A Croácia preparou o xeque, o Brasil pousou o mate, e duas horas depois Modric voltou a ser proclamado grandmaster do xadrez que é vencer uma eliminatória quando esta se estende até prolongamento e penáltis.
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O gritante favoritismo e a contagiante confiança em direção ao hexa pouco significam, quando pela frente está uma seleção que tantas vezes, ao longo da última década, contrariou esse tipo de expectativas. Se isso não estava claro antes do apito inicial, ficou depois de uma primeira parte marcada por um inegável equilíbrio. Era um jogo, e esses ganham-se em campo.
Uma reviravolta no enredo permitiu o tombar do grande favorito, mas será assim tão surpreendente que a Croácia seja a primeira equipa a chegar às meias-finais do Mundial? Longa vida ao rei do tempo acrescido, que agora aguarda por Argentina ou Países Baixos.
Equilíbrio a abrir
A 🇭🇷Croácia está nas meias-finais do Campeonato do Mundo pela 3.ª vez na história, a 2.ª consecutiva:
1998
2018
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— Playmaker (@playmaker_PT) December 9, 2022
Parte da tranquilidade brasileira justificava-se com nova titularidade de Neymar, que regressara de lesão na ronda anterior mas viu-se desde cedo engolido pela marcação cerrada de Brozovic, dono do recorde de maior distância percorrida em jogos do Mundial. Mas o pulmão do pitbull croata, com capacidade para 120 minutos e um maço de cigarros no balneário, deixou de ser suficiente depois de um cartão amarelo aos 30 minutos. Aí, o 10 soltou-se.
Houve muita organização trabalhada por Tite e Dalic, ainda que tenha sobrado espaço para técnica e individualidade. Bola cá e bola lá, quase sempre sem baliza. A canarinha embalou em incursões dos extremos e criou perigo em doses saudáveis, da mesma forma que a Croácia se entusiasmou ofensivamente num par de lances em que a linha defensiva liderada por Thiago Silva brilhou.
Ao fim de 45 minutos, tal como na maioria dos jogos destas equipas em solo catari, havia um nulo por desfazer. Com isso em mente, o Brasil foi ao banco buscar Antony e Rodrygo, para dar um novo teste a Sosa e Juranovic. Cresceram as oportunidades e quem se agigantou foi o herói dos oitavos, Livakovic.
Uma, duas, três e quatro. O guarda-redes do Dinamo Zagreb começou a frustrar sul-americanos com o número de defesas, embora a maioria tenha sido de dificuldade reduzida. Também um pedido de grande penalidade, negada pelo VAR, marcou o agigantar do escrete. Mas o número de remates da equipa brasileira não era a única coisa que crescia...

Regra 1: nunca leves a Croácia a prolongamento
Também a contagem de minutos avançava e, um pouco por consequência, a frustração começou a ser cada vez mais evidente.
Falamos de frustração do Brasil, claro, porque nunca a Croácia iria torcer o nariz a um jogo que começava a ficar com cara de prolongamento. Afinal, foi assim que, de ronda em ronda, esta equipa chegou à final da última edição. Foi também assim que superaram o Japão nos oitavos de final, por isso, quando o apito soou aos 90+4, o caso mudou de figura.
Seria a Croácia, de repente, a equipa a temer? Só na teoria. Na prática, o Education City viu Rodrygo sacar da caneta e começar a dar lições aos europeus (Petkovic aprendeu rápido e também protagonizou um lance espetacular), com o jogo a tornar-se cada vez mais dependente de investidas individuais. Onde estava o 10 brasileiro, rei desse tipo de futebol? Estava a preparar um momento icónico...

Festa merecida, mas o rei não tombou tão facilmente. A três minutos do final, voltaram a surgir grandes craques da Liga Croata para dar uma resposta: Orsic cruzou e Petkovic finalizou, com ajuda de um desvio que traiu Alisson e condenou o jogo à lotaria de quem pede meias.
Na marca dos 11 metros, as exibições imaculadas de Modric (genial, mais uma vez) ou Thiago Silva já nada significavam. Valia a lei do mais forte psicologicamente, e essa é uma guerra que tem tendência a sorrir aos balcãs. Após quatro penáltis para cada lado, Marquinhos no chão e... Croácia na meia-final!






