Na antecâmara de um clássico que pode redesenhar a luta pelo título, o Benfica cumpriu a sua parte. Depois do empate sem golos em Tondela, que arrefeceu o embalo encarnado, a receção ao FC Alverca surgia como um teste de obrigatoriedade absoluta: vencer para pressionar FC Porto e Sporting e manter viva a ideia de uma segunda volta disputada a três. A resposta foi positiva, ainda que longe de tranquila. O Benfica sofreu mas acabou por vencer o Alverca por 2-1 com um golo decisivo do jovem Anisio Cabral já perto do fim.
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Mexidas com efeito imediato
José Mourinho mexeu no onze e fê-lo com intenção clara. Rafa Silva voltou à titularidade pela primeira vez desde o regresso à Luz, Sidny Cabral foi lançado como lateral desde o apito inicial e Tomás Araújo ocupou o centro da defesa, numa equipa que procurava mais mobilidade e agressividade ofensiva. As alterações surtiram efeito imediato.
O Benfica entrou dominante, instalado no meio-campo adversário e a criar perigo com frequência. Aos 16 minutos, essa superioridade ganhou expressão no marcador. Rafa acelerou pelo corredor central, rematou de trivela, Matheus Mendes não segurou e Andreas Schjelderup, oportuno, encostou para o 1-0. O norueguês voltou a marcar frente ao mesmo adversário e chegou aos dez golos com a camisola encarnada, confirmando um momento de crescente influência.

O domínio, porém, não foi sinónimo de controlo total. O Alverca, fiel à identidade competitiva que Custódio Castro tem incutido, nunca deixou de espreitar a transição. E, à meia hora, castigou uma das poucas desconcentrações defensivas do Benfica. Chiquinho rompeu pelo corredor central, Marezi cruzou com critério e Figueiredo apareceu na área para finalizar de primeira, gelando a Luz e quebrando uma sequência longa sem sofrer golos em casa frente aos ribatejanos.
Até ao intervalo, o jogo manteve-se aberto. O Benfica criou mais, rematou mais e esteve mais perto do golo, mas encontrou sempre um Alverca organizado, solidário e perigoso sempre que teve espaço para correr.
Sentido Único
A segunda parte trouxe um cenário praticamente de sentido único. O Benfica subiu linhas, empurrou o Alverca para junto da sua área e passou largos períodos a circular a bola no último terço. Rafa acertou no poste, Sidny Cabral esteve perto de marcar de fora da área e Pavlidis viu um golo anulado por toque no braço, depois de um bom trabalho de Schjelderup pelo flanco esquerdo.
A ansiedade crescia nas bancadas e no banco. Mourinho protestou, pediu penálti, foi advertido, e respondeu com mais mexidas ofensivas. O Alverca resistia como podia, com Matheus Mendes a somar defesas decisivas e a equipa a baixar cada vez mais o bloco.
A persistência encarnada acabou por ser recompensada já perto do fim. Aos 85 minutos, Anísio Cabral entrou. Um minuto depois, marcou. Samuel Dahl cruzou com precisão e o jovem avançado, no primeiro toque na bola, cabeceou para o fundo das redes, repetindo um padrão que começa a ganhar significado: dois golos em dois jogos, ambos saídos do banco, ambos decisivos.

O golo libertou a Luz e confirmou aquilo que o jogo já vinha dizendo há muito: o Benfica merecia mais do que o empate. Até ao apito final, houve ainda espaço para algum sofrimento, mas o resultado já não se alterou.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Andreas Schjelderup (Benfica): Uma exibição de gala do norueguês, que vai mostrando cada vez mais confiança na Luz. À semelhança daquilo que havia feito frente ao Real Madrid, o jovem extremo assumiu o protagonismo no ataque do Benfica e voltou a ser feliz. Foi uma das melhores exibições de Schjelderup de águia ao peito.
Anísio Cabral (Benfica): Entrou, viue marcou -- mais uma vez. Novamente a marcar no primeiro toque na bola, desta vez de forma absolutamente decisiva. Numa altura que os encarnados desesperavam por um golo e pela vitória, o jovem das águias apareceu e voltou a tranquilizar os adeptos encarnados.
Sidny Cabral (Benfica): A jogar a lateral pela primeira vez desde que chegou ao Benfica, Sidny acabou por se mostrar novamente pelas suas qualidades ofensivas. Muito participativo no ataque, surgiu como um elemento adicional à manobra encarnada e acabou por criar várias oportunidades de perigo. Poderá ser muito útil nesta posição no futuro.
O árbitro
A noite de Bruno Cosa fica marcada por vários incidentes na área do Alverca, onde se pediu grande penalidade para os encarnados, além do golo anulado a Pavlidis. São lances de interpretação do árbitro mas que certamente vão marcar presença na discussão pública.
Incidentes: O filme do jogo











