O Benfica regressou ao Estádio da Luz quatro jogos depois e voltou a sorrir no campeonato, depois de uma semana que ficou marcada pela viagem amarga a Turim e pela conversa dos adeptos com a estrutura do clube no Seixal. Longe dos fantasmas das Taças, os encarnados venceram o vizinho Estrela da Amadora por 4-0 e continuam na perseguição aos rivais no topo da tabela, num jogo que ficou marcado por várias estreias no clube da Luz.
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Com tudo e com todos
Se a deslocação dos cerca de 200 adeptos ao Benfica Campus na antecâmara do encontro poderia causar a impressão de um clima de ruptura no clube, ficou bem explícito que a conversa com a direção, o treinador e os capitães de equipa serviu como uma alavanca de união para o restante da época. Os No Name Boys exibiram uma tarja de apoio à equipa no início da partida com a mensagem «Juntos até ao fim», e a Luz teve desde cedo o espírito necessário para tentar colocar a crise de lado e olhar unicamente em diante.
Dentro das quatro linhas, os jogadores mostraram também eles que a fome de vencer continua presente e tiveram na primeira parte um período de dominância.
Lançado a titular pela primeira vez no campeonato, o jovem de 17 anos Daniel Banjaqui foi um dos mais inconformados do conjunto encarnado no primeiro tempo com várias investidas pelo corredor direito. Já do lado esquerdo, foi Sidny Cabral quem foi criando mais perigo à baliza do Estrela.
Depois de várias ocasiões, o Benfica acabou mesmo por chegar ao golo no fecho do primeiro tempo graças ao suspeito do costume. Na sequência de um canto, Pavlidis respondeu da melhor forma ao cruzamento de Sidny Cabral e cabeceou para o primeiro da noite na Luz.
Regressos, estreias e confirmações
Se a primeira parte foi de domínio, a segunda foi de confirmação. O Estrela tentou subir linhas nos minutos iniciais, mas o Benfica respondeu com ainda mais intensidade. Aos 52 minutos, Sidny voltou a fazer a diferença, arrancando uma grande penalidade após falta de Jefferson Encada. Pavlidis não tremeu: remate colocado, Renan Ribeiro para um lado, bola para o outro, e 2-0 no marcador. Era o 19.º golo do avançado na Liga, igualando já o total da época anterior.
O jogo ficou definitivamente resolvido três minutos depois. Num lance rápido, Sidny Cabral isolou-se frente à antiga equipa e não perdoou, finalizando de forma fria e eficaz para o 3-0. Um golo celebrado com contenção, mas carregado de significado para um jogador que continua a crescer de águia ao peito.
Com o resultado controlado, a Luz viveu outro dos momentos mais marcantes da noite: ao minuto 72, Rafa Silva voltou a jogar pelo Benfica mais de um ano e meio depois e foi recebido com um forte aplauso, tal como Diogo Prioste que também se estreou na Liga.
Aos 83 minutos, contudo, surgiu mais uma página bonita da noite. Anísio Cabral, lançado pela primeira vez na equipa principal, precisou de apenas um minuto para marcar. Assistência de Banjaqui, cabeceamento irrepreensível do jovem e um sorriso que disse tudo. Estreia, golo e um Estádio da Luz rendido a mais um talento formado no clube. Neste caso, mais dois. Jogada «Made In Seixal» que fechou a noite em estilo.
Com este resultado, o Benfica continua na luta pelo título e segue firme atrás de Porto e Sporting na terceira posição da tabela, antes de partida decisiva frente ao Real madrid para a Liga dos Campeões. Já o Estrela, segue na 13ª posição com 19 pontos.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Sidny Cabral (Benfica): Transferido do Estrela neste exato mês, teve contra a sua antiga equipa a sua melhor exibição de águia ao peito até ao momento. Ativo e irrequieto na ala esquerda do ataque, esteve diretamente ligado aos primeiros três golos dos encarnados. Primeiro a assistir, depois ao conquistar a grande penalidade e, finalmente, a marcar. Uma exibição muito completa do cabo-verdiano que vai conquistando aos poucos o seu espaço no plantel do Benfica.
Daniel Banjaqui (Benfica): Depois de se ter estreado pela equipa principal frente ao Farense para a Taça de Portugal, o campeão do mundo sub-17 estreou-se a titular no Estádio da Luz para o campeonato e mostrou já ter capacidade e maturidade para estas andanças. Muito ativo no ataque e sereno na defesa, Banjaqui ocupou muito bem o lugar que habitualmente pertence a Dedic e acabou mesmo por coroar a exibição com uma assistência. Deste modo, será certamente chamado mais vezes por José Mourinho a jogo.
Vangelis Pavlidis (Benfica): Mesmo com uma exibição mais apagada a nível da participação ofensiva, acaba por aparecer sempre nos momentos certos. Primeiro no pontapé de canto e depois na conversão irrepreensível da grande penalidade para fazer esquecer a escorregadela de Turim.
O árbitro
David Silva teve uma arbitragem sólida e coesa num plano geral, contudo, a exibição do árbitro fica também marcada pela estranha forma como tentou lidar com pequenas picardias entre jogadores ao longo do jogo e pelo minuto de compensação dado no final que não faz jus às pausas que ocorreram na segunda parte.
Incidentes: O filme do jogo






