A primeira vez, a perda da inocência do FC Porto na Taça da Liga. Teve dor, tumultos, um parceiro muitas vezes dominador e um final feliz. Para os dragões, naturalmente.
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Ivan Marcano, num cabeceamento já em tempos de julgamento final, acabou com as dúvidas.
Os campeões nacionais passam a ser também os campeões de inverno. Fizeram uma primeira parte fraquíssima, alimentada apenas pelo frango de Adán, mas resistiram com mais competência e saber no segundo tempo.
A primeira vez deveria ser diferente. Em qualquer área, em qualquer dia. Mas isto é futebol, é competição, e os tambores da guerra não permitem outro tipo de prazeres. Ganhou o FC Porto, de camuflado e botas da tropa.
Dragão desorientado, leão esfomeado
Não há segredos. Sérgio sabe o que Ruben pretende, Ruben conhece a forma de Sérgio pensar. Nada se esconde, nada surpreende.

É verdade que no segundo tempo, os azuis e brancos esconderam a bola, baixaram o ritmo, acertaram o tempo de pressão e identificaram com inteligência os caminhos para assustar o leão - e, por aí, justificaram o fim da maldição, que de maldição nada tinha.
Ora, e o primeiro tempo? Raras vezes se viu um FC Porto tão amedrontado, até desorientado, nestes duelos particulares com o Sporting. Sem ideias, sem capacidade física, sem perceber como anular a saída curta do bloco a três dos leões.
Um golo anulado a Edwards, duas bolas nos postes da baliza de Cláudio Ramos - na mesma jogada! - e uma série de ameaças seríssimas deixaram o Porto e Conceição mais do que avisados.

Sentia-se a fome do leão, a necessidade de se agarrar a qualquer coisa, qual náufrago em alto mar. Falhou no melhor período e suicidou-se quando o FC Porto já se organizara.
Paulinho sem juízo, Marcano com cabeça
O território demarcado pelo domínio leonino não teve continuidade no segundo tempo. Pepê e Otávio subiram no apoio a Taremi e a pressão alta do FC Porto assustou o trio da retaguarda leonina.

Num desses excessos de cabeças quentes, Paulinho viu o cartão vermelho. Faltavam 18 minutos + descontos e o FC Porto sentiu que desta é que era. A primeira vez não mais podia ser adiada.
Nas breves interrupções dos choques e da polémica, Pepê fez o que bem sabe e cruzou para a cabeça de Ivan Marcano. 2-0, tudo decidido, o museu do FC Porto vai ter, enfim, uma Taça da Liga.
A primeira vez foi bruta, rude, mas deixou o dragão de sorriso aberto.










