14 vezes campeões da Europa! No Stade de France, o Real Madrid terminou da melhor maneira uma caminhada histórica, repleta de reviravoltas, e desta vez nem precisou de sofrer até ao fim para vencer (0-1) o Liverpool em mais uma final.
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Os reds queriam vingar a final perdida em 2018 e tiveram ocasiões para que isso acontecesse, mas a exibição monumental de Thibaut Courtois manteve o Real Madrid vivo até ao momento decisivo. Depois, o menino Vinícius Júnior apareceu no momento certo para marcar o golo mais importante da carreira. São mesmo Los reyes de la europa, como foram cantando ao longo do dia, em Paris.
As mãos de Courtois
Abro o coração. É a primeira final de Liga dos Campeões em que estou presente. Desculpem-me caso esta crónica não tenha todos aqueles pormenores que procuram ler, mas foi um dia especial. Também o devia ter sido para vários adeptos, não fosse a trapalhada perto da hora do apito inicial que levou a UEFA a adiar a partida cerca de meia hora.
Para estes jogadores também o terá sido, mas a experiência dentro de campo acalmava o coração. No Liverpool havia jogadores a participar pela terceira vez numa final da Liga dos Campeões, no Real Madrid havia quem procurasse o feito de Cristiano Ronaldo - cinco Champions no currículo. No banco, duas figuras do futebol mundial. Klopp e Ancelotti: personalidades e estilos diferentes.
O alemão montou um Liverpool com vontade de vingança. Aquela final de Kyiv estava atravessada na garganta, mesmo que depois disso estes jogadores já tivessem conquistado a Liga dos Campeões. A entrada foi com tudo. Depois de Camila Cabello protagonizar uma atuação assobiada pela generalidade dos adeptos (provavelmente pelo atraso no apito inicial e não pelas qualidades da cantora), o Liverpool apresentou-nos um rock & roll modificado.
Os reds entraram em campo com vontade de assumir o jogo e os primeiros 20 minutos foram de clara superioridade para a equipa de Klopp, que mostrou a evolução que tem vindo a conseguir nos últimos anos no que ao ataque posicional diz respeito. O plano estava bem traçado e vimos um Liverpool muito perigoso, mas como acontece em qualquer filme, há sempre uma personagem capaz de estragar qualquer plano. Há uns anos foi Eder (Deus!), esta noite, no mesmo local, foi o belga Thibaut Courtois.

O guarda-redes, que até já perdeu uma final da Liga dos Campeões para o Real Madrid, disse na conferência de antevisão que agora estava no lado certo da história. Sabia que o Real não só joga finais, como vence finais. Nas mãos do belga começou a construção da 14.ª conquista merengue.
Salah e Mané colocaram as mãos à cabeça duas vezes num curto espaço de tempo, mas Courtois não se ficou por aqui. A pressão inglesa fez com que Ancelotti procurasse controlar o jogo. Era obrigatório não deixar que este se partisse, até porque o meio-campo merengue, composto por Casemiro, Kroos e Modric, não é especialista em correrias. Uma vez mais, foi um Real cínico, inteligente, eficaz e muito bem montado.
Que se dê mérito a Ancelotti. É merecido. Ainda se lembram que há um ano estava no Everton? Menos de 365 dias depois, o italiano veio a Paris mostrar como se ganha uma final da Liga dos Campeões. Aquele golo anulado a Benzema perto do final da primeira parte, por fora de jogo do francês depois do ressalto em Fabinho, foi um aviso claro para o Liverpool. Não que fosse preciso. Chelsea, Paris SG e Manchester City já tinham caído de forma ainda mais surpreendente frente a este Real.

O pé de Vinícius
Parecia tudo orquestrado quase na perfeição. Claro que Courtois foi fundamental para manter o Real na jogada, mas no momento certo os merengues mexeram as peças e aproveitaram os espaços que o Liverpool foi dando, mas que não foram encontrados (ou procurados) na primeira parte.
Quase como num piscar de olhos, o Real Madrid ficou com a final na mão. Alexander-Arnold desconcentrou-se e Vinícius Júnior apareceu nas suas costas. O brasileiro só precisou de um toque para atingir a glória, mas é justo que se fale dele além desta final.

Juntamente com Benzema e Courtois, o brasileiro foi ator principal nesta 14.ª saga merengue na Liga dos Campeões e assumiu uma responsabilidade que ninguém desde os tempos de Cristiano Ronaldo tinha conseguido assumir. Esta foi mesmo a primeira conquista europeia do Real Madrid sem o português!
O Liverpool ainda encontrou forças no imediato para reagir ao golo sofrido, mas aí voltou a aparecer Courtois para negar o golo a Salah, que procurava a tal vingança após aquela final perdida em Kyiv. O egípcio foi dos que mais sofreu em 2018 (aí, Karius leva uma grande vantagem) e por isso também foi quem mais sentiu o peso de mais uma estirada brutal do guarda-redes belga, muitas vezes esquecido quando falamos dos melhores guarda-redes do Mundo.
Com Jota e Firmino, o Liverpool voltou a ser melhor. Atacou melhor. Fez até lembrar outro Liverpool. Não necessariamente melhor do que aquele que começou o jogo, mas um Liverpool diferente, com outras soluções, mas não a solução para este Real Madrid. Klopp procurou, mas arriscamo-nos a dizer que numa final da Liga dos Campeões não há solução para travar os merengues.
«Somos los reyes de la Europa», cantam, entre ruas, estações de metro e bancadas. Temos de lhes dar razão.
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