Caro leitor, não existe outra palavra para descrever estes 60 minutos que não épico. Absolutamente épico. Na derradeira jornada da fase de grupos do EHF Euro 2026, Portugal venceu a tetracampeã mundial Dinamarca por 29-31 e garantiu a presença na Main Round. A Seleção Nacional escreveu, em Herning, uma das páginas mais ousadas da sua história recente no andebol europeu.
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Desde o primeiro minuto que os comandados de Paulo Jorge Pereira mostraram ao que vinham. António Areia inaugurou o marcador e deu o tom a uma entrada sem complexos, sustentada por uma defesa agressiva e por um Gustavo Capdeville inspirado entre os postes. A Dinamarca respondeu com a habitual qualidade individual, sobretudo através de Mathias Gidsel, mas Portugal nunca perdeu o fio ao jogo, encontrando sempre soluções para se manter por cima ou colado no marcador.
Kiko Costa voltou a assumir-se como o farol ofensivo da equipa. Seguro nos livres de sete metros, criativo no ataque posicional e corajoso nos momentos de maior pressão, o jovem luso foi decisivo numa primeira parte muito equilibrada, em que Luís Frade, António Areia e Martim Costa também deixaram marca.
Ao intervalo, Portugal recolheu aos balneários na dianteira (11-12), recompensa justa para uma exibição competente e sem medo do contexto frente a um conjunto nórdico algo trémulo em certas ocasiões, apesar de contar com o apoio de um Jyske Bank Boxen completamente lotado: 15 mil espetadores que proporcionaram um excelente ambiente para assistir a um grande espetáculo dentro das quatro linhas.
Crença e qualidade
A segunda parte elevou ainda mais a fasquia emocional do embate a todos os limites. A Dinamarca tentou assumir o controlo, chegou à vantagem e recorreu ao ataque em 7x6, mas encontrou sempre resistência numa seleção portuguesa solidária, inteligente e ambiciosa. Pedro Tonicher surgiu em grande plano, com defesas determinantes a remates de Gidsel nos momentos mais críticos.
Portugal cresceu com o jogo. Empatou, passou para a frente e começou a acreditar, com razão, que era possível mais. Martim Costa brilhou, Kiko Costa permaneceu imparável e a eficácia nos momentos decisivos permitiu ganhar vantagens raras diante de um adversário de um calibre poucas vezes visto na história do andebol internacional.
Aos 53 minutos, o marcador assinalava 24-26, com Magnus Saugstrup a reduzir, mas Portugal mantinha-se na frente, serenamente, perante um pavilhão em suspenso. A cinco minutos do final, Victor Iturriza acabou por ser expulso (cartão vermelho direto), mas o conjunto luso não deitou a toalha ao chão. Muito pelo contrário.
A dois minutos do final, o resultado deambulou entre apenas um ou dois golos de diferença favoráveis a Portugal. Martim Costa desfez as dúvidas. A meros segundos do final, sentenciou o que viria a ser história. 29-31 perante a tetracampeã mundial e um lugar garantido na Main Round. Que noite!






