Na «selva» açoriana, o leão tentou mandar, mas os seus rugidos foram sendo envergonhados e o Santa Clara ia aproveitando. Contudo, já nos descontos, a jogar com menos um e com alguma polémica à mistura, o Sporting confirmou a reviravolta, pela cabeça do capitão Hjulmand.
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Antes da paragem para as seleções, o bicampeão jogava nos Açores. Com o Estádio de São Miguel bem composto - mas longe de lotado -, o Sporting até entrou, como esperado, mandão na posse de bola, embora algo previsível - a tentar excessivamente passes nas costas da defesa, que estava bem organizada. Acabou, no entanto, por ser «traído» logo aos cinco minutos, quando, numa transição, Vinícius Lopes respondeu ao cruzamento de Wendel Silva (após má abordagem de Diomande) e fez o 1-0.
Isto acabou por enfatizar o bloco baixo e compacto açoriano. Os comandados de Vasco Matos voltaram ao habitual desenho de 5x3x2 e estavam claramente focados em sobrepovoar o corredor central, por forma a dificultar as ligações interiores entre os criativos leoninos. O Sporting sentiu essa ausência de espaço nas zonas de criação e durante algum tempo apenas conseguiu criar perigo praticamente na média distância - Gabriel Batista bem entre os postes.
Com o passar dos minutos, com o jogo durinho em alguns momentos, via-se poucas melhorias na diversidade (ou falta dela) criativa dos forasteiros, mas, na primeira vez que houve essa variação, o efeito foi imediato. Aos 32', Geny Catamo cruzou com conta, peso e medida na direita e, ao segundo poste, surgiu Pote a encostar de cabeça para o 1-1. Este empate libertou um pouco o jogo e isso fez bem ao ataque leonino, que se conseguiu libertar ligeiramente dessas amarras. O Sporting cresceu no último terço, mas não conseguiu a reviravolta até ao intervalo.
Percebendo que havia espaço para tal, face ao bloco baixo adversário, Rui Borges voltou do intervalo com um desenho diferente, baixando Pote no terreno e colocando Ioannidis ao lado de Luis Suárez. A equipa manteve-se dinâmica - embora sem criar muito perigo -, mas levou um duro golpe quando Pote se lesionou aos 57', ele que ia sendo dos melhores elementos.
Este percalço acabou por acentuar as dificuldades criativas do Sporting, que perdeu dinamismo no jogo interior e foi insistindo cada vez mais nos cruzamentos para tentar potenciar a nova dupla ofensiva. De resto, nem a entrada de Quenda trouxe mais vida ao ataque e o caso estava mal parado para os leões.
Os minutos finais foram pastosos. O Santa Clara abdicou de atacar e ter bola, recuando cada vez mais. O Sporting ia circulando lentamente e tinha cada vez mais dificuldades em penetrar nesse bloco baixo. As substituições do Santa Clara deram vida à equipa na transição e a velocidade de Brenner - e o relvado gasto - iam dando dores de cabeça, resultando mesmo na expulsão de Maxi Araújo aos 90+1.
Tudo parecia encaminhado para um Sporting travado nos Açores, mas os descontos foram escaldantes. A expulsão já tinha exaltado os ânimos, mas pior ficaram quando o Sporting confirmou a reviravolta aos 90+4, pela cabeça do capitão Hjulmand, na sequência de um canto. Contudo, o lance causou enorme polémica, porque não seria canto e isto levou os jogadores do Santa Clara a ficarem revoltadíssimos. Acabou por resultar nas expulsões de Adriano Firmino e Sidney Lima e nos três pontos do Sporting.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Morten Hjulmand (Sporting): comandou o miolo, trouxe consistência, tentou acrescentar no passe e acaba a marcar o golo decisivo da vitória. Foi capitão em todos os sentidos.
Pedro Gonçalves (Sporting): enquanto esteve em campo, a equipa foi outra e ainda esboçou uma reação ao bloco baixo açoriano. Quando saiu, a qualidade de jogo leonino caiu a pique. Veremos a gravidade da lesão.
Vinícius Lopes (Santa Clara): com a equipa bastante recuada, fartou-se de trabalhar na frente, marcou e foi uma dor de cabeça, especialmente para Diomande, que colecionou erros.
Serginho (Santa Clara): foi o pulmão da equipa e ajudou a anular o jogo interior do Sporting. Ainda tentou acrescentar do outro lado, mas foi faltando pernas e mais apoio.
Sidney Lima (Santa Clara): a expulsão mancha um pouco, mas até à reviravolta leonina, foi fulcral a segurar a equipa, ajudando a fechar tanto o interior, como a ala direita do Santa Clara. Grande exibição.
O árbitro
O árbitro João Gonçalves teve um jogo complicado. Além de muitas faltas desnecessárias e alguns amarelos evitáveis, acabou por ser decisivo no jogo, visto que o lance que dá o golo da reviravolta e vitória leonino, não seria canto. As expulsões acabam por manchar o resto do jogo.
Incidentes: O filme do jogo











