incidentes: O filme do jogo








