Em pleno agosto, as temperaturas têm estado bastante altas, talvez não tão altas como os constantes aumentos de combustível ou das taxas da Euribor. O português não atravessa tempos fáceis e desespera por boas notícias. Pois bem, pode não entrar na carteira nem na mesa, mas, para muita gente, ajuda a combater as dificuldades: o futebol está de volta e a primeira tranche inclui um clássico. Um super-clássico! Um clássico que tem tudo para parar o país, suster respirações e, por 90 minutos, fazer o povo esquecer as dificuldades quotidianas.
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Em Aveiro, longe da Ria, perto da A25, eis uma autoestrada com dois sentidos: ganhar ou perder este jogo pode, à primeira vista, significar um troféu, mas um Benfica - FC Porto é sempre muito mais do que isso. É iniciar a etapa no caminho certo ou em contramão, com todos os riscos associados. É a afirmação perante o maior rival das últimas décadas e a exaltação de quem é melhor. Ou de quem podia ser melhor, mesmo que não atendido.
O jogo prévio teve alguns condimentos disso. Sérgio Conceição apontou à imprensa, Otamendi deu o toque à arbitragem. Conferências de imprensa globalmente bem amenas, com elevação e ligeireza, sem que nenhum desvendasse o que quer que fosse, nem de jogadores, nem de dinâmicas e eventuais surpresas. Não sejamos hipócritas: também ninguém o esperava. Quanto muito, um pouco mais de mind-games quando questionados sobre os adversários.
Pelo que escrevemos, a razão é simples: o respeito e a contenção perante o valor que está do outro lado é, por esta altura, maior do que qualquer arrogância mal medida. O que pode mudar assim que Luís Godinho apite para o começo do jogo.
Dúvidas de sobra
Se, no decorrer de uma temporada, um clássico pode ser marcado por determinada surpresa unitária, neste caso a fertilidade é bem maior para tal. Há dúvidas dos dois lados.


Em suma, linhas difíceis de prever, de um lado e do outro, o que adensa o interesse e a expectativa para o jogo. Que comece o espetáculo!






