Um grande Sporting para pouco Benfica. Mesmo sem Coates e Palhinha, a equipa de Rúben Amorim conseguiu ser superior em pleno Estádio da Luz, onde voltou a vencer (1x3) seis anos depois. O técnico sportinguista e a sua equipa deram uma lição de identidade na casa do eterno rival e saíram reforçados na liderança do campeonato, em igualdade pontual com o FC Porto, mas com mais quatro pontos do que os encarnados.
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Entrada de leão
Que raça teve o leão! Quando se pensava que a equipa de Rúben Amorim chegava ao Estádio da Luz fragilizada por não ter Coates, capitão e referência defensiva e mesmo ofensivas do Sporting, e João Palhinha, importantíssimo na pressão e recuperação leonina, eis que se viu muito mais Sporting do que aquilo que era esperado.
Com Ugarte e Neto no onze, o mérito coletivo deste Sporting (o trabalho de Rúben Amorim é soberbo) esteve precisamente no facto de não se ter notado que havia ausências importantes. Os leões mostraram toda a sua identidade no campo do maior rival e não se deixaram encolher com o primeiro amarelo logo nos dois minutos iniciais. A ideia era pressionar as zonas de criação do Benfica, limitar Weigl e João Mário e obrigar as águias a sair pelos corredores.

Através de iniciativas individuais, inicialmente até parecia que a equipa de Jorge Jesus podia aproveitar a estratégia sportinguista a seu favor. Com Pedro Gonçalves a funcionar mais como médio do que como avançado, Grimaldo e Everton tiveram espaço para fazer a diferença individualmente, mas Ugarte começou a aparecer nesse espaço e o Sporting passou a sentir-se confortável.
⌚️Apito final: SLB 1-3 SCP
⚠️Há 16 anos que o 🦁Sporting não marcava 3+ golos em jogos consecutivos na 🏟️Luz. pic.twitter.com/m0VU247jnC
— playmakerstats (@playmaker_PT) December 3, 2021
O golo de Sarabia, logo aos 8 minutos de jogo, mostrou qual era a ideia sportinguista no processo ofensivo. Paulinho servia como referência, Pedro Gonçalves tinha liberdade, Sarabia alargava o campo e Porro tinha sempre mais confiança para subir no terreno do que Matheus Reis no lado esquerdo. Foi desta forma que os leões conseguiram adiantar-se no marcador, numa jogada muito bem trabalhada à direita e finalizada na esquerda pelo jogador emprestado pelo Paris SG. A partir desse momento, o jogo ficou ainda mais favorável à equipa de Rúben Amorim.
Sempre conscientes do seu papel dentro de campo, os jogadores leoninos continuaram a pressionar os dois médios benfiquistas e Jorge Jesus nunca conseguiu encontrar uma solução. Sem ideias, as águias limitaram-se a procurar cruzamentos sem destinatário e o Sporting, mesmo com menos bola, estava a controlar o jogo por completo. Ao intervalo, os leões saíam por cima do marcador e do jogo, acabando mesmo por ter um golo anulado a Paulinho por 28 centímetros.
Perante tão pouco Benfica, com muita bola mas apenas um remate ao intervalo, Jorge Jesus sentiu-se obrigado a mexer, mas a alteração do técnico encarnado acabou por não correr nada bem.
Estratégia abriu portas e o leão foi com tudo
Depois de 45 minutos com uma imagem pobre de um Benfica sem identidade de jogo, Jorge Jesus arriscou, mas acabou por expôr ainda mais a equipa e Everton Cebolinha. O brasileiro, que na primeira parte deambulou entre a esquerda e a direita, foi adaptado a ala, numa tentativa de juntar Darwin a Yaremchuk sem que fosse necessário retirar o ex-Grémio.
Se a ideia passava por ter mais força ofensiva pela direita, algo que faltou na primeira parte, a estratégia só pode ser considerada falhada, embora o Benfica tenha tido um arranque de segunda parte interessante, com mais situações de perigo do que nos primeiros 45 minutos de jogo.
Só que, com Rúben Amorim, este Sporting já está noutra fase. Os leões, que noutras alturas vacilavam nestes momentos, acabaram por aguentar os momentos de maior pressão, sabendo que os espaços iam acabar por aparecer.

Matheus Nunes encontrou-os duas vezes quase consecutivas, sempre pelo lado direito da defesa benfiquista, e o Sporting, que até tinha visto Darwin cabecear à barra da baliza de Adán segundos antes, conseguiu voltar a sentir-se confortável. Paulinho, com classe, fez o 0x2 e o próprio Matheus Nunes gelou a luz depois de correr todo o meio-campo sem ser travado.
O 0x3 foi a sentença para um Benfica que não encontrou ideias para ultrapassar a estratégia deste Sporting e que pareceu sempre perdido em campo. Perante um rival fragilizado, a jogar no Estádio da Luz e que podia ser ultrapassado pedia-se muito mais. Pizzi, já no último minutos dos descontos, ainda reduziu, mas no final das contas a vitória foi clara. O Sporting venceu o Benfica e Rúben Amorim goleou Jorge Jesus.










