Acabou a discussão. Ao longo de vários anos, falou-se do Manchester City, que não conseguia vencer a Liga dos Campeões, apesar do forte investimento. Desde que Guardiola chegou, falou-se do técnico, apontado por muitos como o melhor da história, que, apesar do forte investimento, não conseguia vencer a Liga dos Campeões. Agora falemos do Manchester City campeão europeu!
Veja Também
- Guardiola: «Estamos a 13 Champions do Real. Vamos a eles»
- Kyle Walker: «Ponham qualquer bebida à minha frente que eu destruo-a!»
- Bernardo Silva: «Gostava que o meu avô estivesse cá para me ver vencer a Champions»
Rodri é o nome marcante desta final, ao apontar o golo mais importante dos 143 anos de história do Manchester City, mas a segunda parte memorável de Ederson, o controlo de bola de Bernardo Silva e aquele corte involuntário de Lukaku vão ser sempre recordados como momentos altos de uma final que, na sua generalidade, nem foi assim tão interessante.
Italianos provocaram o nervosismo
Antes de ganhar, é preciso sofrer. À partida para esta final, poucos esperariam que seria o Manchester City a sofrer, mas em certa medida foi isso que aconteceu no início desta final.
Guardiola, como é habitual, reservou uma surpresa para um jogo decisivo e o impacto inicial sentiu-se, com a equipa inglesa a ameaçar o golo por Bernardo Silva e Haaland, que teve nesse lance um dos únicos momentos de destaque.
Só que depois o Inter conseguiu fazer o seu jogo. A equipa é italiana, tal como o treinador, mas o estereótipo, mais do que ultrapassado, é errado quando olhamos para a formação de Milão.

Era fácil, para o Inter, pegar no estatuto de underdog desta final e defender com 10 jogadores atrás da linha da bola, uma equipa com receio e sem personalidade. Afinal, os italianos «apenas» tinham eliminado FC Porto, Benfica e Milan. Mas em campo ficou a prova que a chegada a esta final não foi por acaso.
A pressão alta e o trabalho impressionante de jogadores como Brozovic soltaram o Inter para uma primeira parte interessante, que deixou o Manchester City a duvidar de si próprio.
Com Haaland bem anulado e muito nervosismo no setor mais recuado, seria natural esperar que uma das principais figuras resolvesse. Só que, tal como no Dragão, em 2021, o corpo de Kevin De Bruyne cedeu e o belga teve de sair lesionado. Alguém teria de assumir as responsabilidades a partir daí.

O provável herói improvável
Numa equipa com jogadores como Grealish, Bernardo, Haaland ou Gundongan, seria pouco expectável que o herói desta final fosse um tal de Rodrigo, mais conhecido por Rodri.
O espanhol, como tantas vezes, fugiu dos holofotes, andou «escondido» em campo e foi isso que tramou o Inter.
Na segunda parte, exceção feita a uma falha de comunicação entre Akanji e Ederson que quase resultou no golo de Lukaku, o Manchester City foi mais controlador e paciente na forma como construiu os lances de ataque.

Essa é a forma de jogar da equipa de Guardiola e quando o plano está traçado, até os mais improváveis dos intervientes são capazes de o executar. Akanji surpreendeu no passe, Bernardo Silva apostou tudo no esforço e Rodri saiu dos holofotes. Fez-se luz, com um remate colocado que Onana, provavelmente o melhor guarda-redes desta edição da Champions, não conseguiu travar.
Do outro lado, Ederson tudo travou. O guarda-redes brasileiro teve 45 minutos pouco característicos, mas guardou-se para a segunda parte mais importante da sua carreira, ao evitar o golo do empate do Inter.
A equipa italiana conseguiu criar situações de perigo, atirou mesmo à trave por Dimarco (Lukaku, de forma caricata, impediu o golo na recarga), mas foi Ederson a sobressair naqueles instantes finais. Uma defesa de reflexo, com o joelho, e uma palmada no último lance da partida para consagrar, finalmente, o novo campeão europeu.
O Manchester City é campeão da Europa! O Manchester City de Guardiola é campeão da Europa! Fim.






