Belenenses e Trofense empataram sem golos (0-0) no Estádio do Restelo, na jornada inaugural da fase de Apuramento de Campeão da Liga 3, num encontro em que o resultado acabou por penalizar sobretudo a falta de eficácia ofensiva. Frente a frente estiveram o líder da Série B na fase regular e a formação da Trofa, que chegara a esta fase depois de um quarto lugar na Série A, mas foi esta última quem deixou melhores indicações ao longo dos 90 minutos.
O Trofense entrou com grande intensidade e rapidamente assumiu uma postura mais agressiva, criando perigo logo nos minutos iniciais. Feliz Vaz esteve perto do golo ao segundo poste e Moussa Diarra ainda chegou a colocar a bola no fundo das redes, mas o lance acabaria por ser anulado. O Belenenses revelou dificuldades para sair a jogar e quase não conseguiu ligar o meio-campo ao ataque, passando largos períodos remetido à organização defensiva.
A primeira parte foi claramente favorável à equipa orientada por Renato Coimbra, que explorou bem o corredor direito, com Nuninho em evidência, e criou várias situações de perigo junto da baliza de Guilherme Oliveira. Já os pupilos de Tiago Zorro tentaram reagir em alguns momentos, mas sem conseguir criar oportunidades claras antes do intervalo.
Na segunda metade, o jogo tornou-se mais repartido. O Belenenses conseguiu melhorar a circulação de bola e ganhar alguma presença no meio-campo adversário, embora sem traduzir esse crescimento em ocasiões de golo. O Trofense, mais expectante, manteve-se perigoso nas transições rápidas, novamente com Nuninho a assumir papel de destaque.
Os minutos finais foram marcados por maior cautela de parte a parte, com poucos espaços e escassas oportunidades junto das balizas. A toada mais tática e amarrada acabou por retirar brilho ao encontro, numa segunda parte claramente menos rica em situações de golo. O empate a zero acabou por espelhar um jogo intenso e competitivo, mas onde faltou eficácia para desfazer o nulo no marcador.
Incidentes: O filme do jogo
Onze do Belenenses: Guilherme Oliveira, Miguel Bandarra, Nuno Tomás, Afonso Pinto, Diogo Leitão, Diogo Paulo, Tiago Morgado, Afonso Valente, Evandro Barros, Wilson Eduardo, Bruninho
Onze do Trofense: Nuno Silva, Hugo Basto, Gonçalo Cunha, Joel Ferreira, Diogo Gomes, João Daniel, Reko Silva, Ivandro, Nuninho, Feliz Vaz, Moussa Diarra
4': Trofense: Feliz Vaz falha escandalosamente ao segundo poste. Era a estreia perfeita para o ex-Felgueiras
5': GOLO INVALIDADO Trofense: Moussa Diarra introduz a bola no fundo das redes, mas parece ligeiramente adiantado
6': VAR analisa: posição irregular de Moussa Diarra
6': VAR confirma: posição ilegal do avançado e NÃO há golo!
15': Excelente entrada do Trofense na partida. Nos primeiros quinze minutos, os visitantes criaram duas ocasiões de grande perigo - Feliz Vaz ao segundo poste e um golo anulado a Moussa Diarra -, enquanto o Belenenses teve muitas dificuldades em sair a jogar. Os
Azuis do Restelo ainda não conseguiram aproximar-se da área adversária e mostram dificuldades em ligar com a frente de ataque, hoje composta por Wilson Eduardo como referência mais avançada.
30': Jogo equilibrado até ao momento, mas com ligeiro sinal positivo para o Trofense, que tem mostrado ser a equipa mais consistente dentro das quatro linhas e a mais determinada em querer a vitória. A turma da Trofa entrou com mais intensidade e criou a melhor oportunidade até agora. Após algumas dificuldades iniciais do Belenenses, os pupilos de Tiago Zorro começaram a soltar-se nos minutos mais recentes, embora ainda sem ocasiões de verdadeiro perigo.
32': Trofense: Moussa Diarra, de cabeça, quase surpreendeu Guilherme Oliveira. Estava atento o guardião da casa
35': Trofense: Feliz Vaz, já no interior da área, surgiu com tudo para o golo, mas esbarrou o remate no adversário
Intervalo: Que primeira parte do Trofense! Pelo que se viu em campo, ninguém diria que o Belenenses tinha terminado a fase regular da Série B de forma isolada, enquanto o Trofense havia fechado a Série A no quarto lugar. Os homens de Renato Coimbra estiveram muito bem, criando várias dificuldades à turma de Belém, especialmente pelo corredor direito, onde Nuninho tem sido a figura em destaque. Os pupilos de Tiago Zorro tentaram reagir em alguns momentos, mas não conseguiram ameaçar a baliza adversária, ao contrário do Trofense, que colocou Guilherme Oliveira à prova em três ocasiões claras de golo.
47': Trofense: Gonçalo Cunha a surgir ao segundo poste, mas Guilherme Oliveira a negar com uma intervenção atenta
60': Jogo mais equilibrado nesta segunda parte. O Belenenses consegue circular melhor a bola e manter maior posse no meio-campo adversário. O Trofense, mais recuado e na expectativa, ainda assim chega com qualidade ao último terço, quase sempre através de Nuninho, o jogador mais irreverente da equipa.
66': Belenenses: João Gastão a ficar muito perto de desvio e é por muito pouco que Afonso Valente também não consegue ao segundo poste
76': Os minutos finais têm sido marcados por um jogo muito amarrado, com ambas as equipas a concederem poucos espaços e a disputarem o encontro sobretudo a meio-campo. Apesar de algumas incursões de parte a parte, nenhuma delas resultou em perigo efetivo. Nesta segunda parte, os únicos lances dignos de registo foram um cabeceamento de Gonçalo Cunha, aos 47 minutos, e uma situação em que Gastão esteve perto do desvio, aos 66. De resto, não se registaram oportunidades claras de golo, ao contrário do que se verificou nos primeiros 45 minutos.
79': Trofense: Nuninho com uma fantástica jogada à esquerda, mas o toque final do camisola 89 acabou por ser desviado por Evandro
90 +2': Insiste o Trofense nestes minutos finais!
90 +5': O árbitro apita para o final da partida
Fim de Jogo: Apesar da superioridade do Trofense durante largos períodos da partida, sobretudo na primeira parte, a incapacidade de concretizar as oportunidades criadas acabou por ditar um resultado curto para quem mais procurou vencer. O Belenenses, ainda longe do nível exibicional da fase regular, foi crescendo com o jogo e mostrou maior controlo na segunda metade, mas sem clarividência no último terço. No conjunto, o nulo expôs as limitações ofensivas de ambos e deixou a sensação de que o Trofense saiu do Restelo com mais motivos para se lamentar.
Melhor em campo: Nuninho (CDT) foi, para a redação do
zerozero, o melhor jogador em campo. Começou a partida como lateral, mas na segunda parte foi projetado para extremo esquerdo, onde continuou o seu rendimento ofensivo, criando desequilíbrios constantes e deixando por várias vezes os colegas em posição privilegiada para finalizar. Foi, sem margem para dúvidas, o jogador mais disponível, irreverente e influente do encontro.

